123 Ecos Redação
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Atualizado em: 01/11/2026
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O boto-cinza (Sotalia guianensis) é um golfinho pequeno que vive perto da costa, em baías, mangues e estuários, da América Central ao sul do Brasil. Está Em Perigo de extinção no Brasil. Na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, onde aparece até na bandeira da cidade, a população caiu de cerca de 400 animais nos anos 1980 para cerca de 30, segundo o laboratório Maqua, da Uerj.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Boto-cinza |
| Nome científico | Sotalia guianensis |
| Família | Delphinidae |
| Tamanho e peso | Quase 2 m; cerca de 60 kg (Pesquisa FAPESP, 2003); os maiores machos, por volta de 80 kg (O Globo, 2026) |
| Onde vive | Costa da América Central e da América do Sul, de Honduras a Santa Catarina |
| Situação na IUCN | Não informada nesta versão |
| Situação no Brasil | Em Perigo (Portaria MMA 1.704/2026) |
Boto-cinza e tucuxi
O boto-cinza e o tucuxi são do mesmo gênero, Sotalia, e por muito tempo foram tratados como uma espécie só, com uma forma do mar e outra do rio. Em 2005, um estudo genético de Haydée Cunha e colegas, publicado na revista Marine Biology, mostrou que são espécies diferentes:
- o boto-cinza (S. guianensis) vive no mar, perto da costa;
- o tucuxi (S. fluviatilis) vive nos rios da Amazônia.
Os dois estão Em Perigo na lista de 2026. Os outros golfinhos chamados de “boto” no Brasil, que são de outras famílias, estão em Golfinhos do Brasil.
Onde vive
Segundo reportagem da Pesquisa FAPESP (2003), o boto-cinza vive na costa da América Central e da América do Sul, de Honduras até Florianópolis (SC). Ele é associado aos manguezais, aos estuários e às baías. A mesma reportagem registra uma exceção: um grupo que vive em volta do arquipélago de Abrolhos, na Bahia, a cerca de 70 km da costa, num ambiente de recifes de coral.
O tamanho dos grupos varia. No sul da Bahia, entre Nova Viçosa e Caraíva, foram vistos grupos de até 22 animais; no litoral do Rio Grande do Norte, grupos de 2 a 6, segundo a Pesquisa FAPESP (2003).
Reprodução e vida
Segundo a reportagem do O Globo (2026):
- o boto-cinza é residente: costuma ficar na baía onde nasceu;
- a fêmea tem um filhote por vez, depois de uma gestação de quase um ano, e em geral se reproduz uma vez a cada três anos;
- o filhote mama e fica com a mãe por pelo menos um ano;
- a espécie pode começar a se reproduzir por volta dos seis anos e vive cerca de 20.
A Baía de Guanabara
Segundo o Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores (Maqua), da Uerj, citado pelo O Globo (2026):
| Ano | Botos-cinza na Baía de Guanabara |
|---|---|
| Anos 1980 | Cerca de 400 |
| 1992 | Menos de 100 |
| 2014 | Cerca de 40 |
| Anos seguintes | Cerca de 30 |
Um estudo da Uerj publicado em 2017 na revista Ecological Indicators (Azevedo e colegas) contou a queda entre 2000 e 2015 e a chamou, no título, de primeiro declínio confirmado de uma população de golfinhos em águas brasileiras, segundo a Pesquisa FAPESP (2020).
Em 2026, os pesquisadores viram dois filhotes novos na baía, um de cerca de seis meses e outro de no máximo dois. “Esperamos que esses dois nascidos este ano sobrevivam e, com eles, as chances da espécie na nossa baía”, disse Rafael Carvalho, do Maqua, ao O Globo. “Cada mês de vida desses filhotes é uma vitória”, completou. Segundo a reportagem, o número de filhotes não tem compensado o de adultos mortos por doenças, acidentes ou velhice.
Ameaças
Segundo a reportagem do O Globo (2026), as ameaças ao boto-cinza na Guanabara são:
- a captura acidental em redes de pesca;
- a poluição da água;
- as mudanças climáticas;
- o barulho dos motores e máquinas dos navios, que desorienta os botos, porque eles se orientam pelo som.
No passado, os botos também foram caçados. Na Baía de Sepetiba, também no Rio, pode ter restado apenas dois terços dos cerca de mil botos, e os que ficaram se comunicam bem menos do que antes porque o ruído dos motores dos navios encobre os seus assobios, segundo a Pesquisa FAPESP (2020).
Você sabia?
O boto-cinza está na bandeira e no brasão da cidade do Rio de Janeiro, segundo a reportagem do O Globo de junho de 2026.
Conservação no Brasil
Na lista nacional, atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, o boto-cinza está Em Perigo. Os outros cetáceos ameaçados do país estão em Cetáceos.
Fontes
- Pesquisa FAPESP. Botos em alto-mar. Ed. 94, dez. 2003.
- Pesquisa FAPESP. O silêncio dos golfinhos. Gilberto Stam, 24 nov. 2020. Sobre Azevedo, A. F. et al. The first confirmed decline of a delphinid population from Brazilian waters: 2000–2015 abundance of Sotalia guianensis in Guanabara Bay, South-eastern Brazil. Ecological Indicators, 79: 1–10, 2017.
- O Globo, republicado pela Tribuna do Sertão. Nascimento de dois filhotes de boto-cinza renova a esperança na Baía de Guanabara. 8 jun. 2026.
- Cunha, H. A. et al. Riverine and marine ecotypes of Sotalia dolphins are different species. Marine Biology, 148(2): 449–457, 2005.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexo I, nº 574.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/boto-cinza-o-golfinho-das-baias-e-o-que-aconteceu-na-guanabara/ · Atualizado em 01/11/2026 · 123 Ecos

