Os oceanos são muito mais do que grandes massas de água. Eles regulam o clima, abrigam milhões de espécies e produzem grande parte do oxigênio que respiramos. Na verdade, a maior parte desse oxigênio não vem das árvores, mas sim pela produção de organismos minúsculos que vivem nos oceanos.
O oceanógrafo e pesquisador Denis Gilbert, membro do Instituto de Ciências do Mar do Canadá, alertou em uma conferência da UNESCO:
“A perda de oxigênio nos oceanos é uma bomba-relógio silenciosa. Se não reduzirmos as emissões de gases do efeito estufa, podemos comprometer a vida marinha e, eventualmente, a própria estabilidade da atmosfera terrestre.”
Afinal, como acontece essa produção? Quais organismos são responsáveis por esse processo? E será que há ameaças que podem comprometer essa função tão essencial? Vamos descobrir tudo isso agora.
Como os oceanos produzem oxigênio?
Ao contrário do que muitos imaginam, o oxigênio gerado pelos oceanos não vem diretamente da água, mas sim da fotossíntese realizada por seres microscópicos. Fitoplânctons, cianobactérias e algas marinhas são os principais responsáveis por transformar a luz do sol e o dióxido de carbono em oxigênio. Esse processo acontece continuamente e libera grandes quantidades desse gás para a atmosfera.
Estudos indicam que os oceanos produzem entre 50% e 80% do oxigênio do planeta. Ou seja, sem essa produção, a vida na Terra seria muito diferente. A cada respiração, uma parte significativa do oxigênio que entra nos nossos pulmões veio dos oceanos.
Mas quais são os organismos mais importantes para essa produção?
Os principais organismos que geram oxigênio no oceano
Entre os seres vivos que realizam fotossíntese no mar, o fitoplâncton se destaca. Esse grupo de organismos inclui algas microscópicas e cianobactérias, que formam a base da cadeia alimentar oceânica.
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As Prochlorococcus, por exemplo, são um tipo de cianobactéria considerada um dos organismos mais abundantes da Terra. Cientistas estimam que elas sejam responsáveis por cerca de 5% do oxigênio que respiramos. Esse número pode parecer pequeno, mas representa uma fração essencial para a vida no planeta.
Além disso, macroalgas como o sargaço e os kelps também contribuem para a produção de oxigênio. Embora não tenham a mesma importância que o fitoplâncton, essas algas desempenham um papel fundamental na absorção de dióxido de carbono e na liberação de oxigênio.
Se os oceanos produzem tanto oxigênio, para onde vai essa enorme quantidade?
Para onde vai o oxigênio produzido pelos oceanos?
Grande parte do oxigênio gerado pelo fitoplâncton e pelas algas é liberada na água e consumida pelos próprios organismos marinhos. Peixes, moluscos e outros seres vivos utilizam esse oxigênio para sobreviver. O que sobra acaba se misturando com a atmosfera e se tornando parte do ar que respiramos.
A interação entre os oceanos e a atmosfera é essencial para manter o equilíbrio dos gases na Terra. Esse ciclo garante que o planeta continue habitável para humanos, animais e plantas terrestres. No entanto, essa produção pode ser ameaçada por diversos fatores.
Quais são os principais riscos que podem comprometer esse processo?
Ameaças à produção de oxigênio nos oceanos
Nos últimos anos, diversos estudos apontam que as mudanças climáticas e a poluição dos oceanos podem reduzir a produção de oxigênio. O aumento da temperatura da água pode afetar o crescimento do fitoplâncton, diminuindo a fotossíntese e, consequentemente, a liberação de oxigênio.
As mudanças climáticas estão afetando a produção de oxigênio nos oceanos de forma preocupante. Cientistas alertam que o aumento da temperatura global e a poluição dos mares estão reduzindo os níveis de oxigênio na água, o que pode gerar consequências graves para os ecossistemas marinhos e para a própria humanidade.
De acordo com um relatório da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), os níveis de oxigênio nos oceanos caíram cerca de 2% entre 1960 e 2010. Pode parecer pouco, mas essa queda já está causando zonas mortas oceânicas, onde a vida marinha não consegue sobreviver. Além disso, estima-se que até o final do século, essa perda de oxigênio pode ser de até 7% caso as emissões de gases do efeito estufa continuem aumentando.
Impactos da ação humana nos oceanos
Outro estudo publicado na revista Science revelou que mais de 700 áreas oceânicas já apresentam níveis de oxigênio críticos para a sobrevivência de peixes e outros organismos marinhos. Com isso, espécies essenciais para a pesca comercial podem diminuir drasticamente, afetando a segurança alimentar de milhões de pessoas que dependem dos oceanos para se alimentar.
Além disso, a acidificação dos oceanos, causada pela absorção de dióxido de carbono, está prejudicando a capacidade das algas e cianobactérias de realizarem a fotossíntese. Ou seja, menos oxigênio está sendo produzido. Se essa tendência continuar, o equilíbrio atmosférico pode ser afetado, impactando diretamente a quantidade de oxigênio disponível para a respiração humana e animal.
Com tantas evidências alarmantes, cientistas alertam que a redução da produção de oxigênio nos oceanos pode se tornar uma das maiores crises ambientais do século. Sem ações urgentes para reduzir as emissões de poluentes e proteger os mares, enfrentaremos consequências severas que podem alterar a vida no planeta como conhecemos.
Como proteger a produção de oxigênio nos oceanos?
Para garantir que os oceanos continuem produzindo oxigênio, é fundamental reduzir a poluição e combater as mudanças climáticas. Ações como diminuir o uso de combustíveis fósseis, reduzir o consumo de plástico e tratar adequadamente os resíduos ajudam a preservar a qualidade da água.
Outra medida importante é a proteção de ecossistemas marinhos sensíveis, como recifes de coral e manguezais. Essas áreas servem de abrigo para muitas espécies que dependem do oxigênio produzido pelos oceanos para sobreviver.
Iniciativas de preservação, como a criação de áreas marinhas protegidas, também contribuem para manter o equilíbrio dos ecossistemas e garantir que o fitoplâncton continue cumprindo seu papel na produção de oxigênio.
Com tantas funções essenciais, os oceanos merecem mais atenção e cuidado. Afinal, a cada respiração, dependemos da saúde deles para continuarmos vivendo.
Artigo de conscientização: A Importância da vida marinha na Sustentabilidade do Planeta
Resumo – Principais perguntas e respostas
Os oceanos geram entre 50% e 80% do oxigênio disponível na atmosfera, principalmente por meio da fotossíntese do fitoplâncton.
O fitoplâncton, principalmente as cianobactérias como as Prochlorococcus, é o principal responsável pela liberação de oxigênio nos oceanos.
Sim, a produção oceânica de oxigênio é essencial para manter os níveis adequados na atmosfera e garantir a sobrevivência dos organismos terrestres e marinhos.
Mudanças climáticas, poluição por fertilizantes e plásticos, além da acidificação dos oceanos, podem comprometer a fotossíntese realizada pelo fitoplâncton.
Reduzir a poluição, diminuir o consumo de combustíveis fósseis e principalmente proteger ecossistemas marinhos são ações essenciais para manter a produção de oxigênio nos oceanos.