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Atualizado em: 01/11/2026
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Os canídeos são a família dos cães, dos lobos e das raposas, a família Canidae, da ordem dos carnívoros. O Brasil abriga seis espécies de canídeos silvestres, que ocorrem em quase todo o território nacional, segundo o Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), do ICMBio. Três delas estão na lista nacional de espécies ameaçadas de 2026, todas como Vulneráveis.
As seis espécies
O ICMBio publicou em 2013, na revista Biodiversidade Brasileira, a avaliação do risco de extinção de seis canídeos do Brasil:
| Nome popular | Nome científico | Onde vive no Brasil | Peso | Situação no Brasil (2026) |
|---|---|---|---|---|
| Lobo-guará | Chrysocyon brachyurus | Sobretudo o Cerrado, até a transição com a Caatinga, o leste do Pantanal e os campos do Sul | 20 a 33 kg | Vulnerável |
| Cachorro-vinagre | Speothos venaticus | Norte do país, com registros no Cerrado, no Pantanal e na Mata Atlântica | 4 a 7 kg | Vulnerável |
| Cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas | Atelocynus microtis | Amazônia | 9 a 10 kg | Vulnerável |
| Raposa-do-campo | Lycalopex vetulus | Cerrado e áreas de transição | 2 a 4 kg | Não está na lista |
| Cachorro-do-mato | Cerdocyon thous | Quase todo o país, em todos os biomas | Não informado aqui | Não está na lista |
| Graxaim-do-campo | Lycalopex gymnocercus | Pampa e campos do Sul, chegando a São Paulo | Não informado aqui | Não está na lista |
Os pesos e as áreas vêm das avaliações do ICMBio (2013). O lobo-guará é o maior canídeo da América do Sul, segundo a avaliação da espécie. A raposa-do-campo é o único canídeo brasileiro que só existe no Cerrado, segundo a avaliação dela.
Os nomes populares confundem
Os nomes populares dos canídeos se repetem, e o mesmo nome pode servir para espécies diferentes. Segundo as avaliações do ICMBio (2013):
- “raposa-do-campo” é o nome da Lycalopex vetulus, do Cerrado, mas também é usado para o graxaim-do-campo (L. gymnocercus), do Sul;
- “graxaim” é um dos nomes do graxaim-do-campo e também do cachorro-do-mato (Cerdocyon thous);
- “cachorro-do-mato” é o nome dado ao Cerdocyon thous na avaliação do ICMBio, e ele não está ameaçado. O Atelocynus microtis, da Amazônia, é o cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas, uma espécie diferente e Vulnerável. A avaliação do ICMBio descreve as marcas que o distinguem do cachorro-do-mato e do cachorro-vinagre, com os quais pode viver na mesma área.
Por isso, nas fichas do site, cada espécie vai sempre com o nome científico.
Os canídeos na lista de 2026
Pela nossa conta no Anexo I da Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, três canídeos estão ameaçados:
| Espécie | Categoria em 2026 |
|---|---|
| Cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas (Atelocynus microtis) | Vulnerável |
| Lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) | Vulnerável |
| Cachorro-vinagre (Speothos venaticus) | Vulnerável |
Nenhum dos três está marcado com asterisco na Portaria, o sinal das espécies que entraram na lista em 2026; os três já estavam na lista anterior. A raposa-do-campo era classificada como Vulnerável pelo Ministério do Meio Ambiente em 2014, segundo o ICMBio, e não está na lista de 2026.
As ameaças
Segundo um material do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Canídeos Silvestres (ICMBio, 2020), as ameaças mais fortes aos canídeos selvagens são:
- a perda do hábitat, com a troca da vegetação nativa por lavouras e pastos e a expansão das cidades. O Cerrado, onde vive grande parte do lobo-guará, da raposa-do-campo e do cachorro-vinagre, perdeu muita área natural nos últimos 50 anos;
- as estradas, com atropelamentos de adultos e filhotes, também nas áreas de lavoura, durante a operação de máquinas;
- os cães domésticos, que perseguem e matam filhotes e adultos e podem transmitir doenças como parvovirose, cinomose, raiva, sarna sarcóptica e adenovírus;
- a caça, muitas vezes por medo de ataques às criações, mas, segundo o mesmo material, “muitas vezes há uma percepção exagerada do real impacto que causam”.
O que é a perda e a divisão do hábitat está em Fragmentação de hábitats.
Você sabia?
O nome “guará” vem do tupi e significa vermelho, por causa da cor da pelagem do lobo-guará, segundo o sumário do Plano de Ação Nacional para a Conservação do Lobo-guará, do ICMBio.
Conservação no Brasil
Os quatro canídeos que eram Vulneráveis em 2014 (o lobo-guará, o cachorro-vinagre, o cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas e a raposa-do-campo) estão no Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Canídeos Silvestres (PAN Canídeos), coordenado pelo Cenap. Segundo a página do PAN, o 1º ciclo foi de 2018 a 2023 e terminou com 35% das ações concluídas, 25% iniciadas e não concluídas e 40% não iniciadas no prazo. O 2º ciclo vai de 2025 a 2030.
Os canídeos com ficha no site
| Espécie | Onde vive | Situação no Brasil (2026) |
|---|---|---|
| Lobo-guará | Cerrado, Pantanal e campos do Sul | Vulnerável |
| Cachorro-vinagre | Amazônia, Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica | Vulnerável |
| Cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas | Amazônia | Vulnerável |
O Cerrado, onde vivem o lobo-guará e a raposa-do-campo, está em Bioma Cerrado.
Resumo: principais perguntas e respostas
Seis, segundo o ICMBio. As avaliações do ICMBio de 2013 tratam do lobo-guará, do cachorro-vinagre, do cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas, da raposa-do-campo, do cachorro-do-mato e do graxaim-do-campo.
Pela nossa conta na lista nacional de 2026, três, todos Vulneráveis: o lobo-guará, o cachorro-vinagre e o cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas.
O lobo-guará, que o ICMBio aponta como o maior canídeo da América do Sul, com 20 a 33 kg.
Fontes
- ICMBio/Cenap. Produtores rurais e canídeos silvestres. PAN Canídeos, Atibaia (SP), 2020.
- ICMBio. Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Canídeos Silvestres. Página do PAN, consultada em 2 nov. 2026.
- Paula, R. C. et al. Avaliação do estado de conservação do lobo-guará. Biodiversidade Brasileira, 3(1): 146–159, 2013.
- Jorge, R. P. S. et al. Speothos venaticus (Lund, 1842) no Brasil. biodiversidade Brasileira, 3(1): 179–190, 2013.
- Leite-Pitman, R.; Beisiegel, B. M. Cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas – Atelocynus microtis. biodiversidade Brasileira, 3(1): 133–137, 2013.
- Lemos, F. G. et al. Lycalopex vetulus (Lund, 1842) no Brasil. biodiversidade Brasileira, 3(1): 160–171, 2013.
- Beisiegel, B. M. et al. Avaliação do risco de extinção do cachorro-do-mato. biodiversidade Brasileira, 3(1): 138–145, 2013.
- Queirolo, D.; Kasper, C. B.; Beisiegel, B. M. Lycalopex gymnocercus (G. Fischer, 1814) no Brasil. biodiversidade Brasileira, 3(1): 172–178, 2013.
- ICMBio. Sumário executivo do Plano de Ação Nacional para a Conservação do Lobo-guará.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexo I, nº 581 a 583.
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