Os animais da Caatinga sobrevivem à seca de vários jeitos. Alguns sapos passam quase o ano todo enterrados, gastando pouca energia. Alguns peixes deixam ovos que só se abrem quando volta a chover. Pequenos mamíferos se abrigam em tocas úmidas ou entre as pedras, e algumas aves mudam de lugar quando falta comida. Cada estratégia é uma forma de esperar a próxima chuva.
Enterrar-se e esperar #
O sapo Pleurodema diplolistris passa de 10 a 11 meses do ano enterrado, a até 1,80 metro de profundidade, onde a terra guarda alguma umidade. Nesse tempo, o consumo de oxigênio em repouso cai pela metade, e a pausa pode durar até dois anos. Os músculos continuam em forma, e ele pula logo que chove. A pesquisa foi feita por cientistas da USP, da Unifesp e do Instituto Butantan, segundo a Pesquisa FAPESP (2010). A Caatinga tem cerca de 40 espécies de anfíbios.
Outros sapos têm outras saídas, segundo a mesma reportagem:
- o sapo Rhinella granulosa fica ativo de dia, aguenta até 44 °C e tem uma camada na pele que reduz a perda de água;
- o Proceratophrys cristiceps tem a pele quatro vezes mais fina, o que pode ajudar a absorver água.
Essa pausa na época seca e quente se chama estivação, e é parente da hibernação, explicada em Por que alguns animais hibernam?
Ovos que esperam a chuva #
Na Caatinga vivem pelo menos 25 espécies de peixes anuais, de 5 a 15 cm, que moram em poças temporárias. Quando a poça seca, os embriões ficam dentro dos ovos, numa espécie de hibernação. Os ovos se abrem quando as chuvas voltam, entre fevereiro e maio. No sertão, eles são chamados de “peixes-de-nuvem”, segundo a Pesquisa FAPESP (2003).
Tocas úmidas e pedras #
O rabo-de-facho. O roedor Trinomys yonenagae vive só nas dunas do rio São Francisco, na Bahia, onde o dia chega a 43 °C e a noite cai para cerca de 15 °C. Ele não tem as adaptações do corpo de outros roedores de lugares secos e depende do comportamento: vive em grupos de até oito adultos, em tocas úmidas que ele mesmo cava, às vezes com mais de 15 metros de túneis, protegidas por bromélias espinhentas. Os filhotes só sobrevivem na época das chuvas, segundo a Pesquisa FAPESP (2012).
O mocó. O mocó (Kerodon rupestris) só existe na Caatinga. Vive entre grandes blocos de granito. Na seca, as árvores perdem as folhas, mas a vegetação continua crescendo entre as pedras onde ele mora, e isso permite que as colônias atravessem os períodos de pouca comida, segundo o Animal Diversity Web, da Universidade de Michigan.
Mudar de lugar #
Algumas aves, como a ararinha-azul, se deslocavam nas secas longas para as matas úmidas das serras, os brejos, quando a comida acabava (Pesquisa FAPESP, 2003).
O bioma e as plantas que vivem nele estão em Bioma Caatinga e em Adaptação ambiental.
Resumo: principais perguntas e respostas #
Enterrando-se, deixando ovos que esperam a chuva, abrigando-se em tocas úmidas e entre as pedras ou mudando de lugar.
O sapo Pleurodema diplolistris, que passa de 10 a 11 meses enterrado, a até 1,80 metro, gastando metade do oxigênio de antes.
São peixes anuais da Caatinga, que vivem em poças temporárias. Na seca, os embriões esperam dentro dos ovos, que se abrem com as chuvas.
Um roedor que só existe na Caatinga e vive entre grandes pedras de granito, onde ainda há plantas para comer na seca.
Cerca de 40, segundo os pesquisadores ouvidos pela Pesquisa FAPESP.
Fontes #
- Pesquisa FAPESP. Na enxurrada seca. Mar. 2010.
- Pesquisa FAPESP. Riqueza oculta no sertão. Nov. 2003. Sobre o livro Ecologia e conservação da Caatinga.
- Pesquisa FAPESP. Maria Guimarães. Estratégias sertanejas. Abr. 2012.
- Animal Diversity Web, Universidade de Michigan. Kerodon rupestris.
