Mamíferos Terrestres

Preguiça-de-coleira: a preguiça que só existe na Mata Atlântica

Nível de leitura: Ensino Médio

Ana Luiza Cosme

Bióloga, mestre em Ciências Aplicadas à Medicina, educadora e escritora. Apaixonada pelo projeto da Ecopédia e Ecomunidade.

Atualizado em: 25/10/2026

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Uma Preguiça-de-coleira pendurada em um galho de árvore na floresta. Seus braços são longos e os dedos possuem grandes garras, seu pelo é marrom escuro e preto, ao em volta de seu pescoço tem uma mancha preta.
Preguiça-de-coleira é um animal encontrado apenas no Brasil.
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A preguiça-de-coleira (Bradypus torquatus) é uma preguiça-de-três-dedos que só existe no Brasil, na Mata Atlântica do sul de Sergipe ao centro-norte do Rio de Janeiro, segundo a ficha de avaliação do ICMBio. O nome vem da faixa de pelos longos e pretos em volta do pescoço. É a única preguiça ameaçada na lista nacional: está Vulnerável.

FichaDados
Nome comumPreguiça-de-coleira, aí-pixuna ou preguiça-preta
Nome científicoBradypus torquatus
FamíliaBradypodidae
Tamanho e pesoCorpo de 59 a 75 cm; fêmeas com média de 6,9 kg e machos com 6,15 kg
Onde viveSó no Brasil: Mata Atlântica de Sergipe, Bahia, Espírito Santo e Rio de Janeiro
Situação na IUCNVulnerável
Situação no BrasilVulnerável (Portaria MMA 1.704/2026)

Os dados do quadro vêm da ficha do ICMBio, salvo a situação no Brasil.

Como é

O pelo é grosso, castanho-claro e da mesma cor em todo o corpo. A coleira de pelos longos e pretos falta nos filhotes e é maior e mais escura nos machos adultos, segundo a ficha do ICMBio. As fêmeas são mais pesadas que os machos: num estudo com 21 fêmeas e 15 machos, elas pesaram em média 6,9 kg, e eles, 6,15 kg. A cauda é curta, de cerca de 5 cm.

Segundo o Animal Diversity Web, da Universidade de Michigan, o pelo cresce das patas de trás para a cabeça, o que ajuda a água a escorrer, já que ela vive de cabeça para baixo. As três garras longas e curvas funcionam como ganchos nos galhos.

Onde vive

Vive na Mata Atlântica costeira, do nível do mar até cerca de 1.000 metros de altitude, principalmente em florestas úmidas e densas. Segundo a ficha do ICMBio:

  • não vive só em mata virgem: também ocupa matas que se recuperaram e as cabrucas do sul da Bahia, plantações de cacau à sombra da floresta;
  • não ocorre entre o norte do rio Doce, no Espírito Santo, e o rio Mucuri;
  • as populações da Bahia, do Espírito Santo e do Rio de Janeiro são geneticamente diferentes umas das outras;
  • a área de vida raramente passa de 10 hectares e, muitas vezes, é de 1 a 2 hectares por preguiça.

Alimentação

Come só folhas, de árvores e de cipós. Mais de 30 espécies de plantas já foram identificadas na dieta, e cada preguiça come de 15 a 20 espécies por ano, segundo a ficha do ICMBio. Ela prefere as folhas novas e raramente come flores ou frutos. As folhas são digeridas por bactérias num estômago com várias câmaras (Animal Diversity Web).

Reprodução

Segundo a ficha do ICMBio:

  • a fêmea tem um filhote por ano; uma fêmea acompanhada por mais de cinco anos no Espírito Santo pariu todo ano entre fevereiro e março;
  • a gestação deve durar cerca de seis meses, como nas outras preguiças-de-três-dedos;
  • o filhote começa a comer folhas com duas semanas e mama até os 2 a 4 meses;
  • fica independente com 8 a 10 meses e deixa a área da mãe;
  • a fêmea pode se reproduzir a partir dos 3 anos.

Comportamento

É solitária e vive nas árvores. Pode ser ativa de dia ou à noite, conforme o lugar: na Reserva Santa Lúcia, no Espírito Santo, é ativa sobretudo de dia; na Reserva Biológica de Poço das Antas, no Rio de Janeiro, sobretudo à noite (ficha do ICMBio). É mais ativa que as outras preguiças do gênero, talvez por viver nas serras mais frias da Mata Atlântica. Segundo o Animal Diversity Web, anda depressa no chão e nada bem quando precisa mudar de mata. É caçada pela harpia, pelo gato-mourisco e pela jaguatirica.

Ameaças e conservação

Segundo a ficha do ICMBio, as principais ameaças são:

  • o desmatamento para a agricultura, a pecuária e a expansão das cidades;
  • o aumento das estradas;
  • os incêndios;
  • o isolamento das populações em fragmentos de mata, que faz a espécie perder variedade genética, porque ela anda devagar e quase não atravessa áreas sem floresta.

A caça é uma ameaça menor: no sul da Bahia, às vezes as preguiças são apanhadas para venda ou consumo.

Na lista nacional de espécies ameaçadas, atualizada pela Portaria MMA 1.704, de 16 de junho de 2026, a preguiça-de-coleira está Vulnerável. Na IUCN, também. Ela tem um plano de ação do ICMBio, o PAN Primatas da Mata Atlântica e Preguiça-de-coleira, criado pela Portaria ICMBio nº 702/2018, que reúne 13 primatas ameaçados e a preguiça-de-coleira. Veja as outras preguiças em Bicho-preguiça e o bioma em Mata Atlântica.

Resumo: principais perguntas e respostas

Onde vive a preguiça-de-coleira?

Só no Brasil, na Mata Atlântica do sul de Sergipe ao centro-norte do Rio de Janeiro, passando pela Bahia e pelo Espírito Santo.

Por que ela se chama preguiça-de-coleira?

Por causa da faixa de pelos longos e pretos em volta do pescoço. Ela é maior e mais escura nos machos adultos.

O que a preguiça-de-coleira come?

Só folhas de árvores e de cipós, de preferência as novas. Já foram identificadas mais de 30 espécies de plantas na dieta.

Quantos filhotes a preguiça-de-coleira tem?

Um por ano. O filhote fica independente com 8 a 10 meses e então deixa a área da mãe.

A preguiça-de-coleira está ameaçada de extinção?

Sim. Está Vulnerável no Brasil e na IUCN, pela perda e pela divisão da Mata Atlântica em pedaços isolados.

Fontes

Impresso de https://123ecos.com.br/docs/preguica-de-coleira/ · Atualizado em 25/10/2026 · 123 Ecos

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