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Perda de serviços ecossistêmicos: o que é, causas e exemplos

Atualizado em: 24/10/2026 · Nível de leitura: Ensino Médio

Duas pessoas com vestimenta de proteção sanitária recolhendo amostras na margem de um rio para analisar a Perda de Serviços Ecossistêmicos.
Perda de Serviços Ecossistêmicos, você sabe o que é?

A perda de serviços ecossistêmicos acontece quando a natureza deixa de entregar, total ou parcialmente, os benefícios de que as pessoas dependem: água limpa, solo fértil, polinização, chuva regular, proteção contra enchentes, alimento e lazer. Esses benefícios são os serviços ecossistêmicos.

A perda raramente é visível de um dia para o outro. Um rio continua correndo, mas com menos água na seca; uma lavoura continua produzindo, mas com menos frutos por falta de polinizadores. Quando a falta aparece, recuperar o serviço costuma ser caro e demorado.

O tamanho do problema #

Três grandes avaliações científicas medem essa perda:

  • Avaliação Ecossistêmica do Milênio (ONU, 2005): 15 dos 24 serviços avaliados, cerca de 60%, estavam sendo degradados ou usados além da capacidade de renovação.
  • IPBES (2019): 14 das 18 categorias de contribuições da natureza para as pessoas diminuíram desde 1970. As ações humanas já alteraram de forma significativa 75% da superfície terrestre, e mais de 85% das áreas úmidas que existiam em 1700 foram perdidas até 2000. Veja IPBES.
  • Costanza e colegas (2014): a mudança no uso da terra causou perdas estimadas entre US$ 4,3 e 20,2 trilhões por ano em serviços ecossistêmicos entre 1997 e 2011.

O que se perde, tipo por tipo #

Serviços de provisão (o que a natureza fornece) #

Alimento, água, madeira, fibras e remédios. Exemplo: em 1992, depois de décadas de pesca excessiva, o Canadá fechou a pesca do bacalhau na costa da Terra Nova. Cerca de 30 mil pessoas perderam o trabalho, e os estoques demoraram décadas para dar sinais de recuperação. Veja Sobrepesca.

Serviços de regulação (o que a natureza controla) #

Chuvas, clima, enchentes, erosão, qualidade do ar e da água e controle de pragas.

  • Água: em 2014 e 2015, na crise hídrica de São Paulo, o Sistema Cantareira teve de usar pela primeira vez sua reserva técnica, o chamado volume morto. A falta de chuva foi a causa principal, mas a perda de mata nas nascentes e nas margens dos rios reduz a capacidade das bacias de guardar água. Veja Crise hídrica e alterações climáticas.
  • Chuva: a Amazônia devolve à atmosfera a umidade que forma os rios voadores, que levam chuva para o Centro-Oeste e o Sudeste. Menos floresta significa menos umidade no ar.
  • Enchentes e deslizamentos: a impermeabilização do solo nas cidades e o desmatamento das encostas fazem a água escorrer em vez de infiltrar.

Serviços de suporte (a base de tudo) #

Formação do solo, ciclo de nutrientes e polinização.

Serviços culturais (o que a natureza oferece ao bem-estar) #

Lazer, turismo, paisagem, saber tradicional e valores espirituais. Quando um recife branqueia ou uma praia é tomada pelo lixo, o turismo cai e as comunidades perdem renda e parte de sua identidade.

Principais causas #

  • Desmatamento e mudança no uso da terra: a principal causa, segundo o IPBES. Florestas, campos e áreas úmidas são trocados por pastos, lavouras e cidades.
  • Poluição: esgoto, agrotóxicos, metais e plástico comprometem a purificação natural da água e a segurança dos alimentos. Veja Poluição nos ecossistemas.
  • Exploração excessiva: pesca, caça e extração de madeira acima da capacidade de reposição.
  • Mudanças climáticas: secas, ondas de calor e chuvas extremas mudam o funcionamento dos ecossistemas.
  • Espécies invasoras: tomam o lugar das nativas e alteram solo, água e cadeia alimentar.

Consequências para as pessoas #

  • Menos segurança alimentar: menos polinização, solo mais pobre e menos peixe.
  • Mais desastres: sem manguezais, matas ciliares e vegetação nas encostas, tempestades, enchentes e deslizamentos causam mais danos.
  • Mais riscos à saúde: água contaminada, ar poluído e mais contato entre pessoas e animais silvestres. Segundo o IPBES, as mesmas atividades que degradam a natureza aumentam o risco de novas doenças passarem dos animais para as pessoas. Veja A destruição da natureza aumenta o risco de pandemias e Zoonose.
  • Mais desigualdade: comunidades pobres, indígenas e tradicionais, que dependem mais diretamente da natureza, são as primeiras a sentir a perda.

Como evitar a perda #

  1. Conservar o que resta: áreas protegidas, terras indígenas e matas ciliares mantêm os serviços funcionando.
  2. Restaurar: o reflorestamento com espécies nativas e a recuperação de áreas úmidas devolvem água e solo. Veja Restauro ecológico.
  3. Produzir de outro jeito: a agroecologia, a rotação de culturas e a proteção das matas perto das lavouras mantêm polinizadores e controladores naturais de pragas.
  4. Pagar por serviços ambientais: programas que remuneram produtores por proteger nascentes, como os previstos na Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais (Lei nº 14.119/2021).
  5. Consumir com consciência: reduzir o desperdício e escolher produtos de origem conhecida.

Veja também #

Resumo: principais perguntas e respostas #

O que é perda de serviços ecossistêmicos?

É quando a natureza deixa de entregar, total ou parcialmente, benefícios como água limpa, solo fértil, polinização, chuva regular e proteção contra enchentes.

Quanto dos serviços da natureza já foi perdido?

A Avaliação Ecossistêmica do Milênio (2005) concluiu que 15 dos 24 serviços avaliados estavam degradados ou superexplorados. O IPBES (2019) registrou queda em 14 das 18 categorias de contribuições da natureza desde 1970.

Quais são as principais causas da perda de serviços ecossistêmicos?

Desmatamento e mudança no uso da terra, poluição, exploração excessiva, mudanças climáticas e espécies invasoras.

Dê um exemplo de perda de serviço ecossistêmico.

O colapso do bacalhau no Canadá, que levou ao fechamento da pesca em 1992 e deixou cerca de 30 mil pessoas sem trabalho.

Como evitar a perda de serviços ecossistêmicos?

Conservando áreas naturais, restaurando as degradadas, produzindo com práticas sustentáveis e pagando a quem protege nascentes e florestas.

Fontes #

  • Millennium Ecosystem Assessment. Ecosystems and Human Well-being: Synthesis. ONU, 2005.
  • Heritage Newfoundland and Labrador. Economic Impacts of the Cod Moratorium.
  • IPBES. Global Assessment Report on Biodiversity and Ecosystem Services. 2019.
  • IPBES. Workshop Report on Biodiversity and Pandemics. 2020.
  • Costanza, R. et al. Changes in the global value of ecosystem services. Global Environmental Change, 2014.
  • BPBES e REBIPP. Relatório Temático sobre Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos no Brasil. 2019.
  • OMS. WHO Scientific advisory group issues report on origins of COVID-19. 27/06/2025.
  • Brasil. Lei nº 14.119, de 13 de janeiro de 2021 (Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais).

Pastas Ecopédia

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