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Harpia (Harpia harpyja): como é, onde vive e o que a ameaça

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 04/11/2026

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A harpia (Harpia harpyja), também chamada de gavião-real, é uma ave de rapina que depende das florestas tropicais para viver, caçar e se reproduzir. Caça animais de médio e grande porte, como preguiças e macacos, e cria um só filhote a cada três anos. Na avaliação do ICMBio publicada em 2018, foi classificada como Vulnerável.

FichaDados
Nome comumHarpia; gavião-real
Nome científicoHarpia harpyja (Linnaeus, 1758)
Ordem e famíliaAccipitriformes; Accipitridae
Onde viveDo sul do México ao leste da Bolívia, ao leste do Brasil e ao extremo nordeste da Argentina
ReproduçãoUm ou dois ovos, mas só um filhote é criado; os adultos se reproduzem a cada três anos (ICMBio, 2018)
Situação na IUCNQuase Ameaçada, na avaliação global citada pela ficha do ICMBio (2018)
Situação no BrasilVulnerável na avaliação publicada em 2018; não aparece no Anexo I da Portaria MMA 1.704/2026

A harpia é uma das aves que o site apresenta em Aves do Brasil.

Onde vive

Segundo a ficha da espécie no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (ICMBio, 2018), a harpia vive dentro da área original das florestas tropicais das Américas, do sul do México ao extremo nordeste da Argentina. Mais de 50% da área total onde ela ocorre fica nas florestas do Brasil.

É uma espécie que depende da floresta, normalmente abaixo de 900 metros de altitude. Vive em grandes áreas contínuas de mata, mas há registros de ninhos em áreas com muita silvicultura, onde os adultos caçam num mosaico de floresta e pastagem.

Segundo a ficha de 2018, no Brasil os registros são mais comuns na Amazônia. Na Mata Atlântica, a situação é crítica e os registros são raros, a maioria no Espírito Santo e no sul da Bahia, com ninhos na Reserva Natural Vale (ES), na RPPN Estação Veracel e no Parque Nacional do Pau-Brasil (BA). Também há registros em matas do Cerrado e do Pantanal.

A ficha registra a espécie em dezenas de unidades de conservação, como o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (AP), o Parque Nacional do Viruá (RR), o Parque Nacional de Anavilhanas (AM), a Reserva Biológica de Sooretama (ES), o Parque Nacional do Iguaçu (PR) e o Parque Estadual do Turvo (RS), onde houve um registro em 2015.

O que come

Segundo o ICMBio (2018), a harpia caça vertebrados de médio e grande porte, a maioria em bordas de mata, clareiras e no alto das árvores, o dossel. Entre as presas registradas estão:

  • mamíferos, como preguiças, bugios, macacos-prego, gambás, porcos-espinhos, tamanduás, quatis, iraras e juparás;
  • alguns mamíferos do chão, como cotias e veados jovens;
  • répteis, como iguanas e lagartos do gênero Tupinambis;
  • aves, como araras, tucanos, papagaios e mutuns.

A ficha diz que a importância de cada presa na dieta muda de um lugar para outro.

Como vive

Segundo a ficha de 2018, a harpia vive muito e se reproduz pouco:

  • um casal precisa de uma área grande: um estudo estimou mais de 100 km² por casal; na Venezuela, as estimativas vão de 45 a 79 km², e no Panamá, de 10 a 20 km², calculadas pela distância entre os ninhos;
  • a fêmea põe um ou dois ovos, mas só um filhote é criado;
  • os adultos se reproduzem a cada três anos e costumam usar de novo a mesma árvore para o ninho;
  • o tempo de uma geração é estimado em 18,5 anos.

Você sabia?

A harpia faz o ninho nas árvores mais altas da floresta. Segundo a ficha do ICMBio (2018), há registros de 19 espécies de árvores emergentes usadas para os ninhos, como o angelim, a samaúma, o jatobá e a castanheira.

Ameaças

Segundo o ICMBio (2018), as ameaças são a perda de floresta pelo desmatamento, a caça, a captura para criação em cativeiro, o corte de árvores com ninho ativo na exploração de madeira e os impactos de estradas, hidrelétricas e redes de energia. A espécie também é alvo do tráfico internacional de animais silvestres. A baixa densidade e a reprodução lenta agravam o quadro.

A ficha dá exemplos:

  • na região da usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, quatro harpias foram retiradas da natureza entre 2012 e 2014: duas pela caça, uma por colisão com uma rede de energia e uma por atropelamento;
  • no norte do Espírito Santo, duas harpias morreram ao bater em redes de energia, em 1999 e em 2014, e uma foi atropelada na BR-101, em 2015, perto da Reserva Biológica de Sooretama;
  • as árvores usadas para os ninhos são procuradas pela indústria madeireira, e o corte seletivo já destruiu vários ninhos ativos.

Modelos citados pela ficha projetam, para a Amazônia, uma perda de 27,6% a 55,5% do ambiente da harpia entre 2002 e 2057, o tempo de três gerações da espécie. A ficha registra também que a variedade genética da espécie diminuiu no arco do desmatamento da Amazônia e na Mata Atlântica.

Conservação

Na avaliação nacional anterior, a harpia estava como Quase Ameaçada. Na avaliação publicada em 2018, foi classificada como Vulnerável, e a ficha dá como motivo uma “mudança genuína no estado de conservação”. Ela não aparece no Anexo I da Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, a lista nacional de espécies ameaçadas; a portaria não traz o motivo.

Nas listas estaduais citadas pela ficha de 2018, a harpia estava Criticamente em Perigo no Espírito Santo, em Minas Gerais, no Paraná, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, Em Perigo no Rio de Janeiro e ameaçada em São Paulo.

Segundo a ficha, a harpia está nos planos de ação nacionais das aves da Amazônia, do Cerrado e Pantanal e da Mata Atlântica, e nos apêndices I e II da CITES. No Brasil, as pesquisas são feitas principalmente pelo Programa de Conservação do Gavião-real, iniciado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) no fim de 1997. A ficha aponta como necessárias a manutenção de áreas naturais pouco alteradas, corredores entre fragmentos de floresta, a proteção das árvores com ninho e da mata em volta, mesmo em áreas de manejo florestal, e o combate à caça, à perseguição e ao tráfico.

Fontes

O tema completo, reunido na vitrine Enciclopédia da Fauna Brasileira →

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