São três nomes para três papéis diferentes. Uma espécie-chave é aquela cujo sumiço muda o ecossistema inteiro, mesmo que ela seja pouco numerosa. Uma espécie-bandeira é uma espécie carismática, escolhida para chamar a atenção do público e atrair apoio para a conservação. Uma espécie guarda-chuva é aquela que precisa de uma área tão grande que, ao protegê-la, protege-se junto muitas outras espécies.
Espécie-chave #
O termo foi criado pelo ecólogo Robert Paine, nos Estados Unidos, depois de um experimento famoso nos anos 1960. Ele retirou uma espécie de estrela-do-mar de um trecho de costão rochoso. Sem a predadora, os mexilhões tomaram conta das rochas e muitas outras espécies sumiram daquele trecho.
O nome vem da arquitetura: a pedra-chave é a do alto do arco, que segura as outras. Predadores de topo, grandes dispersores de sementes e engenheiros do ambiente, como castores e cupins, costumam ser citados como espécies-chave. Veja mais em Complexidade dos ecossistemas.
Espécie-bandeira #
O critério aqui não é ecológico, é de comunicação. Uma espécie bonita, conhecida e fácil de reconhecer ajuda a mobilizar pessoas e recursos.
O exemplo brasileiro mais conhecido é o mico-leão-dourado, da Mata Atlântica do Rio de Janeiro. Nos anos 1970 restavam menos de 200 animais na natureza. Com reflorestamento, corredores e manejo, a população chegou a cerca de 4.800 em 2023, mesmo depois de a febre amarela matar cerca de um terço dos micos a partir de 2017. A campanha pelo mico ajudou a proteger a floresta onde vivem muitas outras espécies.
Espécie guarda-chuva #
A onça-pintada é o exemplo clássico. Cada animal precisa de uma área grande para caçar, de 60 a 200 km² no Pantanal e até 400 km² no Cerrado e na Caatinga. Uma área grande o bastante para manter uma população de onças protege também as presas, as plantas e os rios dessa área. Veja Por que a onça-pintada é importante para a conservação?.
Uma espécie pode ser as três coisas #
A onça-pintada é ao mesmo tempo predadora de topo, símbolo conhecido e espécie que exige grandes áreas. Por isso aparece com frequência nos planos de conservação.
Ver também: Conservação da biodiversidade e Reintrodução de espécies nativas.
Fontes #
- Paine, R. T. A note on trophic complexity and community stability. The American Naturalist, 1969.
- Olhar Digital. Mico-leão-dourado: população e ameaças, com dados do censo de 2023 da Associação Mico-Leão-Dourado.
- Revista Pesquisa FAPESP. Reportagem sobre a situação da onça-pintada no Brasil. Ed. 306, ago. 2021.
