Ana Luiza Cosme
Bióloga, mestre em Ciências Aplicadas à Medicina, educadora e escritora. Apaixonada pelo projeto da Ecopédia e Ecomunidade.
Atualizado em: 24/10/2026 · Nível de leitura: Ensino Médio
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A extinção de uma espécie é o seu desaparecimento definitivo: ocorre quando morre o último indivíduo. Quando ainda restam indivíduos apenas em cativeiro ou em cultivo, fora da área de distribuição original, fala-se em extinção na natureza.
A extinção faz parte da história da vida. Espécies surgem e desaparecem ao longo do tempo geológico, e o planeta já passou por grandes episódios de extinção em massa. O que preocupa os cientistas hoje é o ritmo atual, ligado principalmente a atividades humanas.
A escala do problema
Segundo o relatório global da IPBES, aprovado em 2019, cerca de 1 milhão de espécies de animais e plantas estão ameaçadas de extinção, muitas delas nas próximas décadas. O mesmo relatório registra que pelo menos 680 espécies de vertebrados foram levadas à extinção desde o século XVI.
Alguns grupos estão em situação mais grave. Mais de 40% das espécies de anfíbios, quase um terço dos corais formadores de recifes e mais de um terço dos mamíferos marinhos estão ameaçados.
Como o risco de extinção é medido
A Lista Vermelha da IUCN
A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) mantém a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas, a principal referência mundial sobre o risco de extinção. Em 2026, a lista reúne mais de 175 mil espécies avaliadas, das quais mais de 49 mil estão ameaçadas.
Esses números não representam todas as espécies do planeta. Representam apenas as que já foram avaliadas, uma pequena parte das espécies conhecidas.
As categorias
A IUCN classifica as espécies em nove categorias:
- Extinta (EX): não há dúvida razoável de que o último indivíduo morreu.
- Extinta na natureza (EW): sobrevive apenas em cativeiro, em cultivo ou fora da sua área original.
- Criticamente em perigo (CR): risco extremamente alto de extinção na natureza.
- Em perigo (EN): risco muito alto de extinção na natureza.
- Vulnerável (VU): risco alto de extinção na natureza.
- Quase ameaçada (NT): está perto de se enquadrar em uma categoria de ameaça.
- Menos preocupante (LC): não se enquadra nas categorias anteriores.
- Dados insuficientes (DD): não há informação suficiente para avaliar o risco.
- Não avaliada (NE): ainda não passou por avaliação.
Só as três categorias intermediárias (criticamente em perigo, em perigo e vulnerável) são consideradas “ameaçadas”. A classificação segue critérios como o tamanho da população, a velocidade do declínio e a área de distribuição.
A extinção no Brasil
O Brasil tem sua própria lista oficial de espécies ameaçadas, elaborada com base em avaliações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e publicada pelo Ministério do Meio Ambiente. A lista em vigor, de 2022, reconhece 1.253 espécies da fauna ameaçadas.
A avaliação mais recente do ICMBio, feita entre 2015 e 2023 e publicada em 2024, analisou 14.947 espécies da fauna. Dessas, 1.264 foram consideradas ameaçadas:
- 326 criticamente em perigo;
- 462 em perigo;
- 476 vulneráveis.
A mesma avaliação registrou 10 espécies extintas ou extintas na natureza. Esses resultados devem servir de base para a próxima atualização da lista oficial.
Segundo o ICMBio, a principal ameaça à fauna brasileira é a agricultura, que afeta 510 espécies ameaçadas, seguida da pecuária (418) e da expansão urbana (406). No ambiente marinho, a principal ameaça é a pesca.
Principais causas
A IPBES classificou cinco causas diretas da perda de biodiversidade, da maior para a menor influência em escala global:
- Mudança no uso da terra e do mar: desmatamento, conversão de áreas naturais para agricultura e pecuária, urbanização. Destrói e fragmenta os habitats.
- Exploração direta de organismos: caça, pesca e coleta acima da capacidade de reposição das populações, incluindo o comércio ilegal.
- Mudança do clima: altera temperaturas, chuvas e a química dos oceanos mais rápido do que muitas espécies conseguem se adaptar.
- Poluição: de agrotóxicos e esgoto a plásticos e metais pesados.
- Espécies exóticas invasoras: competem com as nativas, as predam ou transmitem doenças.
Essas causas costumam agir juntas. Uma população reduzida pela perda de habitat fica mais exposta à caça, a doenças e a eventos climáticos extremos.
Consequências
Para os ecossistemas
Cada espécie participa de uma rede de relações: é alimento de umas, predadora de outras, dispersora de sementes ou polinizadora. Quando uma espécie desaparece, as que dependem dela também são afetadas. A perda de grandes predadores, por exemplo, pode levar ao aumento descontrolado de suas presas e alterar a vegetação de uma região.
A extinção também reduz a diversidade genética, a matéria-prima da adaptação a mudanças futuras.
Para as pessoas
Muitas atividades humanas dependem de espécies silvestres: a pesca, a polinização de lavouras, plantas usadas em medicamentos, o turismo de natureza. Para povos indígenas e comunidades tradicionais, certas espécies também têm importância cultural e alimentar.
Respostas à extinção
Os países e as organizações de conservação usam diferentes instrumentos para reduzir o risco de extinção:
- Áreas protegidas, que conservam habitats.
- Planos de ação para espécies ameaçadas, que no Brasil são coordenados pelo ICMBio.
- Reprodução em cativeiro e reintrodução, usadas em casos extremos.
- Corredores ecológicos, que reconectam fragmentos de habitat.
- Controle do comércio, como o feito pela CITES no comércio internacional.
Ver também: Conservação biológica.
Resumo: principais perguntas e respostas
É o desaparecimento definitivo de uma espécie, que ocorre quando morre o último indivíduo.
Segundo a IPBES, as cinco causas diretas são, em ordem: mudança no uso da terra e do mar, exploração direta de organismos, mudança do clima, poluição e espécies exóticas invasoras.
A extinção natural acompanha a história da vida e ocorre em ritmo lento, com exceção das extinções em massa. A causada por atividades humanas é a que explica o ritmo atual, segundo a IPBES.
A lista oficial de 2022 reconhece 1.253 espécies da fauna ameaçadas. A avaliação mais recente do ICMBio, publicada em 2024, chegou a 1.264.
É a principal referência mundial sobre o risco de extinção. Classifica as espécies avaliadas em nove categorias, das quais três são consideradas ameaçadas: criticamente em perigo, em perigo e vulnerável.
Fontes
- IUCN. The IUCN Red List of Threatened Species. Acesso em 24 out. 2026.
- IUCN. IUCN Red List Categories and Criteria. Versão 3.1.
- PNUMA. Relatório da IPBES sobre o declínio da natureza. Comunicado de 6 maio 2019.
- ICMBio. Avaliação do risco de extinção da fauna brasileira (2015 a 2023): sumário executivo. Set. 2024.

