Mamíferos Terrestres

Cachorro-vinagre: o canídeo que vive em grupo e caça tatus

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 01/11/2026

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O cachorro-vinagre (Speothos venaticus) é um canídeo pequeno, de pernas curtas e pelagem castanho-avermelhada, que vive em grupos e caça principalmente tatus. Vive em florestas e outras áreas do Norte ao Sul do Brasil, mas é raro e difícil de ver. Está Vulnerável na lista nacional de espécies ameaçadas de 2026.

FichaDados
Nome comumCachorro-vinagre (também cachorro-do-mato-vinagre)
Nome científicoSpeothos venaticus (Lund, 1842)
FamíliaCanidae
Tamanho e pesoCerca de 80 cm de comprimento total; 4 a 7 kg
Onde viveDo Panamá ao norte da Argentina; no Brasil, sobretudo no Norte, com registros no Cerrado, no Pantanal e na Mata Atlântica
Situação na IUCNNão informada nesta versão
Situação no BrasilVulnerável (Portaria MMA 1.704/2026)

O peso e a distribuição no Brasil vêm da avaliação do risco de extinção da espécie, feita pelo ICMBio e publicada em 2013. O comprimento e a distribuição fora do Brasil vêm do material do PAN Canídeos (ICMBio, 2020).

Como é

Segundo a avaliação do ICMBio (2013) e o material do PAN Canídeos (2020), o cachorro-vinagre tem:

  • corpo compacto, pernas curtas e robustas, orelhas arredondadas e cauda curta;
  • pelagem castanho-avermelhada, com o dorso mais claro que a barriga;
  • membranas entre os dedos;
  • um jeito de pisar diferente dos outros canídeos do Brasil: apoia mais a planta dos pés no chão.

O material do PAN registra também um “amplo repertório vocal”: o cachorro-vinagre usa muitos sons diferentes.

Vida em grupo e caça

O cachorro-vinagre vive em grupos de 2 a 12 animais, em geral formados por famílias, segundo a avaliação do ICMBio. Às vezes é visto sozinho. Na RPPN SESC Pantanal, um estudo de 2009 encontrou em média 2,75 animais por grupo. Ele é ativo de dia, segundo o material do PAN.

A dieta é só de carne. Segundo a avaliação do ICMBio:

  • o tatu-galinha (Dasypus novemcinctus) é a principal presa, nos estudos feitos no Pantanal e no Cerrado;
  • os cachorros-vinagre “entram e/ou escavam as tocas de tatus” para pegá-los, e os autores sugerem que as características físicas da espécie são adaptações para caçar presas em tocas;
  • também comem pacas, cutias e roedores menores, e às vezes animais maiores, como veados e catetos.

Onde vive

O cachorro-vinagre ocorre do Panamá ao norte do Paraná, no Brasil, e também no Paraguai, no norte da Argentina, na Bolívia, no Peru e no Equador, segundo o material do PAN (2020).

No Brasil, segundo a avaliação do ICMBio (2013):

  • está amplamente distribuído no Norte, no Amapá, no Pará, no Maranhão e no Tocantins, mas em áreas separadas umas das outras;
  • tem registros no leste de Mato Grosso, no Cerrado, e no Pantanal;
  • na Mata Atlântica, os registros eram só de São Paulo e do Paraná.

Em fevereiro de 2024, câmeras do ICMBio registraram pela primeira vez um grupo de cachorros-vinagre dentro do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, no Amapá. O monitoramento usou mais de 60 armadilhas fotográficas, e a analista ambiental Fernanda Colares, do ICMBio, disse que o animal é “de difícil registro”, segundo a Agência Brasil (2024). A espécie também é citada na ficha do Parque Nacional de Pacaás Novos, em Rondônia.

Reprodução

Segundo o material do PAN Canídeos (2020), a gestação dura de 65 a 80 dias, nascem de 1 a 6 filhotes, e a longevidade registrada em cativeiro é de 14,1 anos.

Ameaças

Segundo a avaliação do ICMBio (2013), as ameaças são:

  • a perda e a degradação do hábitat, pelo desmatamento, pela retirada de madeira e pela ocupação humana;
  • a caça das presas, que diminui a comida disponível;
  • os atropelamentos;
  • as doenças que podem ser passadas por animais domésticos, como a raiva, a parvovirose e a sarna sarcóptica;
  • as mortes causadas por cães domésticos, sobretudo cães de caça, e por pessoas.

Você sabia?

A avaliação do ICMBio estimou a população efetiva do cachorro-vinagre, a parte que de fato se reproduz, em 8.813 animais na Amazônia, 367 no Pantanal e 178 na Mata Atlântica. Para predadores de topo, os autores consideraram que esse número equivale a 10% da população total.

Conservação no Brasil

Na lista nacional, atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, o cachorro-vinagre está Vulnerável, como já estava na lista anterior.

A situação muda de um bioma para outro. Na avaliação de 2013, o ICMBio classificou a espécie como Em Perigo no Cerrado, porque um modelo previa 100% de chance de a população desaparecer em 100 anos, sobretudo por doenças e mortes causadas por cães e pessoas, e como Criticamente em Perigo na Mata Atlântica. Para o país como um todo, a avaliação classificou a espécie como Vulnerável, com base no tamanho estimado da população.

O primeiro plano de ação para a espécie, o PAN Cachorro-vinagre, foi aprovado pela Portaria ICMBio nº 202, de 5 de julho de 2013, com o objetivo de reduzir a perda de animais, “principalmente relacionadas à interação direta com homem e cães domésticos”, entre outros. Hoje, a espécie está no Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Canídeos Silvestres, cujo 2º ciclo vai de 2025 a 2030, segundo a página do PAN Canídeos.

Fontes

Impresso de https://123ecos.com.br/docs/cachorro-vinagre-o-canideo-que-vive-em-grupo-e-caca-tatus/ · Atualizado em 01/11/2026 · 123 Ecos

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