Como a tecnologia mudou o trabalho no campo?
Hoje o agricultor consulta um estudo de clima, solo e ciclo das plantas para decidir quando plantar. Esse é só um exemplo de como a ciência entrou na roça. Mas como era antes, e o que mudou para quem trabalha no campo?
Como era o campo?
Em 1950, o Brasil ainda era um país rural: 63,8% da população vivia no campo. Vinte anos depois, eram 44%. No Censo de 2010, a população rural era só 15,7% do total, e uma estimativa para 2021 indica 12,2%.
Nos anos 1950, menos de 2% das propriedades rurais tinham máquinas agrícolas. Entre 1960 e 2017, o número de tratores passou de 0,06 para 17,1 a cada mil hectares.
Produzir mais com a mesma terra
Entre 1975 e 2017, a produção de grãos passou de 38 milhões para 236 milhões de toneladas, mais de seis vezes, enquanto a área plantada apenas dobrou. Ou seja, cada hectare passou a render muito mais. Isso se chama aumento de produtividade.
De 1975 a 2020, a produção agropecuária cresceu 405%, e o uso de insumos, como terra, trabalho, máquinas e adubo, cresceu só 33%. Para a Embrapa, quando se olha a agricultura como um todo, a tecnologia explica em grande parte essa evolução. Entre as tecnologias estão o plantio direto, o zoneamento de riscos climáticos, o manejo de pragas e a mecanização.
E o trabalho?
A população rural diminui de forma contínua desde 1950. Uma máquina faz em pouco tempo o que antes pedia muitas mãos, por isso cada pessoa que trabalha na lavoura produz mais. Ao mesmo tempo, muita gente deixou o campo e foi viver e trabalhar nas cidades. Mesmo assim, em 2012 cerca de 14 milhões de pessoas ainda trabalhavam em atividades agrícolas.
O trabalho também mudou de tipo. Operar uma colheitadeira, ler uma previsão do tempo ou seguir um zoneamento pede estudo e treinamento. A tecnologia criou novas funções no campo e reduziu outras.
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