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Atualizado em: 01/11/2026
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O muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) é um macaco grande da Mata Atlântica, que só existe no Brasil. Com o muriqui-do-sul, ele forma o gênero Brachyteles, e os dois são considerados os maiores primatas das Américas, segundo o sumário do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Muriquis, do ICMBio. Está Criticamente em Perigo: a avaliação do ICMBio estimou cerca de mil indivíduos, espalhados em pedaços de floresta de Minas Gerais, do Espírito Santo, da Bahia e do Rio de Janeiro.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Muriqui-do-norte (também mono-carvoeiro, buriqui, mono-da-cara-manchada) |
| Nome científico | Brachyteles hypoxanthus (Kuhl, 1820) |
| Família | Atelidae |
| Tamanho e peso | Cerca de 1,3 m de comprimento; 8,4 a 9,6 kg |
| Onde vive | Mata Atlântica de Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia, e uma população no Parque Nacional do Itatiaia (RJ e MG) |
| Situação na IUCN | Criticamente em Perigo (avaliação global citada pelo ICMBio em 2012) |
| Situação no Brasil | criticamente em perigo (Portaria MMA 1.704/2026) |
Os dados do quadro vêm da avaliação do risco de extinção da espécie, feita pelo ICMBio na oficina de primatas de 2012.
Como é
Segundo o sumário do PAN Muriquis, duas marcas separam o muriqui-do-norte do muriqui-do-sul:
- o rosto: nos adultos, o rosto e os genitais costumam ter manchas rosadas e brancas, porque perdem pigmento com a idade (daí o nome popular “mono-da-cara-manchada”); no muriqui-do-sul, o rosto é todo preto;
- o polegar: o muriqui-do-norte tem um polegar vestigial, muito pequeno; o do sul não tem nenhum vestígio de polegar.
Na avaliação do ICMBio, machos e fêmeas adultos pesam de 8,4 a 9,6 kg, e o comprimento adulto registrado é de cerca de 1,3 m (1.290 mm nas fêmeas e 1.330 mm nos machos).
Uma espécie ou duas?
Por muito tempo, os muriquis foram tratados como uma espécie só. A avaliação do ICMBio resume a mudança: já em 1944 se falava em duas formas; novos estudos, a partir dos anos 1990, mostraram diferenças maiores; e, a partir de 2000, os dois muriquis passaram a ser listados como espécies separadas. Segundo a avaliação de 2012, essa é a classificação mais aceita.
Onde vive
O muriqui-do-norte só existe na Mata Atlântica. Segundo a avaliação do ICMBio (2012):
- vive em matas de Minas Gerais e do Espírito Santo, onde está a maior parte das populações;
- na Bahia, quase desapareceu: a presença foi confirmada no Parque Nacional do Alto Cariri e no Refúgio de Vida Silvestre Mata dos Muriquis, na divisa de Minas com a Bahia;
- uma população vive no Parque Nacional do Itatiaia, entre o Rio de Janeiro e Minas;
- eram conhecidas apenas 13 populações, isoladas umas das outras.
Ele vive em florestas estacionais e ombrófilas e tolera florestas secundárias, em regeneração. Só quatro lugares foram considerados capazes de manter populações viáveis: a RPPN Feliciano Miguel Abdala, em Caratinga (MG), o Parque Estadual do Rio Doce, o Parque Estadual da Serra do Brigadeiro e o parque nacional do Caparaó.
Alimentação
Os muriquis comem principalmente folhas e frutos, e também flores, segundo o sumário do PAN Muriquis.
Vida em grupo
Segundo a avaliação do ICMBio, o muriqui-do-norte vive em grupos com vários machos e várias fêmeas, que podem andar juntos ou se dividir e se reunir conforme a comida disponível e a época de reprodução (Dias e Strier, 2003). Já foram registrados grupos com mais de 100 animais (Strier e Ives, 2012). Um grupo de 23 a 27 muriquis usou uma área de 168 hectares, num estudo de Karen Strier publicado em 1987.
O sumário do PAN Muriquis descreve os muriquis como “primatas pacíficos”: a agressão entre eles é baixa, e os abraços são comuns, sobretudo entre machos adultos.
Reprodução
Segundo a avaliação do ICMBio:
- as fêmeas ficam maduras entre 5 e 7 anos, e os machos, por volta dos 5;
- a gestação dura cerca de 7,2 meses;
- a ficha registra de 1 a 2 filhotes por parto;
- o intervalo entre os nascimentos é de cerca de 3 anos;
- um muriqui-do-norte pode viver pelo menos 28 anos.
Você sabia?
Na RPPN Feliciano Miguel Abdala, em Caratinga (MG), os muriquis-do-norte são estudados desde 1982 pela primatóloga norte-americana Karen Strier, segundo a avaliação do ICMBio.
Ameaças
Segundo a avaliação do ICMBio (2012):
- o desmatamento da Mata Atlântica para a pecuária e a agricultura destruiu e dividiu o hábitat, e as populações pequenas e isoladas tendem a desaparecer;
- o corte seletivo de árvores e as queimadas pioram a qualidade das matas que sobraram;
- a caça contribuiu para o declínio e ainda existe, com menos força;
- incêndios e assentamentos rurais também foram apontados como ameaças, e há a suspeita de que o turismo intenso e desordenado possa prejudicar a espécie.
Conservação no Brasil
Na lista nacional, atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, o muriqui-do-norte está criticamente em perigo, como já estava nas avaliações anteriores. A espécie está no Apêndice II da CITES, que controla o comércio internacional, e entrou na lista dos 25 primatas mais ameaçados do mundo em três edições seguidas, entre 2000 e 2006, segundo a avaliação do ICMBio.
O primeiro plano de ação para os muriquis foi aprovado pela Portaria ICMBio nº 87, de 27 de agosto de 2010. Hoje, os dois muriquis estão no 2º ciclo do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas da Mata Atlântica e das Preguiças-de-Coleira, válido de 1º de julho de 2025 a 1º de julho de 2030, segundo o Canaltech (2025).
A espécie vive em várias unidades de conservação, como a Reserva Biológica Augusto Ruschi (ES), os parques estaduais do Rio Doce e da Serra do Brigadeiro (MG) e os parques nacionais do Caparaó, do Itatiaia e do Alto Cariri. A família dos muriquis e os outros primatas do país estão em Primatas do Brasil.
Fontes
- ICMBio. Avaliação do risco de extinção de Brachyteles hypoxanthus (Kuhl, 1820) no Brasil. Melo, F. R.; Jerusalinsky, L.; Tabacow, F. P.; Ferraz, D. S. Oficina de Avaliação de Primatas Brasileiros, 2012.
- ICMBio. Sumário executivo do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Muriquis. PAN aprovado pela Portaria ICMBio nº 87, de 27 ago. 2010.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexo I, nº 614.
- Canaltech. 11 espécies brasileiras ameaçadas de extinção ganham proteção especial reforçada. Jun. 2025.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/muriqui-do-norte-como-e-onde-vive-e-por-que-esta-criticamente-ameacado/ · Atualizado em 01/11/2026 · 123 Ecos

