123 Ecos Redação
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Atualizado em: 28/10/2026
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Perda de biodiversidade é a redução da variedade de vida em um lugar ou no planeta: o desaparecimento de espécies, a diminuição das populações, a perda de diversidade genética e a degradação de ecossistemas inteiros.
A perda não acontece só quando uma espécie é extinta. Uma espécie que ainda existe, mas cujas populações caíram muito, já deixou de cumprir boa parte do seu papel nos ecossistemas.
A situação no mundo
O relatório global da IPBES, aprovado em 2019, estima que existam cerca de 8 milhões de espécies de animais e plantas no planeta. Até 1 milhão delas estão ameaçadas de extinção, muitas nas próximas décadas.
Segundo o mesmo relatório:
- 75% do ambiente terrestre e 66% do ambiente marinho foram gravemente alterados por ações humanas;
- a taxa atual de extinção de espécies é dezenas a centenas de vezes maior que a média dos últimos 10 milhões de anos.
O Índice Planeta Vivo
O WWF acompanha a variação das populações de animais silvestres pelo Índice Planeta Vivo. A edição de 2026 reuniu 35.803 populações de 5.790 espécies de anfíbios, aves, peixes, mamíferos e répteis.
Entre 1970 e 2022, o tamanho médio dessas populações caiu 73%. A queda mais acentuada foi na América Latina e no Caribe: 95%.
O índice mede a variação média das populações monitoradas. Não significa que 73% dos animais do planeta desapareceram.
A situação no Brasil
O Brasil está entre os países com maior biodiversidade do mundo, com seis biomas terrestres: Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pantanal e Pampa.
Espécies ameaçadas
A lista oficial em vigor, de 2022, reconhece 1.253 espécies da fauna ameaçadas de extinção. A avaliação mais recente do Instituto Chico Mendes (ICMBio), publicada em 2024, chegou a 1.264. Segundo o ICMBio, as principais ameaças à fauna são a agricultura, a pecuária e a expansão urbana. Veja mais em Extinção de espécies.
Perda de vegetação nativa
Pelo MapBiomas (Coleção 11), a vegetação nativa caiu de 79% para 65% do território brasileiro entre 1985 e 2025. No mesmo período, as pastagens cresceram 61,6 milhões de hectares, e a agricultura passou de 18,6 milhões para 66,5 milhões de hectares.
Desmatamento na Amazônia
O desmatamento da Amazônia Legal é medido todo ano pelo INPE, no sistema PRODES. A taxa estimada para 2026 foi de 3.335 km², a menor de toda a série histórica, iniciada em 1988. No Cerrado, a taxa estimada foi de cerca de 5.517 km², também a menor da série desse bioma.
A queda recente mostra que o desmatamento responde a políticas públicas, mas a área desmatada continua grande: 3.335 km² equivalem a mais de duas vezes a área da cidade de São Paulo.
Principais causas
A IPBES classificou cinco causas diretas da perda de biodiversidade, da maior para a menor influência em escala global:
- Mudança no uso da terra e do mar: conversão de florestas e campos em pastagens, lavouras e cidades. No Brasil, é a principal causa.
- Exploração direta de organismos: caça, pesca e extração acima da capacidade de reposição, incluindo o tráfico de animais silvestres.
- Mudança do clima: altera temperaturas, chuvas e a química dos oceanos.
- Poluição: agrotóxicos, esgoto, plásticos e resíduos industriais.
- Espécies exóticas invasoras: competem com as nativas, as predam ou transmitem doenças.
Por trás dessas causas diretas, a IPBES aponta causas indiretas, como os padrões de produção e consumo, o crescimento da demanda por recursos e a forma como os governos regulam o uso da natureza.
Consequências
A perda de biodiversidade afeta os serviços ecossistêmicos, os benefícios que as pessoas obtêm da natureza:
- Alimentação: a polinização de muitas lavouras depende de insetos e outros animais, e a pesca depende de estoques saudáveis.
- Água: florestas e áreas úmidas regulam o fluxo e a qualidade da água.
- Clima: o desmatamento libera carbono e contribui para o aquecimento global.
- Proteção contra desastres: a vegetação reduz a erosão, as enchentes e os deslizamentos.
- Cultura: para povos indígenas e comunidades tradicionais, espécies e paisagens fazem parte da identidade e do modo de vida.
Respostas
Os principais instrumentos usados para conter a perda de biodiversidade são:
- Áreas protegidas, como parques e reservas, e terras indígenas.
- Combate ao desmatamento, com monitoramento por satélite e fiscalização.
- Restauração de ecossistemas degradados.
- Acordos internacionais, como a Convenção sobre Diversidade Biológica e o controle do comércio de espécies pela CITES.
Ver também: Conservação biológica.
Resumo: principais perguntas e respostas
É a redução da variedade de vida: o desaparecimento de espécies, a diminuição das populações, a perda de diversidade genética e a degradação dos ecossistemas.
Segundo a IPBES, as cinco causas diretas são, em ordem: mudança no uso da terra e do mar, exploração direta de organismos, mudança do clima, poluição e espécies exóticas invasoras.
Ela reduz os serviços que a natureza presta às pessoas, como a polinização de lavouras, a regulação da água e do clima e a proteção contra erosão e enchentes.
Segundo o PRODES, do INPE, a taxa estimada de 2026 foi de 3.335 km², a menor de toda a série iniciada em 1988.
Porque muitas lavouras dependem de polinizadores, a pesca depende de estoques saudáveis, e a diversidade genética das plantas cultivadas protege as lavouras contra pragas e mudanças no clima.
Fontes
- IPBES. Nature’s dangerous decline “unprecedented”; species extinction rates “accelerating”. Comunicado de 6 maio 2019.
- WWF-UK. Living Planet Report 2026 (comunicado de lançamento). 8/10/2026.
- ICMBio. Avaliação do risco de extinção da fauna brasileira (2015 a 2023): sumário executivo. Set. 2024.
- INPE/MMA. Amazônia: taxas de desmatamento PRODES 2026. 16 out. 2026.
- MapBiomas. Com menos vegetação nativa, uso da terra no Brasil fica mais exposto aos eventos extremos do El Niño (Coleção 11, 1985–2025). 12 ago. 2026.
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