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Atualizado em: 01/11/2026
O lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) é o maior canídeo da América do Sul, segundo o ICMBio. De pernas longas e pelagem laranja-avermelhada, vive sobretudo no Cerrado e come tanto frutos quanto pequenos animais. Está Vulnerável na lista nacional de espécies ameaçadas de 2026.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Lobo-guará (também lobo-de-crina, lobo-de-juba, lobo-vermelho) |
| Nome científico | Chrysocyon brachyurus (Illiger, 1815) |
| Família | Canidae |
| Tamanho e peso | 95 a 115 cm de corpo, mais 38 a 50 cm de cauda; 20 a 33 kg |
| Onde vive | Sobretudo o Cerrado; também o leste do Pantanal e os campos do Sul |
| Situação na IUCN | Não informada nesta versão |
| Situação no Brasil | Vulnerável (Portaria MMA 1.704/2026) |
As medidas e o peso vêm da avaliação do estado de conservação do lobo-guará, feita pelo ICMBio e publicada em 2013. Os nomes populares vêm do material do PAN Canídeos (ICMBio, 2020).
Como é
Segundo o sumário do Plano de Ação Nacional para a Conservação do Lobo-guará, do ICMBio, o lobo-guará tem:
- patas longas e finas e orelhas grandes;
- pelos longos, laranja-avermelhados;
- uma crina negra no dorso, da mesma cor do focinho, das patas dianteiras e de mais da metade das patas traseiras;
- o lado de dentro do pescoço e das orelhas e um pouco da cauda, em geral a ponta, brancos.
O nome “guará” vem do tupi e significa vermelho, por causa da cor da pelagem, segundo o mesmo sumário.
Onde vive
Segundo a avaliação do ICMBio (2013), o lobo-guará vive sobretudo no Cerrado, até a transição com a Caatinga, e também no leste do Pantanal e nos campos do Sul. Ocorre na Argentina, na Bolívia, no Brasil, no Paraguai, no Peru e no Uruguai, mas o Brasil abriga quase 90% da população conhecida da espécie, segundo o sumário do PAN.
A área da espécie mudou:
- no Sul, encolheu muito: no Rio Grande do Sul, a espécie está confirmada só no sul do estado, na divisa com o Uruguai, e nos campos de cima da Serra, segundo o sumário do PAN. Nos Pampas, restariam menos de 50 indivíduos maduros, segundo a avaliação;
- no Leste, cresceu: o lobo-guará passou a ocupar áreas que eram de Mata Atlântica e viraram campos e capoeiras depois do desmatamento.
Ele vive em várias unidades de conservação, como o Parque Nacional das Emas e o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, segundo o sumário do PAN. O bioma onde vive a maior parte da espécie está em Bioma Cerrado.
O que come
O lobo-guará é onívoro: come frutos e animais. Um estudo coordenado por José Carlos Motta Junior, da USP, em oito localidades de São Paulo e de Minas Gerais, ao longo de 27 meses, mostrou que a dieta é dividida meio a meio entre animais e frutos, segundo a Pesquisa FAPESP (2000):
- a lobeira (Solanum lycocarpum), uma fruta do Cerrado, foi o fruto preferido, com cerca de um terço de tudo o que os lobos comeram;
- pequenos roedores estavam entre os animais mais comidos;
- as galinhas foram só de 0,1% a 1,9% da dieta.
Como engole os frutos inteiros e solta as sementes intactas nas fezes, o lobo-guará é “um importante dispersor de sementes, principalmente de lobeira”, segundo a avaliação do ICMBio (2013).
Vida e reprodução
Segundo o sumário do PAN, o lobo-guará é ativo sobretudo ao entardecer e à noite e vive sozinho. Machos e fêmeas se juntam em casais na época de reprodução, e o macho ajuda a cuidar dos filhotes. A área de um casal varia de 6 a 115 km², conforme a qualidade do hábitat e a comida disponível.
Segundo o material do PAN Canídeos (ICMBio, 2020), a gestação dura de 60 a 65 dias, nascem de 1 a 5 filhotes, e o lobo-guará vive de 10 a 12 anos na natureza e até 22 anos em cativeiro.
Ameaças
Segundo a avaliação do ICMBio (2013), as três principais ameaças são:
- a perda e a alteração do hábitat, com a troca do Cerrado por lavouras e pastos;
- as mortes em conflitos com proprietários rurais, inclusive por vingança, quando o lobo come aves domésticas;
- os atropelamentos. Em algumas populações, estima-se que eles matem de um terço à metade dos filhotes nascidos no ano. A maioria das vítimas é jovem, provavelmente animais que saíram em busca de um território.
Os cães domésticos podem passar ao lobo-guará doenças como a raiva, a cinomose, a parvovirose e a leishmaniose, mas o efeito delas nas populações ainda é pouco conhecido, segundo a mesma avaliação.
O sumário do PAN aponta também as crendices, como a de que arrancar o olho de um lobo-guará vivo traz sorte, que levam à crueldade com os animais “sem qualquer benefício real”.
Você sabia?
O lobo-guará está no verso da nota de R$ 200, segundo a página do Banco Central sobre a cédula. Ele aparece também na marca-d’água da nota.
Conservação no Brasil
Na lista nacional, atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, o lobo-guará está Vulnerável, como já estava na lista anterior. Na avaliação de 2013, o ICMBio estimou que a perda de hábitat no Cerrado poderia reduzir a população em pelo menos 29% em 21 anos. A população brasileira foi estimada em 21.746 indivíduos num workshop de 2005, segundo a mesma avaliação.
O primeiro plano de ação só para a espécie, o PAN Lobo-guará, foi aprovado pela Portaria ICMBio nº 31, de 27 de março de 2014, e valeu até junho de 2017. Hoje, o lobo-guará está no Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Canídeos Silvestres, cujo 2º ciclo vai de 2025 a 2030, segundo a página do PAN Canídeos.
Fontes
- Paula, R. C.; Rodrigues, F. H. G.; Queirolo, D.; Jorge, R. P. S.; Lemos, F. G.; Rodrigues, L. A. Avaliação do estado de conservação do lobo-guará Chrysocyon brachyurus (Illiger, 1815) no Brasil. Biodiversidade Brasileira, 3(1): 146–159, 2013.
- ICMBio. Sumário executivo do Plano de Ação Nacional para a Conservação do Lobo-guará.
- ICMBio. Portaria nº 31, de 27 de março de 2014. PAN Lobo-guará.
- ICMBio/Cenap. Produtores rurais e canídeos silvestres. PAN Canídeos, 2020.
- ICMBio. Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Canídeos Silvestres. Consultado em 2 nov. 2026.
- Pesquisa FAPESP. A dieta equilibrada do lobo-guará. Ed. 52, abr. 2000.
- Banco Central do Brasil. Nota de 200 reais. Segunda Família do Real.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexo I, nº 582.
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