Ana Luiza Cosme
Bióloga, mestre em Ciências Aplicadas à Medicina, educadora e escritora. Apaixonada pelo projetos pelos projetos da plataforma 123 Ecos.
Atualizado em: 25/10/2026
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O tatu-canastra (Priodontes maximus) é o maior tatu do mundo. Segundo o Animal Diversity Web, da Universidade de Michigan, ele pesa em média cerca de 27 kg e tem uma garra enorme no meio da pata da frente, parecida com a do tamanduá-bandeira. Está Vulnerável no Brasil e na IUCN, e a fêmea tem só um filhote a cada três anos.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Tatu-canastra |
| Nome científico | Priodontes maximus |
| Família | Chlamyphoridae |
| Tamanho e peso | 18,7 a 32,3 kg (média de 26,8 kg); até 1,5 m com a cauda e até 50 kg, segundo o Projeto Tatu-canastra |
| Onde vive | Da Venezuela e das Guianas ao norte da Argentina; a maior parte na Bacia Amazônica |
| Situação na IUCN | Vulnerável |
| Situação no Brasil | Vulnerável (Portaria MMA 1.704/2026) |
O peso médio vem do Animal Diversity Web. O tamanho máximo, de 1,5 metro com a cauda e 50 kg, vem do estudo de Arnaud Desbiez e Danilo Kluyber divulgado pelo IPÊ (2013).
Como é
A carapaça é coberta de placas de osso, escura em cima e mais clara nas laterais, segundo o Animal Diversity Web. Por baixo, a pele é enrugada e rosada. As pernas e a cauda têm escamas duras. A garra do terceiro dedo da pata da frente, em forma de pá, é a ferramenta que ele usa para cavar. Ao contrário de outros tatus, ele não consegue esconder o corpo inteiro dentro da carapaça.
Onde vive
Ocorre da Venezuela e das Guianas até o norte da Argentina, com a maior parte da área na Bacia Amazônica, segundo o Animal Diversity Web. Vive em florestas, savanas e áreas alagáveis, sempre onde há muitos cupins. No Brasil, é estudado sobretudo no Pantanal e no Cerrado, pelo Projeto Tatu-canastra, do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS).
Alimentação
Come quase só cupins e algumas formigas, segundo o Animal Diversity Web. Quando acha um cupinzeiro, destrói o cupinzeiro inteiro. Consegue se equilibrar nas patas de trás e na cauda para alcançar o alto do cupinzeiro. Às vezes come carniça, minhocas e pequenos animais.
Reprodução
A reprodução é muito lenta. Segundo o Projeto Tatu-canastra, em notícia do Correio do Estado (2024):
- a espécie começa a se reproduzir entre 7 e 9 anos de idade;
- a fêmea tem um filhote a cada três anos;
- em 13 anos de monitoramento no Pantanal, a equipe registrou só quatro nascimentos.
A gestação dura cerca de 4 meses, segundo o Animal Diversity Web. Em 2024, a fêmea Stacy mudou o filhote para uma toca a 1.500 metros de distância depois que um macho se aproximou. O filhote foi depois morto por um predador.
As tocas e os outros animais
O tatu-canastra cava tocas grandes, onde descansa durante o dia. Segundo o IPÊ, câmeras instaladas de 2010 a 2012 numa área de 250 km² do Pantanal (Nhecolândia, MS) mostraram que essas tocas servem a pelo menos 24 outras espécies de vertebrados. Entre elas estão queixadas, antas, onças-pardas, jaguatiricas, quatis, iraras, teiús e tamanduás-bandeira. Por isso, os pesquisadores o chamam de “engenheiro do ecossistema”. O estudo saiu na revista Biotropica.
Ameaças
Segundo o Animal Diversity Web, as ameaças são a perda de ambiente e a caça; muitos agricultores o matam porque acham que ele estraga plantações. A reprodução lenta faz a população demorar muito a se recuperar. A revisão de Superina e Abba (2020) inclui as colisões com veículos entre as causas importantes de morte dos xenartros.
Conservação no Brasil
Na lista nacional de espécies ameaçadas, atualizada pela Portaria MMA 1.704, de 16 de junho de 2026, o tatu-canastra está Vulnerável. Na IUCN, também. Desde 2022, ele tem um plano de ação do ICMBio junto com o tamanduá-bandeira e o tatu-bola, o PAN Tamanduá e Tatus. Veja os outros tatus em Tatu.
Resumo: principais perguntas e respostas
É o maior tatu do mundo. Pesa em média cerca de 27 kg e pode chegar a 1,5 metro com a cauda e a 50 kg.
A fêmea tem um filhote a cada três anos e só começa a se reproduzir entre 7 e 9 anos, segundo o Projeto Tatu-canastra.
Porque suas tocas servem de abrigo a pelo menos 24 outras espécies de vertebrados, segundo um estudo no Pantanal.
Quase só cupins e algumas formigas. Ele destrói o cupinzeiro inteiro quando come.
Sim. Está Vulnerável no Brasil, pela lista de 2026, e na IUCN. As ameaças são a perda de ambiente, a caça e a reprodução lenta.
Fontes
- Animal Diversity Web, Universidade de Michigan. Priodontes maximus.
- IPÊ. Estudo no Pantanal (MS) revela papel do tatu-canastra como “engenheiro do ecossistema”. 24 out. 2013.
- Correio do Estado. Nascimento de tatu-canastra é registrado após 13 anos de pesquisa. 5 nov. 2024.
- Superina, M. e Abba, A. M. Conservation perspectives for a highly disparate lineage of mammals: the Xenarthra. Mastozoología Neotropical, v. 27, 2020.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Lista Nacional Oficial das Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção.
- ICMBio. PAN Tamanduá-bandeira, Tatu-canastra e Tatu-bola: proposta de áreas-chave. 2025.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/tatu-canastra/ · Atualizado em 25/10/2026 · 123 Ecos

