Efeito de borda é o conjunto de mudanças que acontecem na beira de uma floresta quando a mata em volta é derrubada. Na borda entra mais sol e mais vento, o ar fica mais quente e mais seco, e muitas árvores morrem. Por isso, um pedaço de floresta isolado no meio de pastos ou lavouras se comporta como uma floresta menor do que parece: a faixa da beira já não funciona como floresta de verdade.
O que muda na borda #
- Microclima: mais luz, mais calor e menos umidade.
- Vento: rajadas entram com força e derrubam árvores.
- Árvores grandes: morrem mais e são substituídas por plantas pioneiras, de crescimento rápido.
- Fogo: a vegetação mais seca pega fogo com mais facilidade, e o fogo entra a partir dos pastos vizinhos.
- Espécies: animais e plantas típicos do interior da mata, que precisam de sombra e umidade, desaparecem da faixa da borda.
Até onde vai a borda #
O maior estudo sobre o tema é o Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais, que acompanha desde 1979 fragmentos de floresta a 80 km de Manaus. Segundo a revisão de 32 anos do projeto, publicada em 2011:
- os efeitos de borda alcançaram de 10 a 300 metros para dentro da mata;
- o ressecamento vindo das áreas abertas chega a cerca de 100 a 200 metros;
- onde os incêndios a partir da borda são comuns, os efeitos podem chegar a 2 ou 3 quilômetros.
Os fragmentos com bordas em mais de um lado sofreram ainda mais mortes de árvores.
Por que fragmentos pequenos sofrem mais #
Quanto menor e mais recortado o fragmento, maior a parte dele que é borda. Um fragmento muito pequeno pode ser quase todo borda. Na Mata Atlântica, um estudo de 2009 mostrou que mais de 80% dos fragmentos têm menos de 50 hectares, e a distância média entre eles é de cerca de 1,4 km, o que dificulta a passagem de muitas espécies.
Como reduzir o efeito de borda #
- Proteger fragmentos grandes e com formato mais arredondado.
- Restaurar a vegetação em volta, criando faixas de transição.
- Ligar os fragmentos com corredores ecológicos.
- Prevenir o fogo nas áreas vizinhas.
Ver também: Degradação de habitats e Perda de biodiversidade.
Fontes #
- Laurance, W. F. e outros. The fate of Amazonian forest fragments: a 32-year investigation. Biological Conservation, 2011.
- Ribeiro, M. C. e outros. The Brazilian Atlantic Forest: how much is left, and how is the remaining forest distributed? Biological Conservation, 2009. Resumo em reportagem.
