Relatório Living Planet (Planeta Vivo): o que é e o que mostra

Atualizado em: 28/10/2026 · Nível de leitura: Ensino Médio

Relatório Living Planet 2022
Relatório Living Planet 2022

O Relatório Living Planet, chamado em português de Relatório Planeta Vivo, é um estudo publicado pelo WWF que acompanha o estado da vida selvagem no mundo. Ele mostra como as populações de animais vertebrados (mamíferos, aves, peixes, répteis e anfíbios) mudaram desde 1970. É uma das principais referências sobre a perda de biodiversidade, usada por governos, pesquisadores e pela imprensa.

Quem faz e desde quando #

  • WWF: uma organização internacional de conservação, que publica o relatório desde 1998.
  • Sociedade Zoológica de Londres (ZSL): calcula o índice principal do relatório, o Índice Planeta Vivo.
  • Pesquisadores e instituições do mundo todo: fornecem os dados de campo. Os parceiros estão listados no site do índice. No Brasil, os dados do país na edição de 2024 foram organizados com a participação de um pesquisador da Universidade de São Paulo.

O relatório sai a cada dois anos, mais ou menos. A edição mais recente é a de 2026, lançada em 8 de outubro de 2026.

Como funciona o Índice Planeta Vivo #

O índice reúne contagens de populações de animais feitas por pesquisadores ao longo de décadas. Uma população é o grupo de animais de uma espécie que vive num lugar, como os botos de um trecho de rio ou as onças de um parque.

Para cada população, o índice calcula quanto ela cresceu ou diminuiu desde 1970. Depois, faz a média de todas essas variações. A edição de 2026 acompanhou 35.803 populações de 5.790 espécies.

O que a edição de 2026 mostrou #

Segundo o WWF, entre 1970 e 2022 o tamanho médio das populações acompanhadas caiu 73%. É o mesmo número da edição de 2024, que ia até 2020. A edição de 2022 falava em 69%.

Repetir os 73% não quer dizer que nada mudou. A cada edição entram populações novas e as séries antigas são recalculadas, por isso os números de uma edição não se comparam diretamente com os da outra, como explica o Our World in Data.

Por região:

RegiãoQueda média
América Latina e Caribe95%
África80%
Ásia e Pacífico49%
América do Norte28%
Europa e Ásia Central23%
Gráfico de barras da queda média das populações de animais acompanhadas entre 1970 e 2022: 73% no mundo, 95% na América Latina e Caribe, 80% na África, 49% na Ásia e Pacífico, 28% na América do Norte e 23% na Europa e Ásia Central
Queda média das populações acompanhadas, por região, de 1970 a 2022. Gráfico: 123 Ecos, com dados do WWF (Relatório Planeta Vivo 2026) e do Our World in Data.

Por tipo de ambiente:

  • água doce: 85%;
  • terra: 69%;
  • mar: 59%, segundo o WWF-UK (o texto do WWF-Brasil traz 56%).

Principais ameaças, da mais citada para a menos citada: perda e degradação de habitat, exploração excessiva (caça e pesca além do limite), mudanças climáticas, poluição, espécies invasoras e doenças. Segundo o WWF, a perda de habitat vem principalmente da expansão da agropecuária.

Como ler o número de 73% #

Esse é o ponto mais mal entendido do relatório. O próprio WWF esclarece:

  • os 73% não significam que morreram 73% dos animais do planeta;
  • não significam que 73% das populações desapareceram;
  • significam que, em média, as populações acompanhadas ficaram 73% menores.

Na prática, na edição de 2026, 50% das populações acompanhadas diminuíram, 43% aumentaram e 7% ficaram estáveis, segundo o Our World in Data. As que caíram muito puxam a média para baixo, e o resultado da conta é uma queda média de 73%.

Também é preciso lembrar que o índice só inclui populações com contagens repetidas ao longo do tempo. Regiões e grupos de animais mais estudados têm mais peso nos dados.

Os limites do índice #

O Índice Planeta Vivo é muito usado, mas os próprios cientistas apontam cuidados na leitura:

  • Ele mede populações, e não espécies. Uma espécie pode ter populações que caem num lugar e crescem em outro.
  • Depende de onde há dados. Europa e América do Norte têm contagens mais antigas e frequentes. Em boa parte dos trópicos, onde vive a maior variedade de espécies, os dados são mais escassos.
  • Só inclui vertebrados. Insetos, plantas e fungos, que são a maior parte das espécies, ficam de fora.
  • Uma média esconde casos diferentes. Algumas populações caem muito e puxam a média para baixo, enquanto outras se recuperam, como as de espécies protegidas por leis e por áreas de conservação.

Por isso, o relatório é lido junto com outras avaliações, como a do IPBES, o painel científico das Nações Unidas sobre biodiversidade, que em 2019 estimou em cerca de 1 milhão o número de espécies ameaçadas de extinção. Veja Desequilíbrio ecológico.

O que o relatório diz da Amazônia #

A edição de 2026 cita a perda da capacidade da Amazônia de absorver carbono como exemplo de ponto de inflexão negativo, segundo o WWF-Brasil. O resumo executivo da edição de 2024 já citava a Amazônia entre os ecossistemas que podem chegar a um ponto de não retorno:

  • esse ponto pode ser atingido se 20% a 25% da floresta for destruída;
  • cerca de 14% a 17% da Amazônia já foram desmatados;
  • o desmatamento e as mudanças climáticas estão reduzindo as chuvas, e a floresta pode chegar a condições em que não se mantém como floresta tropical.

Veja O que acontece quando um ecossistema passa do ponto de não retorno?

As metas para 2030 #

O relatório liga os resultados às metas que os países assumiram. A principal delas foi aprovada em 2022, na conferência da ONU sobre biodiversidade conhecida como COP 15:

  • Marco Global da biodiversidade de Kunming-Montreal: proteger 30% das terras, águas e mares e restaurar 30% das áreas degradadas até 2030. Na edição de 2024, o WWF registrava que as áreas protegidas cobriam 16% da terra e 8% dos oceanos.
  • Acordo de Paris: limitar o aquecimento a 1,5 °C. Na edição de 2024, o WWF calculava que os compromissos dos países levavam a quase 3 °C até o fim do século.

Resumo: principais perguntas e respostas #

O que é o Relatório Living Planet?

É um estudo do WWF, publicado desde 1998, que acompanha a variação das populações de animais vertebrados no mundo desde 1970.

Qual a queda mostrada pelo relatório de 2026?

O tamanho médio das populações acompanhadas caiu 73% entre 1970 e 2022. Na América Latina e no Caribe, a queda foi de 95%.

Os 73% significam que morreram 73% dos animais?

Não. É a média das variações das populações acompanhadas, e não a quantidade de animais perdidos.

Qual é a principal ameaça à vida selvagem segundo o relatório?

A perda e a degradação de habitat, ligada principalmente à produção de alimentos, seguida da exploração excessiva.

O que o relatório diz da Amazônia?

Na edição de 2024, que ela pode chegar a um ponto de não retorno se 20% a 25% da floresta for destruída. Cerca de 14% a 17% já foram desmatados.

Fontes #

Pastas Ecopédia

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