Os cientistas ainda não sabem por completo por que os animais dormem. As principais explicações dizem que o sono ajuda a guardar memórias, a aprender e a recuperar as células, e essas ideias continuam em debate. O que se sabe é que o sono é muito antigo: até uma água-viva sem cérebro dorme. E em camundongos, o sono ajuda a “lavar” o cérebro.
Como saber se um animal está dormindo #
Um animal parado não está, necessariamente, dormindo. No estudo da água-viva, divulgado pelo Howard Hughes Medical Institute (HHMI) em 2017, os pesquisadores observaram três sinais de sono:
- Menos atividade: o animal se mexe menos em certos períodos, como à noite.
- Resposta mais lenta: demora mais para reagir quando é tocado ou movido.
- Recuperação do sono perdido: se é mantido acordado, dorme ou descansa mais no dia seguinte.
A água-viva que dorme sem cérebro #
A água-viva Cassiopea não tem cérebro. Mesmo assim, pesquisadores do Caltech, nos Estados Unidos, viram que ela pulsa menos à noite e, quando é tirada do lugar à noite, leva cerca de três vezes mais tempo para voltar a pulsar do que de dia. Mantida acordada por 6 ou 12 horas, ficou menos ativa no dia seguinte. O estudo saiu na revista Current Biology em 21 de setembro de 2017 (HHMI).
“É o primeiro exemplo de sono em animais sem cérebro”, disse o pesquisador Paul Sternberg ao HHMI. Para os autores, o sono surgiu antes de existir um sistema nervoso central.
O sono “lava” o cérebro #
Em 2013, a equipe da pesquisadora Maiken Nedergaard, da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, publicou na revista Science um estudo com camundongos. Segundo o EurekAlert, da Associação Americana para o Avanço da Ciência:
- durante o sono, o espaço entre as células do cérebro aumentou 60%;
- com mais espaço, um líquido passou a correr mais rápido pelo cérebro;
- esse líquido levou embora mais depressa a beta-amiloide, uma proteína ligada ao Alzheimer.
O estudo foi feito em camundongos. O comunicado apresenta o resultado como uma indicação do papel do sono na limpeza do cérebro.
Um exemplo do Brasil: o sono da preguiça #
A preguiça-de-garganta-marrom (Bradypus variegatus), que vive nas florestas do Brasil e de outros países da América do Sul e Central, tem dois modos de descanso. No primeiro, fica acordada e atenta, com os olhos abertos. No segundo, de sono, fecha os olhos, mas continua pendurada na árvore, segundo o Animal Diversity Web, da Universidade de Michigan.
Como o corpo dos animais funciona em repouso e em atividade é o tema de Fisiologia animal.
Resumo: principais perguntas e respostas #
A ciência ainda não sabe por completo. As principais explicações falam em guardar memórias, aprender e recuperar as células, e seguem em debate.
Sim, pelo menos um. A água-viva Cassiopea, que não tem cérebro, mostrou sinais de sono em um estudo de 2017.
Observaram três sinais: menos atividade, resposta mais lenta e recuperação do sono perdido.
Em camundongos, o espaço entre as células do cérebro aumenta 60% e um líquido retira mais depressa proteínas ligadas ao Alzheimer.
Pendurada na árvore, de olhos fechados. Ela também tem um modo de descanso acordado, de olhos abertos.
Fontes #
- Howard Hughes Medical Institute. Notícia sobre o sono da água-viva Cassiopea. Set. 2017. Sobre o estudo “The Jellyfish Cassiopea Exhibits a Sleep-like State”, Current Biology, 21 set. 2017.
- EurekAlert, AAAS. Comunicado sobre a limpeza do cérebro durante o sono. 17 out. 2013. Sobre estudo de Nedergaard e colegas na Science.
- Animal Diversity Web, Universidade de Michigan. Bradypus variegatus.
