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Como a abelha africanizada chegou ao Brasil e qual o seu papel na polinização?

Atualizado em: 24/10/2026 · Nível de leitura: Ensino Médio

A abelha africanizada surgiu no Brasil a partir de rainhas africanas trazidas em 1956 para pesquisa e de uma fuga acidental de enxames em 1957, em Rio Claro (SP). Essas abelhas cruzaram com as abelhas europeias que já existiam no país, e o híbrido se espalhou pelas Américas. Hoje ela é a abelha com ferrão criada no Brasil e uma das principais polinizadoras de lavouras.

A história #

  • Antes de 1956: a apicultura brasileira usava abelhas europeias (Apis mellifera), trazidas desde o século 19, que se adaptavam mal ao clima tropical e produziam pouco mel.
  • 1956: o geneticista Warwick Kerr foi à África buscar rainhas de uma subespécie africana, mais adaptada ao calor, para tentar criar uma abelha mais produtiva. Das 133 rainhas trazidas, 47 sobreviveram.
  • 1957: num apiário experimental em Rio Claro, um visitante retirou por engano as telas que prendiam as rainhas, e 26 enxames escaparam.
  • Depois: os enxames fugidos cruzaram com as abelhas europeias. O resultado, a abelha africanizada, se espalhou pela América do Sul e Central e chegou aos Estados Unidos décadas depois.

Mais defensiva #

A africanizada defende a colmeia com mais força que a europeia, e ataques com muitas ferroadas podem ser graves. Por isso a apicultura teve de mudar: os apiários passaram a ficar longe de casas e estradas, e os apicultores usam roupas de proteção completas. Ao encontrar um enxame, a orientação é não mexer e chamar o Corpo de Bombeiros ou um apicultor.

O papel na polinização e no mel #

  • Mel: depois de os apicultores aprenderem a manejá-la, a produção cresceu muito. Em 2023, o Brasil produziu um recorde de 64,2 mil toneladas de mel, segundo o IBGE, com Rio Grande do Sul, Piauí e Paraná à frente.
  • Polinização: a africanizada é a abelha usada no aluguel de colmeias para polinizar lavouras, como a maçã, em Santa Catarina, e o melão, no Nordeste. Também visita soja, café, laranja e muitas outras culturas.
  • Saúde: ela tolera melhor o ácaro varroa do que as abelhas europeias, o que ajuda a explicar os níveis baixos de infestação no país. Veja Quais doenças e parasitas ameaçam as abelhas?.

E as abelhas nativas? #

A africanizada não substitui as abelhas nativas. Em grande número, ela compete por flores com as abelhas silvestres. Por isso, o manejo sustentável cuida das colmeias e também dos polinizadores nativos. Veja Por que as abelhas sem ferrão são importantes para o Brasil? e O que é manejo sustentável de abelhas?.

Fontes #

Pastas Ecopédia

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