Mamíferos Terrestres

Lobo-guará: como é, o que come e por que está ameaçado

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 01/11/2026

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O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) é o maior canídeo da América do Sul, segundo o ICMBio. De pernas longas e pelagem laranja-avermelhada, vive sobretudo no Cerrado e come tanto frutos quanto pequenos animais. Está Vulnerável na lista nacional de espécies ameaçadas de 2026.

FichaDados
Nome comumLobo-guará (também lobo-de-crina, lobo-de-juba, lobo-vermelho)
Nome científicoChrysocyon brachyurus (Illiger, 1815)
FamíliaCanidae
Tamanho e peso95 a 115 cm de corpo, mais 38 a 50 cm de cauda; 20 a 33 kg
Onde viveSobretudo o Cerrado; também o leste do Pantanal e os campos do Sul
Situação na IUCNNão informada nesta versão
Situação no BrasilVulnerável (Portaria MMA 1.704/2026)

As medidas e o peso vêm da avaliação do estado de conservação do lobo-guará, feita pelo ICMBio e publicada em 2013. Os nomes populares vêm do material do PAN Canídeos (ICMBio, 2020).

Como é

Segundo o sumário do Plano de Ação Nacional para a Conservação do Lobo-guará, do ICMBio, o lobo-guará tem:

  • patas longas e finas e orelhas grandes;
  • pelos longos, laranja-avermelhados;
  • uma crina negra no dorso, da mesma cor do focinho, das patas dianteiras e de mais da metade das patas traseiras;
  • o lado de dentro do pescoço e das orelhas e um pouco da cauda, em geral a ponta, brancos.

O nome “guará” vem do tupi e significa vermelho, por causa da cor da pelagem, segundo o mesmo sumário.

Onde vive

Segundo a avaliação do ICMBio (2013), o lobo-guará vive sobretudo no Cerrado, até a transição com a Caatinga, e também no leste do Pantanal e nos campos do Sul. Ocorre na Argentina, na Bolívia, no Brasil, no Paraguai, no Peru e no Uruguai, mas o Brasil abriga quase 90% da população conhecida da espécie, segundo o sumário do PAN.

A área da espécie mudou:

  • no Sul, encolheu muito: no Rio Grande do Sul, a espécie está confirmada só no sul do estado, na divisa com o Uruguai, e nos campos de cima da Serra, segundo o sumário do PAN. Nos Pampas, restariam menos de 50 indivíduos maduros, segundo a avaliação;
  • no Leste, cresceu: o lobo-guará passou a ocupar áreas que eram de Mata Atlântica e viraram campos e capoeiras depois do desmatamento.

Ele vive em várias unidades de conservação, como o Parque Nacional das Emas e o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, segundo o sumário do PAN. O bioma onde vive a maior parte da espécie está em Bioma Cerrado.

O que come

O lobo-guará é onívoro: come frutos e animais. Um estudo coordenado por José Carlos Motta Junior, da USP, em oito localidades de São Paulo e de Minas Gerais, ao longo de 27 meses, mostrou que a dieta é dividida meio a meio entre animais e frutos, segundo a Pesquisa FAPESP (2000):

  • a lobeira (Solanum lycocarpum), uma fruta do Cerrado, foi o fruto preferido, com cerca de um terço de tudo o que os lobos comeram;
  • pequenos roedores estavam entre os animais mais comidos;
  • as galinhas foram só de 0,1% a 1,9% da dieta.

Como engole os frutos inteiros e solta as sementes intactas nas fezes, o lobo-guará é “um importante dispersor de sementes, principalmente de lobeira”, segundo a avaliação do ICMBio (2013).

Vida e reprodução

Segundo o sumário do PAN, o lobo-guará é ativo sobretudo ao entardecer e à noite e vive sozinho. Machos e fêmeas se juntam em casais na época de reprodução, e o macho ajuda a cuidar dos filhotes. A área de um casal varia de 6 a 115 km², conforme a qualidade do hábitat e a comida disponível.

Segundo o material do PAN Canídeos (ICMBio, 2020), a gestação dura de 60 a 65 dias, nascem de 1 a 5 filhotes, e o lobo-guará vive de 10 a 12 anos na natureza e até 22 anos em cativeiro.

Ameaças

Segundo a avaliação do ICMBio (2013), as três principais ameaças são:

  • a perda e a alteração do hábitat, com a troca do Cerrado por lavouras e pastos;
  • as mortes em conflitos com proprietários rurais, inclusive por vingança, quando o lobo come aves domésticas;
  • os atropelamentos. Em algumas populações, estima-se que eles matem de um terço à metade dos filhotes nascidos no ano. A maioria das vítimas é jovem, provavelmente animais que saíram em busca de um território.

Os cães domésticos podem passar ao lobo-guará doenças como a raiva, a cinomose, a parvovirose e a leishmaniose, mas o efeito delas nas populações ainda é pouco conhecido, segundo a mesma avaliação.

O sumário do PAN aponta também as crendices, como a de que arrancar o olho de um lobo-guará vivo traz sorte, que levam à crueldade com os animais “sem qualquer benefício real”.

Você sabia?

O lobo-guará está no verso da nota de R$ 200, segundo a página do Banco Central sobre a cédula. Ele aparece também na marca-d’água da nota.

Conservação no Brasil

Na lista nacional, atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, o lobo-guará está Vulnerável, como já estava na lista anterior. Na avaliação de 2013, o ICMBio estimou que a perda de hábitat no Cerrado poderia reduzir a população em pelo menos 29% em 21 anos. A população brasileira foi estimada em 21.746 indivíduos num workshop de 2005, segundo a mesma avaliação.

O primeiro plano de ação só para a espécie, o PAN Lobo-guará, foi aprovado pela Portaria ICMBio nº 31, de 27 de março de 2014, e valeu até junho de 2017. Hoje, o lobo-guará está no Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Canídeos Silvestres, cujo 2º ciclo vai de 2025 a 2030, segundo a página do PAN Canídeos.

Fontes

Impresso de https://123ecos.com.br/docs/lobo-guara-como-e-o-que-come-e-por-que-esta-ameacado/ · Atualizado em 01/11/2026 · 123 Ecos

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