Exemplo: por que chove? ou só chuva.
Boto-cor-de-rosa para crianças: o golfinho que vive nos rios da Amazônia
Para ler em voz alta
O boto-cor-de-rosa é um golfinho que mora nos rios da Amazônia, e não no mar. Ele é cinza quando é pequeno e fica rosado quando cresce. Ele acha os peixes na água escura usando sons.
| Nome comum | boto-cor-de-rosa (também chamado de boto-vermelho ou só boto) |
|---|---|
| Nome científico | Inia geoffrensis |
| Grupo | mamífero, da família dos golfinhos de rio |
| Tamanho | os machos chegam a 2,55 metros e as fêmeas, a 2,18 metros: o macho é mais comprido que uma porta é alta |
| Peso | os machos podem passar de 180 quilos, e as fêmeas chegam a uns 150 quilos: tanto quanto dois ou três adultos |
| Onde vive | só em água doce, nos rios e lagos das bacias do Amazonas e do Orinoco, na América do Sul; no Brasil, na Amazônia |
| O que come | peixes de muitos tipos, e também caranguejos e tartaruguinhas de rio |
| Quanto tempo vive | na natureza, ninguém sabe ao certo; em cativeiro, botos saudáveis viveram de 10 a 26 anos |
| Está em perigo? | sim. No Brasil e na lista da IUCN, está na categoria Em Perigo: o risco de desaparecer é alto |
Como ele é
O boto-cor-de-rosa é o maior golfinho de rio do mundo. Os filhotes nascem cinza-escuros, e os adultos ficam rosados, uns inteiros, outros com manchas. Os machos são maiores e mais rosados que as fêmeas.
O focinho é comprido e fino, com pelinhos duros em cima. Nas costas, em vez de barbatana alta, tem uma crista baixa. Os ossos do pescoço não são grudados uns nos outros, por isso ele vira a cabeça para os lados, coisa que muitos golfinhos não conseguem.
Onde ele vive
O boto vive em rios, canais, lagos e na boca dos rios da Amazônia. Na seca, fica nos rios grandes, onde ainda há água funda. Na cheia, a água sobe e cobre a floresta, e ele nada entre os troncos e os galhos, atrás de peixes.
O que ele come e quem come ele
A água dos rios da Amazônia é escura ou barrenta, e enxergar lá dentro é difícil. Por isso, o boto usa a ecolocalização: ele solta estalinhos e escuta o eco que volta dos peixes.
Ele come pelo menos 43 tipos de peixe, inclusive piranhas. Os dentes do fundo da boca são largos e quebram até casca de caranguejo e de tartaruguinha. Às vezes caça junto com o tucuxi, outro golfinho do rio, e com as ariranhas. Ele é um dos grandes caçadores do rio e fica no alto da sua cadeia alimentar.
Como nascem os filhotes
A gravidez dura cerca de 11 meses. Nasce um filhote de cada vez, com uns 80 centímetros. A mãe logo ajuda o filhote a subir para respirar, porque o boto respira ar, como nós.
A mãe amamenta o filhote por mais de um ano, e os dois ficam juntos por 2 ou 3 anos.
Curiosidades
- Os botos brincam: já foram vistos jogando gravetos, puxando capim para baixo da água e empurrando troncos (Animal Diversity Web, Universidade de Michigan).
- Ele costuma nadar devagar, a até 3 quilômetros por hora, mas consegue arrancadas de 22 quilômetros por hora (Animal Diversity Web).
- O boto come por dia cerca de 2,5% do próprio peso. Para um boto de 100 quilos, são uns 2,5 quilos de peixe (Animal Diversity Web).
Por que ele é importante para a natureza
O boto é um predador de topo dos rios da Amazônia: come muitos tipos de peixe e ajuda a manter o equilíbrio entre eles. Como precisa de rios limpos e cheios de peixe, quando os botos vão bem, o rio também vai.
O que as pessoas fazem para protegê-lo
O boto corre perigo. Muitos ficam presos em redes de pesca, e outros são mortos para servir de isca. Barragens dividem os rios e separam os grupos de botos (ICMBio, plano dos pequenos cetáceos). Numa reserva do Amazonas, cientistas contaram os botos por 22 anos e viram que, a cada 10 anos, o número caiu pela metade (da Silva e colegas, PLoS ONE, 2018).
O calor também é uma ameaça nova. Na grande seca de 2023, a água do lago Tefé, no Amazonas, ficou quente demais, e mais de 200 botos e tucuxis morreram (Pesquisa FAPESP). Hoje, cientistas acompanham os botos de perto, e há leis e planos do governo para proteger os rios e a pesca.
Para saber mais
Fontes
- Animal Diversity Web, Universidade de Michigan. Inia geoffrensis.
- da Silva, V. M. F. et al. Both cetaceans in the Brazilian Amazon show sustained, profound population declines over two decades. PLoS ONE, v. 13, n. 5, e0191304, 2018.
- ICMBio. Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Mamíferos Aquáticos: Pequenos Cetáceos, sumário executivo, 2010.
- Soares, G. Seca extrema e onda de calor elevaram temperatura em lago da Amazônia a 41 °C em 2023. Pesquisa FAPESP, 2025.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026 (lista nacional de espécies ameaçadas).

