Rios voadores não são rios de verdade, com margens e peixes. É o nome dado às grandes correntes de vapor de água que se formam sobre a Amazônia e viajam pelo céu, levadas pelos ventos, para outras partes da América do Sul.
Boa parte desse vapor vem das próprias árvores. As raízes puxam a água do solo, a água sobe pelo tronco e sai pelas folhas como vapor, na transpiração. Somadas, milhões de árvores lançam no ar uma quantidade enorme de água todos os dias.
Você sabia?
Segundo o cientista Antonio Nobre, então pesquisador do Inpe, uma árvore grande da Amazônia pode lançar no ar mais de mil litros de água num só dia. Somando toda a floresta, o vapor que sobe é maior do que a água que o rio Amazonas despeja no mar. Fonte: Entrevista de Antonio Nobre, então pesquisador do Inpe, ao Valor Econômico sobre O Futuro Climático da Amazônia (2014).
Os ventos levam esse vapor para o oeste, até a cordilheira dos Andes, que funciona como uma parede e desvia a umidade para o sul. Em vários meses do ano, ela ajuda a formar chuva numa grande área entre Cuiabá, São Paulo e Buenos Aires, onde estão muitas plantações e cidades.
Por isso o desmatamento da Amazônia preocupa também quem mora longe dela. Menos árvores significa menos vapor no céu, e os cientistas estudam quanto isso pode reduzir a chuva em outras regiões.
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