123 Ecos Redação
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Atualizado em: 31/10/2026
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Coliving (ou co-living) é um tipo de moradia em que cada pessoa aluga um quarto mobiliado e divide cozinha, sala e outras áreas comuns, com contas e serviços incluídos no preço. Segundo um estudo publicado em 2022 na revista Urban Planning, o formato surgiu em Londres no começo dos anos 2010, como uma mistura de hotel, apartamento com serviços e coworking, para estadias curtas ou longas (Coricelli, Urban Planning, 2022).
Coliving, república e cohousing
- República: moradia dividida que os próprios moradores alugam e organizam (é o uso corrente da palavra no Brasil, e não um termo do estudo citado abaixo).
- Cohousing: comunidade formada de baixo para cima, em que os moradores assinam um acordo de convivência e dividem o trabalho da casa.
- Coliving: a comunidade é montada de cima para baixo por uma empresa que administra o imóvel; os serviços são feitos por funcionários e as regras são fiscalizadas pela equipe. Segundo o mesmo estudo, a condição para entrar é poder pagar (Coricelli, 2022).
O que dividir a casa muda no consumo
O efeito ambiental de dividir a casa foi medido em domicílios comuns, não em colivings. Um estudo de Ivanova e Büchs, publicado na revista Energies em 2020, usou dados de consumo de 2010 de 25 países da União Europeia (Ivanova e Büchs, Energies, 2020):
- quem mora sozinho tinha pegada média de 9,2 toneladas de CO₂ equivalente por ano, contra 4,6 por pessoa nos domicílios de cinco ou mais pessoas;
- cada morador a mais reduziu, em média, cerca de 5% da pegada de carbono e 7% da de energia por pessoa;
- a economia aparece em aluguel e moradia, eletricidade, aquecimento e serviços da casa, mas não no transporte.
A razão é a economia de escala: geladeira, fogão, aquecimento e área comum servem a mais gente. Se um coliving reproduz esse efeito depende do tamanho dos quartos, das áreas comuns e de como os moradores se deslocam, e não achei medição feita em colivings. A pegada de carbono está em pegada ecológica, e outros usos divididos em mobilidade compartilhada.
As críticas
O estudo de 2022 aponta (Coricelli, 2022):
- preço por metro quadrado alto: em Londres, um quarto de 11 m² anunciado por £ 1.040 por mês sai a cerca de £ 95 por m², bem acima da referência citada para apartamentos comuns;
- quartos pequenos, de até 9 m², com a propaganda falando de “experiência” em vez de área;
- não é moradia acessível: o modelo não resolve a falta de casas para quem ganha menos.
A moradia para quem ganha menos está em habitação acessível.
O que foi medido e o que é só promessa
- Medido: em domicílios comuns de 25 países da União Europeia, com dados de 2010, cada morador a mais reduziu em média cerca de 5% da pegada de carbono por pessoa.
- Não medido: o efeito em colivings. Não achei medição feita nesse tipo de moradia, e o estudo não trata do transporte dos moradores.
Você sabia?
Nos 25 países da União Europeia estudados, quem morava sozinho tinha, em média, o dobro da pegada de carbono por pessoa de quem morava em casas com cinco ou mais pessoas: 9,2 contra 4,6 toneladas de CO₂ equivalente por ano, em dados de 2010 (Ivanova e Büchs, Energies, 2020).
Resumo: principais perguntas e respostas
É moradia em que cada pessoa aluga um quarto mobiliado e divide áreas comuns, com contas e serviços incluídos. Surgiu em Londres no começo dos anos 2010.
Na república, os moradores alugam e organizam a casa. No coliving, uma empresa administra o imóvel, monta o grupo e presta os serviços.
O cohousing é organizado pelos próprios moradores, que dividem o trabalho da casa; o coliving é organizado por uma empresa.
Em domicílios da União Europeia, cada morador a mais reduziu em média cerca de 5% da pegada de carbono por pessoa, segundo um estudo de 2020. Não achei medição feita em colivings.
Preço alto por metro quadrado, quartos pequenos e o fato de não ser solução de moradia para quem ganha menos, segundo um estudo de 2022.
Fontes
- Coricelli, F. The Co-‘s of Co-Living: How the Advertisement of Living Is Taking Over Housing Realities. Urban Planning, v. 7, n. 1, p. 296-304, 2022.
- Ivanova, D.; Büchs, M. Household Sharing for Carbon and Energy Reductions: The Case of EU Countries. Energies, v. 13, 1909, 2020.
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