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Atualizado em: 01/11/2026
O muriqui-do-sul (Brachyteles arachnoides) é um macaco grande da Mata Atlântica, que só existe no Brasil, no Rio de Janeiro, em São Paulo e no nordeste do Paraná. Com o muriqui-do-norte, forma o gênero Brachyteles, e os dois são considerados os maiores primatas das Américas, segundo o sumário do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Muriquis, do ICMBio. Está Em Perigo de extinção.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Muriqui-do-sul (também mono-carvoeiro) |
| Nome científico | Brachyteles arachnoides (É. Geoffroy, 1806) |
| Família | Atelidae |
| Peso | Fêmeas cerca de 9,4 kg; machos cerca de 12,1 kg |
| Onde vive | Mata Atlântica do Rio de Janeiro, de São Paulo e do nordeste do Paraná |
| Situação na IUCN | Em Perigo (avaliação global citada pelo ICMBio em 2012) |
| Situação no Brasil | Em Perigo (Portaria MMA 1.704/2026) |
Os dados do quadro vêm da avaliação do risco de extinção da espécie, feita pelo ICMBio na oficina de primatas de 2012.
Como é
Segundo o sumário do PAN Muriquis, o muriqui-do-sul tem o rosto e os genitais todos pretos e não tem nenhum vestígio de polegar. São as duas marcas que o separam do muriqui-do-norte, que tem manchas rosadas no rosto e um polegar muito pequeno. Até o ano 2000, os dois eram muitas vezes tratados como uma espécie só; a história está na ficha do muriqui-do-norte.
Pelos pesos da avaliação do ICMBio, os machos são bem mais pesados que as fêmeas: cerca de 12,1 kg contra 9,4 kg.
Onde vive
Segundo a avaliação do ICMBio (2012), o muriqui-do-sul vive:
- do sul do Rio de Janeiro, no Parque Nacional da Serra da Bocaina, e do norte de São Paulo, na Serra da Mantiqueira, até o nordeste do Paraná, em Castro;
- no interior de São Paulo, numa população na Fazenda Barreiro Rico, em Anhembi, o limite oeste da espécie;
- em cerca de 15 regiões com populações conhecidas;
- no Paraná, com apenas um grupo de ocorrência confirmada.
Vive sobretudo na floresta ombrófila densa, a floresta úmida e sempre verde da Mata Atlântica, do nível do mar até acima de 1.200 metros de altitude. Prefere a mata primária, mas tolera alguma perturbação.
Alimentação
Os muriquis comem principalmente folhas e frutos, e também flores, segundo o sumário do PAN Muriquis. Ao comer frutos e soltar as sementes em outro lugar, o muriqui-do-sul espalha sementes de árvores e cipós, segundo a avaliação do ICMBio (Martins, 2006).
Vida em grupo
O muriqui-do-sul vive no sistema de fissão-fusão: o grupo se divide em partes menores e volta a se juntar. Segundo a avaliação do ICMBio:
- em matas pequenas, os grupos têm em média de 10 a 20 animais;
- em florestas grandes e pouco perturbadas, como o Parque Estadual Carlos Botelho (SP), as partes do grupo têm em média menos de 4 animais, mas o grupo inteiro pode chegar a quatro ou cinco dezenas em certas épocas do ano;
- um grupo de 48 muriquis usou uma área de cerca de 1.500 hectares no Carlos Botelho.
Reprodução
Segundo a avaliação do ICMBio, machos e fêmeas ficam maduros por volta dos 5 anos. A ficha registra de 1 a 2 filhotes por parto. A gestação de cerca de 7,2 meses e o intervalo de cerca de 3 anos entre os nascimentos são dados do gênero, medidos nos muriquis em geral. A longevidade registrada é de 32 anos.
Ameaças
Segundo a avaliação do ICMBio (2012):
- Perda e divisão da floresta, pelo desmatamento histórico para a pecuária e a agricultura e pela expansão das áreas agrícolas e das estradas, sobretudo em São Paulo.
- Caça, cultural e esportiva, muitas vezes ligada à extração ilegal do palmito-juçara (Euterpe edulis) nas matas paulistas.
- Ecoturismo desordenado, como em São Francisco Xavier (SP), onde trechos de mata ficam abertos sem nenhuma regra de uso.
A população mínima foi estimada em cerca de 1.300 indivíduos, com menos de 500 adultos, e está em declínio, com desaparecimentos recentes em vários lugares de São Paulo. O sumário do PAN Muriquis fala em menos de 2 mil indivíduos.
Você sabia?
Nos três estados onde vive, o muriqui-do-sul está em listas estaduais de espécies ameaçadas: Criticamente em Perigo no Rio de Janeiro e no Paraná e Em Perigo em São Paulo, segundo a avaliação do ICMBio (2012).
Conservação no Brasil
Na lista nacional, atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, o muriqui-do-sul está Em Perigo, como já estava na avaliação anterior.
O primeiro plano de ação para os muriquis foi aprovado pela Portaria ICMBio nº 87, de 27 de agosto de 2010. Hoje, os dois muriquis estão no 2º ciclo do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas da Mata Atlântica e das Preguiças-de-Coleira, válido de 1º de julho de 2025 a 1º de julho de 2030, segundo o Canaltech (2025). Em São Paulo, a Secretaria do Meio Ambiente criou em 2014 a Comissão Permanente de Proteção dos Primatas Paulistas, que inclui os muriquis (Resolução SMA nº 71, de 3 de setembro de 2014).
As áreas apontadas como principais para a espécie pela avaliação do ICMBio são o Parque Estadual Carlos Botelho e as reservas particulares do entorno, o parque estadual da Serra do Mar, a Fazenda São Sebastião do Ribeirão Grande (Pindamonhangaba), a região da Serra dos Órgãos, o Parque Nacional da Serra da Bocaina, a Reserva Ecológica da Juatinga, o parque estadual Cunhambebe e o parque estadual do Desengano. A família dos muriquis e os outros primatas do país estão em Primatas do Brasil.
Fontes
- ICMBio. Avaliação do risco de extinção de Brachyteles arachnoides (É. Geoffroy, 1806) no Brasil. Oficina de Avaliação do Estado de Conservação de Primatas Brasileiros, Iperó (SP), 30 jul. a 3 ago. 2012.
- ICMBio. Sumário executivo do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Muriquis. PAN aprovado pela Portaria ICMBio nº 87, de 27 ago. 2010.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexo I, nº 613.
- Canaltech. 11 espécies brasileiras ameaçadas de extinção ganham proteção especial reforçada. Jun. 2025.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/muriqui-do-sul-como-e-onde-vive-e-por-que-esta-em-perigo/ · Atualizado em 01/11/2026 · 123 Ecos

