123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
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O gato-palheiro (Leopardus braccatus) é um pequeno felino selvagem que vive em áreas abertas do Cerrado e do Pantanal. Até uma revisão recente, ele era tratado junto com outros gatos-palheiros da América do Sul, numa espécie só, o Leopardus colocolo. Na lista nacional de 2026, está Em Perigo de extinção.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Gato-palheiro (PAN Pequenos Felinos; ICMBio, 2018) |
| Nome científico | Leopardus braccatus (Cope, 1889) |
| Família | Felidae |
| Peso | De 2,4 a 4 kg, em média (PAN Pequenos Felinos) |
| Onde vive | Áreas abertas do Cerrado e do Pantanal; também já registrado em áreas de transição da Mata Atlântica para o Cerrado em Minas Gerais e Mato Grosso do Sul (PAN Pequenos Felinos) |
| Situação na IUCN | Quase Ameaçado, na avaliação global do antigo L. colocolo, que incluía esta espécie, segundo o ICMBio (2018) |
| Situação no Brasil | Em Perigo (Portaria MMA 1.704/2026) |
Um gato-palheiro ou vários?
Por muito tempo, os gatos-palheiros da América do Sul foram tratados como uma espécie só, o Leopardus colocolo. Segundo a ficha dessa espécie no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (ICMBio, 2018):
- em 1994, uma revisão da aparência dos gatos-palheiros, feita por M. García-Perea, propôs dividi-los em três espécies. No Brasil, haveria duas formas: uma no centro do país, chamada braccatus, e outra no Rio Grande do Sul, chamada munoai;
- até 2018, análises genéticas não confirmavam essa divisão, e a avaliação brasileira usou o nome L. colocolo, para manter a coerência com a avaliação global.
O sumário do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Pequenos Felinos conta o passo seguinte: uma revisão do gato-palheiro, publicada no começo do 2º ciclo do plano, “reconheceu cinco espécies distintas”. Duas vivem no Brasil: o gato-palheiro (L. braccatus), do Cerrado e do Pantanal, e o gato-palheiro-pampeano (L. munoai), do Pampa. As duas “tiveram seu estado de conservação avaliado e validado em 2023”, segundo o plano.
Na Portaria MMA nº 1.704/2026, o nome do gato-palheiro vem com um asterisco, que a própria Portaria explica assim: “(*) Espécies que não constavam na Lista anterior – Portaria MMA nº 148, de 7 de junho de 2022”.
Onde vive
Segundo o sumário do plano de ação, o gato-palheiro costuma usar áreas abertas do Cerrado e do Pantanal, e já foi registrado em áreas abertas de transição da Mata Atlântica para o Cerrado em Minas Gerais e em Mato Grosso do Sul.
A ficha de 2018, que ainda tratava os gatos-palheiros do Brasil como uma espécie só, registra o animal, fora do Rio Grande do Sul, no centro-oeste e no sudeste: Mato Grosso do Sul, sul e sudeste de Mato Grosso, Goiás, Tocantins, sul do Maranhão e do Piauí, oeste da Bahia, oeste e noroeste de Minas Gerais e oeste de São Paulo. Entre as unidades de conservação dessa área citadas pela ficha estão o Parque Estadual do Mirador, no Maranhão, o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu e o Parque Nacional da Serra da Canastra, em Minas Gerais, e o Parque Nacional das Emas, em Goiás.
Como vive e o que come
O sumário do plano de ação diz que o gato-palheiro tem hábitos “tipicamente diurno-crepusculares” (ativo de dia e ao entardecer e amanhecer) e se alimenta de pequenos mamíferos e de aves que vivem no chão.
A ficha de 2018, sobre o conjunto dos gatos-palheiros, acrescenta:
- um estudo no Cerrado registrou hábitos crepusculares e noturnos; a ficha diz que os hábitos parecem variar conforme o ambiente e os outros carnívoros do lugar;
- a dieta tem principalmente pequenos mamíferos, além de aves, lagartos, cobras e insetos;
- no Parque Nacional das Emas, a área de vida de uma fêmea e três machos acompanhados por pesquisadores foi de 15 km²;
- pode ser encontrado em áreas alteradas, como lavouras e bordas entre o Cerrado e pastos.
Quantos são
Segundo a ficha de 2018, o gato-palheiro, então tratado como L. colocolo, é incomum ou raro na maior parte da sua área. Como os outros pequenos felinos do Brasil, tem densidades baixas, em geral de 0,01 a 0,05 animal por km². Nos raros lugares onde é relativamente comum, como o Parque Estadual do Mirador, chega a 0,1 a 0,2 por km². No parque nacional das Emas e no parque nacional Cavernas do Peruaçu, é visto com mais frequência.
A população efetiva, a dos animais que de fato se reproduzem, foi calculada em 1.262 a 6.394 indivíduos pela conta de um décimo da população. Esse número vale para todos os gatos-palheiros do Brasil juntos, contando os do Pampa, que hoje são outra espécie. A ficha não separa o número do Cerrado e do Pantanal.
Ameaças
Segundo a ficha de 2018 (para o conjunto dos gatos-palheiros):
- a principal ameaça é a perda de habitat, sobretudo pela expansão da agricultura no Cerrado;
- os atropelamentos são uma ameaça importante: como o animal é raro, cada morte pode pesar muito em algumas populações;
- o envenenamento, usado em retaliação no Cerrado e no Pampa, atinge toda a fauna, sem escolher a espécie;
- a possível sensibilidade a doenças que se espalham entre animais também foi apontada.
A ficha estima que, nos 18 anos seguintes, cerca de 12% da vegetação que resta na área da espécie seria desmatada, com uma queda equivalente da população.
Você sabia?
O nome científico Leopardus braccatus não é novo. Ele já aparecia na lista de espécies ameaçadas de Minas Gerais, onde o gato-palheiro foi avaliado Em Perigo com esse nome, segundo a ficha do ICMBio (2018), antes de a lista nacional separar as espécies.
Conservação no Brasil
Na lista nacional, atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, o gato-palheiro está Em Perigo. Na avaliação publicada em 2018, o conjunto dos gatos-palheiros do Brasil estava Vulnerável, e a avaliação feita só para o Cerrado e o Pantanal também deu Vulnerável, segundo a ficha.
O gato-palheiro é uma das espécies do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Pequenos Felinos, no 2º ciclo, de 2022 a 2027 (Portaria ICMBio nº 493/2022). Em 2018, o gato-palheiro, então tratado como uma espécie só, estava no Apêndice II da CITES, a convenção que controla o comércio internacional de animais e plantas. Ele está entre os pequenos felinos apresentados em Felinos do Brasil.
Fontes
- ICMBio. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, volume II, Mamíferos. Brasília, 2018. Ficha de Leopardus colocolo, p. 333–336.
- ICMBio. Sumário Executivo do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Pequenos Felinos, 2º ciclo. Portaria ICMBio nº 493, de 21 de junho de 2022.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexo I, nº 585.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/gato-palheiro-leopardus-braccatus-como-e-onde-vive-e-por-que-esta-ameacado/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

