As ameaças à vida marinha são as ações humanas que reduzem ou eliminam as populações de seres vivos do mar e destroem os lugares onde eles vivem. Segundo o IPBES, o painel científico da ONU sobre biodiversidade, cerca de 66% do ambiente marinho já foi muito alterado pela ação humana. O mesmo relatório, de 2019, lista as cinco causas diretas da perda de natureza no mundo, em ordem: a mudança no uso da terra e do mar, a exploração direta dos seres vivos (no mar, principalmente a pesca), a mudança do clima, a poluição e as espécies invasoras.
Os números #
| Ameaça | Dado | Ano | Fonte |
|---|---|---|---|
| Uso do mar | Cerca de 66% do ambiente marinho muito alterado pela ação humana; cerca de metade da cobertura de corais vivos perdida desde os anos 1870 | 2019 | IPBES |
| Pesca | 35,5% dos estoques de peixes do mar avaliados estão sobrepescados | 2025 | FAO |
| Pesca | 37% das espécies de tubarões e raias ameaçadas de extinção | 2021 | IUCN |
| Clima | Cerca de 90% do calor extra do aquecimento global foi para o oceano | Atualizado em 2025 | NASA |
| clima | O calor de branqueamento atingiu 84% da área de recifes de coral do mundo | 2023 a 2025 | NOAA |
| clima | O oceano absorveu cerca de 29% do CO2 emitido pelas pessoas | 2015 a 2024 | Global Carbon Budget 2025 |
| Poluição | Mais de 350 espécies já foram encontradas presas em lixo do mar | Atualizado em 2023 | NOAA |
1. A mudança no uso do mar e do litoral #
É a destruição ou a ocupação dos lugares onde os seres vivos do mar se alimentam e se reproduzem: aterros, portos, marinas e construções na costa, dragagem do fundo e retirada de mangues. Segundo o IPBES (2019), cerca de metade da cobertura de corais vivos dos recifes se perdeu desde os anos 1870. Veja Destruição dos habitats, Mangues e Desenvolvimento das cidades litorâneas.
2. A pesca acima do limite #
Quando se pesca mais do que os peixes conseguem repor, o estoque (a população de uma espécie numa região) diminui. Segundo a FAO (2025), 35,5% dos estoques de peixes do mar avaliados estão sobrepescados. A pesca também atinge animais que não eram o alvo, a captura acidental: segundo a IUCN (2021), 37% das espécies de tubarões e raias estão ameaçadas de extinção, principalmente pela sobrepesca. A rede de arrasto, puxada pelo fundo, destrói corais e esponjas. Veja O que é sobrepesca, Pesca predatória e Caça e comércio ilegal nos oceanos.
3. A mudança do clima #
O aquecimento global atinge o mar de três jeitos:
- Água mais quente. Segundo a NASA, cerca de 90% do calor extra do aquecimento global foi absorvido pelo oceano. Com a água mais quente, o coral expulsa as algas que vivem dentro dele e fica branco. Segundo a NOAA, o quarto evento global de branqueamento, de 2023 a 2025, atingiu 84% da área de recifes de coral do mundo. Veja Aumento da temperatura dos oceanos e Branqueamento dos corais.
- Água mais ácida. O oceano absorveu cerca de 29% do CO2 emitido pelas pessoas de 2015 a 2024, segundo o Global Carbon Budget 2025. Na água, o CO2 forma ácido. Segundo a NOAA, a acidez do mar aumentou cerca de 30% desde a Revolução Industrial, e isso dificulta a formação de conchas e esqueletos de corais, moluscos e outros animais. Veja Acidificação dos oceanos.
- Menos oxigênio. A água quente guarda menos oxigênio. Veja Desoxigenação dos oceanos.
4. A poluição #
A poluição do mar vem do esgoto sem tratamento, do adubo e dos agrotóxicos levados pelos rios, dos vazamentos de óleo e do lixo. Segundo a NOAA:
- mais de 350 espécies já foram encontradas presas em lixo do mar;
- as sete espécies de tartarugas marinhas estão entre elas, e também quase 40% das espécies de mamíferos marinhos;
- as redes e armadilhas de pesca perdidas ou abandonadas são o lixo mais perigoso para os animais; elas continuam pescando sozinhas, o que se chama de pesca fantasma.
Os poluentes também se acumulam nos animais ao longo da cadeia alimentar. Veja Poluição nos oceanos, Plásticos nos oceanos, Bioacumulação e Derramamento de óleo.
5. As espécies invasoras #
Uma espécie invasora é a que chega, levada pelas pessoas, a um lugar onde não vivia, e se espalha, competindo com as espécies nativas ou comendo-as. Dois exemplos no Atlântico:
- Coral-sol (Tubastraea). Nativo do Indo-Pacífico, é considerado espécie exótica invasora no Brasil. Segundo a Agência FAPESP (2024), é registrado no país desde o fim dos anos 1980 e hoje vai do Ceará a Santa Catarina, com mais concentração no Sudeste. Suas larvas colonizam rochas, píeres, navios e plataformas de petróleo, que provavelmente o trouxeram, junto com a água de lastro dos navios.
- Peixe-leão. Nativo do Indo-Pacífico, hoje vive no sudeste dos Estados Unidos, no Caribe e no golfo do México. Segundo a NOAA, a causa exata não é conhecida, mas é provável que peixes de aquário tenham sido soltos no mar; no Atlântico, ele tem poucos predadores e come peixes pequenos e crustáceos. No Brasil, já foi visto em Fernando de Noronha, no Ceará e, em 2022, no Maranhão, segundo o Portal Amazônia.
Veja Espécies invasoras e Controle de espécies invasoras.
As ameaças se somam #
As cinco causas atuam juntas. Um recife de coral pode sofrer ao mesmo tempo com a pesca, o esgoto que chega pelo rio e a água mais quente. Os acordos e as áreas protegidas que tentam reduzir essas ameaças estão em Proteção dos oceanos e no ODS 14.
Resumo: principais perguntas e respostas #
Segundo o IPBES (2019), as cinco causas diretas da perda de natureza são, em ordem: a mudança no uso da terra e do mar, a exploração direta dos seres vivos (no mar, principalmente a pesca), a mudança do clima, a poluição e as espécies invasoras.
Cerca de 66% do ambiente marinho foi muito alterado pela ação humana, segundo o IPBES (2019).
A água quente faz o coral expulsar as algas que vivem dentro dele, e ele fica branco. De 2023 a 2025, o calor de branqueamento atingiu 84% da área de recifes do mundo, segundo a NOAA.
Mais de 350 espécies já foram encontradas presas em lixo do mar, segundo a NOAA, entre elas as sete espécies de tartarugas marinhas.
O coral-sol, nativo do Indo-Pacífico, registrado no Brasil desde o fim dos anos 1980 e presente do Ceará a Santa Catarina, segundo a Agência FAPESP (2024).
Fontes #
- IPBES. IPBES: Nature’s dangerous decline ‘unprecedented,’ species extinction rates ‘accelerating’. Comunicado à imprensa, publicado em EurekAlert!, 6 maio 2019.
- FAO. FAO releases the most detailed global assessment of marine fish stocks to date. 11 jun. 2025.
- IUCN. Tuna species recovering despite growing pressures on marine life: IUCN Red List. 4 set. 2021.
- NASA. Ocean warming. Earth Indicators, atualizado em 25 set. 2025.
- NOAA NESDIS. World’s fourth mass coral bleaching event likely ended in 2025. 2 jun. 2026.
- Friedlingstein, P. e colegas. Global Carbon Budget 2025. Earth System Science Data, v. 18, p. 3211–3288, 2026.
- NOAA Science Council. State of the science fact sheet: ocean acidification. Jul. 2022.
- NOAA Marine Debris Program. Wildlife entanglement and ghost fishing. Atualizado em 14 mar. 2023.
- Julião, A. Remoção de coral invasor deve ser evitada em períodos de alta liberação de larvas, alerta estudo. Agência FAPESP, 31 jan. 2024.
- NOAA. Why are lionfish a growing problem in the Atlantic Ocean?. National Ocean Service, atualizado em 23 set. 2026.
- Ribeiro, L. Peixe-leão: primeiro registro de espécie invasora é encontrada no Maranhão. Portal Amazônia, 7 jul. 2022.
