A migração dos animais marinhos é o deslocamento regular de peixes, mamíferos, crustáceos e outros animais entre lugares diferentes do oceano, para se alimentar, se reproduzir ou fugir de condições ruins. Há dois tipos de deslocamento. Um é natural e repetido, como as viagens das baleias. O outro é a mudança de endereço de muitas espécies para águas mais frias, por causa das mudanças climáticas.
As migrações naturais #
As baleias-jubarte. Segundo a NOAA, a agência dos Estados Unidos para o oceano e a atmosfera, algumas populações nadam cerca de 5 mil milhas (uns 8 mil km) entre as águas tropicais, onde se reproduzem no inverno, e as águas frias e ricas em alimento, onde comem no verão. É uma das migrações mais longas entre os mamíferos. Veja Baleia-jubarte e Baleias.
A subida diária do plâncton. Todos os dias, uma multidão de pequenos animais, a maioria zooplâncton, como peixes pequenos, crustáceos e águas-vivas, sobe para perto da superfície à noite e volta para o fundo ao amanhecer. Segundo a NOAA, essa camada de animais em movimento “representa a maior migração da Terra”. Veja Cadeia alimentar.
As aves também migram, muitas delas por cima do mar. Veja Migração de aves.
O deslocamento para águas mais frias #
O aquecimento global esquenta a água do mar. Muitas espécies dependem de uma faixa de temperatura para viver e se reproduzir, e acompanham a água fria: vão para mais perto dos polos ou para mais fundo.
| Dado | Período | Fonte |
|---|---|---|
| As espécies do mar se deslocam para os polos, em média, 72 km por década | Estudo de 2013 | Poloczanska e colegas, Nature Climate Change, segundo a Universidade da Austrália Ocidental |
| As espécies da terra se deslocam, em média, 6 km por década | Estudo de 2013 | Poloczanska e colegas |
| As espécies do mar adiantam a reprodução e a migração em 4,4 dias por década | Estudo de 2013 | Poloczanska e colegas |
| Na costa nordeste dos Estados Unidos, as espécies de peixes e frutos do mar foram, em média, cerca de 110 milhas (uns 180 km) para o norte; no leste do mar de Bering, no Alasca, 19 milhas (uns 30 km) | Desde o começo dos anos 1970 (nordeste) e dos anos 1980 (Bering), até 2018 | NOAA Climate.gov, 140 espécies |
| A acidez do oceano aumentou cerca de 30% (o pH caiu cerca de 0,1) | Desde a Revolução Industrial | NOAA, 2022 |
Ou seja, segundo o estudo de Poloczanska e colegas, a vida do mar está mudando de lugar mais de dez vezes mais rápido do que a vida da terra.
Outras mudanças do oceano somam pressão sobre os animais. A acidificação, causada pelo gás carbônico que o mar absorve do ar, atrapalha os animais que fazem concha ou esqueleto de calcário, como ostras e corais, segundo a NOAA. Veja Acidificação dos oceanos. As correntes também estão mudando; veja Mudanças nas correntes oceânicas.
O efeito na pesca #
Quando os peixes mudam de lugar, as regras de pesca, feitas para cada país e cada região, ficam para trás. Segundo o estudo de Malin Pinsky, da Universidade Rutgers, e colegas, publicado na Science em 2018 e divulgado pela Universidade da Colúmbia Britânica:
- foram analisados 892 estoques de peixes;
- se as emissões de gases de efeito estufa seguirem como estão, 70 ou mais países devem receber novas populações de peixes em suas águas até 2100;
- a “guerra da cavala”, de 2007, entre a Islândia e a União Europeia, é um exemplo de disputa entre países causada pela mudança de lugar de um peixe.
Nas palavras de Gabriel Reygondeau, um dos autores: “os peixes do mar não têm passaporte e não conhecem fronteiras políticas”. Veja Pesca sustentável e Biodiversidade marinha.
Os acordos e a proteção #
O Acordo de Paris, de 2015, é o principal acordo internacional para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, a causa do aquecimento do mar. As áreas marinhas protegidas são trechos do mar com regras para limitar a pesca e outras atividades.
Resumo: principais perguntas e respostas #
É o deslocamento regular de animais entre lugares diferentes do oceano, para se alimentar, se reproduzir ou fugir de condições ruins.
Segundo a NOAA, é a subida diária de pequenos animais do plâncton para perto da superfície à noite, e a volta para o fundo ao amanhecer.
Algumas populações nadam cerca de 8 mil km entre as águas tropicais, onde se reproduzem, e as águas frias, onde se alimentam, segundo a NOAA.
Sim. Segundo Poloczanska e colegas (2013), elas vão para os polos, em média, 72 km por década, mais de dez vezes mais rápido que as espécies da terra.
Os peixes saem das áreas onde eram pescados e entram nas águas de outros países. Segundo Pinsky e colegas (2018), 70 ou mais países devem receber novas populações de peixes até 2100.
Fontes #
- NOAA Fisheries. Humpback whale.
- NOAA Ocean Exploration. Life in the water column: October – November 2021.
- University of Western Australia. Marine life on the move as oceans warm. 5 ago. 2013. Sobre Poloczanska, E. e colegas, Nature Climate Change, 2013.
- NOAA Climate.gov. In search of cooler waters, marine species are shifting northward or diving deeper. 3 nov. 2020.
- NOAA Science Council. State of the science fact sheet: ocean acidification. Jul. 2022.
- University of British Columbia. Climate change has fish moving faster than regulations can keep up. 14 jun. 2018. Sobre Pinsky, M. e colegas, Science, 2018.
