A preservação dos ecossistemas reúne as ações que protegem a natureza em bom estado, restauram o que foi degradado e garantem o uso sustentável dos recursos naturais. Ela acontece em vários níveis: acordos entre países, leis e programas nacionais, projetos de organizações e iniciativas de comunidades e proprietários rurais.
Nesta postagem estão as principais iniciativas em vigor, com o que cada uma pretende e o que já alcançou.
Iniciativas mundiais #
Marco Global de Biodiversidade Kunming-Montreal #
Aprovado em dezembro de 2022 pelos países da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), o Marco tem 23 metas para 2030. As mais conhecidas são:
- Meta 2: restaurar pelo menos 30% das áreas degradadas de terra e de água.
- Meta 3: proteger pelo menos 30% das terras e 30% dos mares, a chamada meta 30×30. Veja O que é a meta 30×30 para a natureza?
Hoje, 17,6% das terras e águas continentais e 8,4% dos oceanos estão em áreas protegidas, segundo o Protected Planet Report 2024. Para chegar a 30%, o mundo precisa quase dobrar a área protegida em terra e mais que triplicar no mar.
Década da ONU da Restauração de Ecossistemas (2021–2030) #
Coordenada pelo PNUMA e pela FAO, a Década mobiliza governos, empresas e comunidades para recuperar florestas, rios, mangues, campos e solos. Veja Regeneração dos ecossistemas.
Agenda 2030 #
A Agenda 2030 da ONU reúne 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Dois tratam diretamente dos ecossistemas: o ODS 14 (Vida na Água) e o ODS 15 (Vida Terrestre).
Convenções sobre clima e solo #
O Acordo de Paris, de 2015, reconhece o papel das florestas na absorção de carbono e apoia mecanismos para reduzir o desmatamento. A UNCCD, Convenção da ONU de Combate à Desertificação, coordena metas para recuperar terras degradadas, como a Grande Muralha Verde, na África.
Ciência a serviço da decisão #
O IPBES, painel científico sobre biodiversidade, faz para a natureza o que o IPCC faz para o clima: reúne a ciência disponível e orienta os governos. Sua avaliação de 2019 estimou que cerca de 1 milhão de espécies estão ameaçadas.
Iniciativas brasileiras #
Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) #
Criado pela Lei 9.985, de 2000, o SNUC organiza as unidades de conservação do país em dois grupos: as de proteção integral, como parques e estações ecológicas, e as de uso sustentável, como reservas extrativistas e áreas de proteção ambiental. Dele fazem parte as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPN), criadas por proprietários que decidem proteger suas terras para sempre. Veja Proteção de áreas naturais.
Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA) #
Criado em 2002, o ARPA é considerado o maior programa de proteção de florestas tropicais do mundo. Ele apoia 117 unidades de conservação, que somam cerca de 60 milhões de hectares, com recursos do governo, de doadores internacionais e de um fundo administrado pelo Funbio.
Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) #
O Planaveg tem a meta de recuperar 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030, compromisso que o Brasil também assumiu no Acordo de Paris.
Código Florestal e Cadastro Ambiental Rural (CAR) #
O Código Florestal, de 2012, obriga as propriedades rurais a manter reserva legal e áreas de preservação permanente, como margens de rios e topos de morro. O CAR é o registro em que cada imóvel declara essas áreas. Ele permite monitorar o cumprimento da lei, mas precisa ser verificado, porque também é usado em fraudes.
Fundo Amazônia #
Criado em 2008 e gerido pelo BNDES, o Fundo Amazônia recebe doações, principalmente da Noruega e da Alemanha, para projetos que reduzem o desmatamento e apoiam o uso sustentável da floresta.
Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) #
Lançado pelo Brasil em Belém, em novembro de 2025, durante a COP30, o TFFF é um fundo de investimento que pretende pagar todos os anos aos países que mantêm suas florestas tropicais em pé. O Brasil anunciou US$ 1 bilhão, e o fundo começou com cerca de US$ 5,5 bilhões anunciados por vários países.
Monitoramento por satélite #
O INPE monitora a Amazônia desde 1988 com o PRODES e emite alertas quase diários de desmatamento com o DETER. O MapBiomas, rede de universidades, organizações e empresas, mapeia todos os biomas ano a ano. Esses dados são a base da fiscalização.
Iniciativas regionais e comunitárias #
- Pacto pela Restauração da Mata Atlântica: reúne centenas de organizações e tem a meta de restaurar 15 milhões de hectares até 2050. Veja Pacto pela Restauração da Mata Atlântica.
- Terras indígenas e reservas extrativistas: estão entre as áreas que menos perdem vegetação na Amazônia.
- Manejo comunitário: o manejo do pirarucu na Amazônia e o manejo florestal da Caatinga mostram que é possível gerar renda conservando.
ecossistemas costeiros #
Manguezais, restingas e recifes de coral têm iniciativas próprias, como áreas marinhas protegidas, a restauração de mangues e o monitoramento de corais. Veja Preservação dos ecossistemas costeiros.
Desafios #
- Cumprir as metas: a maior parte das metas de biodiversidade da década anterior, as Metas de Aichi para 2020, não foi atingida.
- Financiamento: os recursos para conservação ainda estão longe do necessário.
- Fiscalização: leis e cadastros só funcionam com verificação e punição.
- clima: secas e incêndios mais intensos pressionam até as áreas protegidas.
A preservação depende também do uso equilibrado dos recursos, tema de Sustentabilidade dos ecossistemas, e do conhecimento da diversidade de ecossistemas que se quer proteger.
Resumo: principais perguntas e respostas #
O Marco Global de biodiversidade Kunming-Montreal, a Década da ONU da Restauração de ecossistemas, a Agenda 2030 e as convenções sobre clima e desertificação.
É a meta mundial de proteger pelo menos 30% das terras e 30% dos mares até 2030, aprovada em 2022 no Marco Kunming-Montreal.
O Sistema Nacional de Unidades de Conservação, o programa ARPA, o Planaveg, o Código Florestal com o Cadastro Ambiental Rural, o Fundo Amazônia, o TFFF e o monitoramento por satélite do INPE.
É um programa criado em 2002 que apoia 117 unidades de conservação na Amazônia, com cerca de 60 milhões de hectares. É considerado o maior programa de proteção de florestas tropicais do mundo.
Preservar é manter protegidas as áreas naturais em bom estado. Restaurar é recuperar as áreas já degradadas, devolvendo sua vegetação, fauna e funções.
Fontes #
- Convenção sobre Diversidade Biológica. Marco Global de Biodiversidade Kunming-Montreal. 2022.
- PNUMA. Década da ONU da Restauração de Ecossistemas.
- PNUMA-WCMC e IUCN. Protected Planet Report 2024.
- IPBES. Avaliação Global da Biodiversidade. 2019.
- Portal Amazônia. Arpa apoiará novas unidades na Amazônia. 14/08/2017.
- Jovem Pan. Balanço é muito positivo, informa embaixador sobre fundo para florestas. 08/11/2025.
- Brasil. Lei 9.985/2000 (SNUC) e Lei 12.651/2012 (Código Florestal).
- Ministério do Meio Ambiente. Planaveg.

