A diferença entre venenoso e peçonhento está no modo de usar o veneno. Os dois tipos de animal produzem substâncias tóxicas. O peçonhento tem um jeito de injetar o veneno no corpo de outro animal, como presas, ferrão ou garras. O venenoso não tem: o veneno só age quando alguém toca, aperta ou morde o animal.
O que diz o Instituto Butantan #
Segundo o livro Animais venenosos, do Instituto Butantan (2017), muitos animais produzem substâncias tóxicas, principalmente para se defender ou para caçar. Os peçonhentos são os que têm a capacidade de inocular, isto é, de introduzir esse veneno em outro corpo.
Os sapos são o exemplo clássico de animal venenoso. Eles soltam o veneno das glândulas da pele quando são apertados, mas não conseguem injetá-lo. O predador entra em contato com o veneno “sem propriamente introduzi-lo”, diz o Butantan.
Exemplos de animais venenosos #
Sapo-cururu. O sapo-cururu (Rhinella marina) solta pelas glândulas das costas, quando é atacado, um líquido branco e grosso chamado bufotoxina. O líquido é tóxico e age sobre o coração. É o anfíbio mais espalhado pelo ser humano no mundo, e nos lugares onde foi solto, como a Austrália, causa a queda dos predadores locais, que não têm defesa natural contra essa toxina, segundo o Animal Diversity Web, da Universidade de Michigan.
Os sapos-ponta-de-flecha da Amazônia também são venenosos, e avisam isso com as cores. O assunto está em Por que alguns animais têm cores tão fortes?
Exemplos de animais peçonhentos #
Segundo o Instituto Butantan:
- Serpentes: jararacas, cascavéis e corais-verdadeiras injetam o veneno pelas presas. Nem toda cobra é peçonhenta: a jiboia e a sucuri não têm veneno e matam a presa apertando-a.
- Escorpiões: injetam o veneno pelo ferrão, na ponta da cauda.
- Aranhas: injetam o veneno pelas quelíceras, as peças da boca, para paralisar e matar a presa.
- Lacraias: injetam o veneno por um par de peças em forma de garra, perto da cabeça.
- Abelhas e vespas: injetam o veneno pelo ferrão.
Por que a diferença importa no Brasil #
Os acidentes com peçonhentos são comuns no país. Em 2023, foram mais de 340 mil, e mais de 200 mil deles com escorpiões, segundo o Jornal de Brasília (2024). O livro do Instituto Butantan, de 2017, registrava mais de 29 mil acidentes com serpentes por ano, a maior parte nos meses quentes e chuvosos, e cerca de 24 mil com aranhas.
Resumo: principais perguntas e respostas #
Os dois produzem veneno. O peçonhento consegue injetá-lo, por presas, ferrão ou garras. O venenoso não consegue.
Não. O sapo é venenoso: solta o veneno pela pele quando é apertado, mas não tem como injetá-lo.
Peçonhenta. Ela injeta o veneno pelas quelíceras, peças da boca, para paralisar a presa.
Não. Jararacas, cascavéis e corais-verdadeiras são. A jiboia e a sucuri não têm veneno e matam apertando a presa.
Sim. Ele injeta o veneno pelo ferrão que fica na ponta da cauda.
Fontes #
- Monaco, L. M.; Meireles, F. C.; Abdullatif, M. T. G. V. (org.). Animais venenosos: serpentes, anfíbios, aranhas, escorpiões, insetos e lacraias. 2ª ed. São Paulo: Instituto Butantan, 2017.
- Animal Diversity Web, Universidade de Michigan. Rhinella marina.
- Jornal de Brasília. Acidentes com escorpiões cresceram 15% em 2023 no Brasil. 27 set. 2024.
