As abelhas sem ferrão são importantes para o Brasil porque são nativas, muito diversas e estão entre as principais polinizadoras das matas e de várias lavouras do país. O Brasil tem cerca de 250 espécies catalogadas, de um total estimado de 550 a 800 no mundo, todas em regiões tropicais e subtropicais. Elas também são criadas para produzir mel, numa atividade chamada meliponicultura.
O que são #
São abelhas sociais da tribo Meliponini, que vivem em colônias com rainha e operárias. Elas têm ferrão atrofiado e não conseguem ferroar; para se defender, algumas mordem ou grudam nos cabelos. Fazem ninho em troncos ocos, paredes, cupinzeiros ou no chão.
Algumas espécies conhecidas:
- Jataí (Tetragonisca angustula): pequena, comum até em cidades.
- Mandaçaia (Melipona quadrifasciata): típica do Sul e do Sudeste.
- Uruçu (Melipona scutellaris): tradicional no Nordeste.
- Tiúba (Melipona fasciculata): criada no Maranhão.
O papel na polinização #
Por serem nativas, as abelhas sem ferrão evoluíram junto com muitas plantas brasileiras e visitam grande variedade de flores nas matas, no Cerrado e na Caatinga. Elas ajudam a manter a reprodução de árvores nativas e, com isso, a regeneração da vegetação.
Nas lavouras, pesquisas no Brasil testam essas abelhas para polinizar culturas em estufa, como morango e tomate, porque elas são mansas e trabalham bem em espaços fechados. Veja quais grupos de polinizadores existem em Animais polinizadores.
Mel e renda #
O mel das abelhas sem ferrão é mais líquido e ácido que o da abelha-europeia e é produzido em menor quantidade, o que o torna mais valorizado. A criação é uma fonte de renda para agricultores familiares, comunidades tradicionais e povos indígenas.
As regras para criar #
A meliponicultura é regulada pela Resolução Conama 496, de 2020:
- Quem cria sem fins comerciais até 49 colônias não precisa de autorização ambiental.
- A criação deve usar espécies da região de ocorrência natural de cada uma; levar para outra região depende de autorização do órgão ambiental.
As ameaças #
As mesmas que afetam os demais polinizadores: desmatamento, queimadas, agrotóxicos e retirada de ninhos da mata. Veja Perda de polinizadores e Como fazer a conservação dos polinizadores?.
