Como se mede se a água de um rio está limpa?
Esgoto, lixo, adubo e produtos de fábricas podem chegar a um rio e mudar a sua água. Mas uma água transparente pode estar contaminada, e uma água barrenta pode estar saudável. Então, como os técnicos sabem se a água de um rio está limpa? Eles medem.
O que se mede na água?
No Brasil, o principal indicador é o Índice de Qualidade das Águas (IQA). Ele junta nove medidas: temperatura, pH, oxigênio dissolvido, resíduo total, demanda bioquímica de oxigênio, coliformes termotolerantes, nitrogênio total, fósforo total e turbidez.
Cada medida conta uma parte da história.
- Oxigênio dissolvido: é vital para a vida aquática, porque peixes e outros organismos precisam dele para respirar. Águas poluídas por esgoto têm pouco oxigênio, que é gasto na decomposição da matéria orgânica.
- Demanda bioquímica de oxigênio (DBO): é a quantidade de oxigênio necessária para oxidar, ou seja, decompor, a matéria orgânica da água, medida em 5 dias a 20 °C.
- Coliformes termotolerantes: são bactérias que indicam poluição por esgoto doméstico. Elas não causam doenças, mas, em grande número, mostram que pode haver micróbios que causam.
- Fósforo e nitrogênio: em excesso, fazem as algas crescerem demais. Esse processo se chama eutrofização.
- Turbidez: mostra quanto a luz perde força ao atravessar a água.
Como as medidas viram uma nota?
O IQA é um número entre 0 e 100. Cada medida tem um peso: o oxigênio dissolvido é a que mais pesa (0,17), seguido dos coliformes (0,15). O índice foi criado em 1970 nos Estados Unidos e passou a ser usado pela Cetesb, em São Paulo, em 1975. As faixas de ótima a péssima variam entre os estados.
A nota tem um propósito: o IQA avalia a água para o abastecimento público, depois do tratamento comum. Um IQA baixo indica água ruim para abastecer cidades, mas a mesma água pode servir para usos menos exigentes, como navegação ou geração de energia.
Como estão os rios do Brasil?
No relatório Conjuntura de 2017, a ANA classificou 12% dos pontos monitorados como excelentes, 63% como bons, 13% como regulares, 9% como ruins e 3% como péssimos. Em áreas urbanas, os excelentes caem para 7%.
Para comparar regiões, a ANA criou em 2013 a Rede Nacional de Monitoramento de Qualidade da Água. Os estados seguem como os principais responsáveis pelas redes de medição.
Para ir mais fundo: Perda de biodiversidade aquática: causas e consequências
Outras perguntas sobre água
Exemplo: por que chove? ou só chuva.
