Muitos animais enxergam no escuro porque aproveitam melhor a pouca luz que existe à noite. Gatos, cães e outros animais têm, no fundo do olho, uma camada que funciona como um espelho: a luz que passou pela retina bate nela e volta, e o olho tem uma segunda chance de captá-la. É essa camada que faz os olhos deles brilharem quando um farol ou uma lanterna os ilumina.
O espelho no fundo do olho #
A camada se chama tapetum lucidum, nome em latim que pode ser traduzido como “tapete de luz”. Segundo o blog Cool Green Science, da organização The Nature Conservancy (2026):
- ela reflete a luz que passou pelas células da retina de volta para essas células;
- com isso, praticamente dobra a sensibilidade do olho à luz;
- em troca, a imagem fica menos nítida, porque a luz refletida se espalha, e as cores ficam piores;
- têm essa camada muitos mamíferos que vivem à noite ou ao entardecer, como cães e gatos, além de jacarés, aranhas, sapos e alguns peixes;
- os seres humanos e os animais que vivem de dia não têm.
O Animal Diversity Web, da Universidade de Michigan, confirma no gato: a camada reflete a luz por trás da retina e a intensifica, e os animais que a têm enxergam muito bem com pouca luz.
Cada animal brilha de uma cor #
O brilho dos olhos muda de cor conforme o animal. Segundo a The Nature Conservancy, os olhos do gato brilham num amarelo acobreado, os do jacaré num laranja forte, e os de sapos e aranhas, em verde.
Um exemplo do Brasil: o macaco-da-noite #
O macaco-da-noite (gênero Aotus) vive nas florestas da Amazônia, inclusive no Brasil. Segundo o Animal Diversity Web, o Aotus trivirgatus é o único primata noturno das Américas tropicais. Para viver à noite, ele tem:
- olhos grandes, de cor marrom ou alaranjada, desproporcionais ao tamanho do corpo, como mostra também a página do Aotus nigriceps;
- o maior bulbo olfatório entre os macacos das Américas, sinal de que o olfato ajuda muito no escuro.
Ele não enxerga cores. A retina tem só um tipo de cone, a célula que percebe a cor, por causa de um defeito no gene de um dos pigmentos, segundo um estudo sobre os genes da visão do macaco-da-noite. Para enxergar no escuro, o que conta são os olhos grandes e os bastonetes, as células da retina que funcionam com pouca luz.
Quando a escuridão é total #
No escuro completo, nem o melhor olho funciona. A coruja-das-torres (Tyto alba), que vive em quase todo o mundo, inclusive no Brasil, caça pelo som. Segundo o Animal Diversity Web, a capacidade dela de localizar a presa pelo som é a mais precisa de todos os animais já testados. As orelhas ficam em posições diferentes de cada lado da cabeça, o que ajuda a saber de onde vem o barulho, mesmo com a presa escondida na vegetação ou na neve.
Os sentidos e o sistema nervoso dos animais são tema de Fisiologia animal. Já os morcegos usam o eco, como mostra Como os morcegos se orientam no escuro?
Resumo: principais perguntas e respostas #
Muitos têm no fundo do olho uma camada que reflete a luz de volta para a retina. Isso quase dobra a sensibilidade do olho.
Por causa dessa camada, o tapetum lucidum. A luz da lanterna bate nela e volta, e os olhos parecem brilhar.
Não. Os seres humanos e os animais que vivem de dia não têm o tapetum lucidum.
Sim. O macaco-da-noite, da Amazônia, é o único primata noturno das Américas tropicais. Tem olhos grandes e um olfato muito apurado, mas não enxerga cores.
Pela audição. As orelhas ficam em posições diferentes de cada lado da cabeça, o que ajuda a localizar a presa só pelo som.
Fontes #
- The Nature Conservancy, Cool Green Science. Ashley Stimpson. Why do some animals’ eyes glow in the dark? The science of eyeshine. 14 abr. 2026.
- Animal Diversity Web, Universidade de Michigan. Felis catus.
- Animal Diversity Web, Universidade de Michigan. Aotus trivirgatus.
- Animal Diversity Web, Universidade de Michigan. Aotus nigriceps.
- Animal Diversity Web, Universidade de Michigan. Tyto alba.
- Levenson, D. H.; Fernandez-Duque, E.; Evans, S.; Jacobs, G. H. Mutational changes in S-cone opsin genes common to both nocturnal and cathemeral Aotus monkeys. American Journal of Primatology, v. 69, n. 7, 2007.
