123 Ecos Redação
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Atualizado em: 25/10/2026
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Anarcofeminismo é a corrente que une o anarquismo e o feminismo. Para as anarcofeministas, a dominação dos homens sobre as mulheres é uma forma de hierarquia, como a do Estado sobre os cidadãos e a do patrão sobre o trabalhador, e todas teriam de ser abolidas juntas. Por isso elas desconfiam de conquistas feitas por meio do Estado, como leis e cargos públicos, e apostam na organização das próprias mulheres.
As pioneiras
- Emma Goldman (1869-1940), nascida no Império Russo e emigrada para os Estados Unidos, fundou a revista Mother Earth. Foi presa em 1917 por fazer campanha contra o alistamento militar e deportada para a Rússia soviética em 1919 (Britannica).
- Voltairine de Cleyre (1866-1912), anarquista norte-americana, é citada pela Stanford Encyclopedia of Philosophy como figura do feminismo anarquista do século 19 (Baehr, Liberal Feminism).
Mujeres Libres
Em abril de 1936, na Espanha, Lucía Sánchez Saornil, Mercedes Comaposada e Amparo Poch y Gascón fundaram as Mujeres Libres (Mulheres Livres), organização anarquista de mulheres. O objetivo era libertar as mulheres de uma “tripla escravidão”: a ignorância, a desigualdade entre os sexos e o capitalismo. No auge, em 1938, durante a Guerra Civil Espanhola, tinham cerca de 30 mil integrantes (Wikipédia).
No Brasil: Maria Lacerda de Moura
A professora e escritora mineira Maria Lacerda de Moura (1887-1945) é considerada uma pioneira do feminismo brasileiro. Ligou a emancipação das mulheres à libertação diante do capitalismo e escreveu sobre divórcio, amor livre e prostituição. De 1928 a 1937, viveu na comunidade de Guararema (SP), organizada sem hierarquia (Wikipédia). Com Bertha Lutz, fundou em 1920 a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher (Wikipédia).
Você sabia?
Maria Lacerda de Moura começou ao lado de Bertha Lutz, a líder da luta pelo voto feminino, mas em 1922 já rompia com as associações de mulheres. Para ela, a luta pelo voto respondia a “uma parte muito limitada” das necessidades das mulheres (Wikipédia).
Os princípios
- Contra toda hierarquia: patriarcado, Estado e capitalismo são formas de dominação ligadas entre si.
- Autonomia: cada pessoa deve decidir sobre a própria vida, sem a tutela do Estado, da Igreja ou do marido.
- Organização horizontal: decisões em assembleias e grupos sem chefes.
- Ação direta: mudar a vida cotidiana agora, sem esperar leis ou governos.
O debate com as outras correntes
O que separa o anarcofeminismo das outras correntes é o papel do Estado. As feministas liberais e as socialistas defendem leis e políticas públicas como meio de garantir direitos às mulheres; as anarcofeministas desconfiam desse caminho e apostam na organização das próprias mulheres. Ver Feminismo liberal e Feminismo socialista.
Termos vizinhos
- Feminismo: a visão geral, as ondas e as correntes (link).
- Feminismo socialista: patriarcado e capitalismo como dois sistemas (link).
- Feminismo radical: o patriarcado como raiz da desigualdade (link).
Resumo: principais perguntas e respostas
É a corrente que une anarquismo e feminismo e vê a dominação masculina como uma das hierarquias a abolir, junto com o Estado e o capitalismo.
Emma Goldman (1869-1940) e Voltairine de Cleyre, nos Estados Unidos; Lucía Sánchez Saornil, Mercedes Comaposada e Amparo Poch y Gascón, fundadoras das Mujeres Libres na Espanha; e Maria Lacerda de Moura, no Brasil.
Uma organização anarquista de mulheres criada na Espanha em 1936, que chegou a cerca de 30 mil integrantes e lutava contra a “tripla escravidão”: ignorância, desigualdade entre os sexos e capitalismo.
As duas correntes criticam o capitalismo, mas o socialista aceita o Estado como meio para garantir direitos, e o anarcofeminismo rejeita o Estado como mais uma hierarquia.
Sim. A mais conhecida é Maria Lacerda de Moura (1887-1945), que rompeu com o movimento pelo voto por considerá-lo limitado.
Fontes
- Britannica. Emma Goldman.
- Baehr, A. R. Liberal Feminism. Stanford Encyclopedia of Philosophy, revisão de 2020.
- Wikipédia. Mujeres Libres; Maria Lacerda de Moura.
- Wikipédia. Bertha Lutz.
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