123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
O veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus), também chamado de veado-branco, é o veado dos campos abertos da América do Sul. No Brasil, vive em áreas de campo do Cerrado, do Pantanal e do Sul. Na lista nacional de 2026, a subespécie Ozotoceros bezoarticus bezoarticus está Vulnerável à extinção.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Veado-campeiro, veado-branco |
| Nome científico | Ozotoceros bezoarticus (Linnaeus, 1758) |
| Família | Cervidae (veados) |
| Subespécies no Brasil | O. b. bezoarticus e O. b. leucogaster (ICMBio, 2018) |
| Onde vive | Ambientes abertos ao sul do rio Amazonas |
| Situação na IUCN | Quase Ameaçado, na avaliação global citada pela ficha do ICMBio (2018) |
| Situação no Brasil | O. b. bezoarticus: Vulnerável (Portaria MMA 1.704/2026) |
O veado-campeiro é um dos veados que o site apresenta em Veados do Brasil.
Onde vive
Segundo a ficha da espécie no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (ICMBio, 2018), o veado-campeiro ocorria originalmente nos ambientes abertos entre as latitudes de 5° e 41° Sul, no Brasil, na Bolívia, no Paraguai, no Uruguai e na Argentina. Hoje, as populações estão restritas a áreas limitadas, pequenas e isoladas umas das outras. Um estudo de Weber e Gonzalez, citado pela ficha, fala numa diminuição de 98% da área de distribuição.
No Brasil, o ICMBio avaliou em 2018 duas subespécies:
- O. b. bezoarticus, do centro-oeste e do Cerrado, que depende dos campos abertos desse bioma;
- O. b. leucogaster, do Pantanal e do sul de Mato Grosso, que se estende ao sudeste da Bolívia e ao Paraguai.
Nos campos do Sul, como no Pampa e no planalto de Santa Catarina e do Paraná, a ficha descreve populações pequenas e isoladas, “as últimas de uma paisagem completamente modificada”.
Como vive
Segundo o ICMBio (2018):
- come sobretudo partes macias e nutritivas das plantas, como flores, folhas novas e brotos;
- vive em grupos pequenos, que raramente passam de cinco ou seis animais e que se formam e se desfazem o tempo todo;
- cada animal divide pelo menos 80% da sua área de vida com outros veados;
- é ativo sobretudo de dia;
- seus predadores naturais são a onça-pintada e a onça-parda; no Parque Nacional das Emas, há registros de predação por lobo-guará e sucuri.
Quantos são
As estimativas da ficha de 2018 são diferentes para cada subespécie:
- O. b. bezoarticus: cerca de 6.500 adultos. O número saiu de uma conta: o Parque Nacional das Emas, que a ficha descreve como a maior e mais bem preservada área de Cerrado e o foco das pesquisas com a subespécie, tem cerca de 800 animais (0,6 por km²), e o ICMBio supôs um terço dessa densidade nas outras unidades de conservação onde a espécie ocorre;
- O. b. leucogaster: cerca de 40.000 animais no Pantanal, dos quais mais de 1.000 adultos.
A ficha cita ainda uma estimativa de 60.000 animais para o Pantanal (Mourão e colegas), com dados preliminares de uma queda de densidade de cerca de 30% ao ano entre 1991 e 1993.
Ameaças
O ICMBio (2018) aponta:
- a perda dos campos, com a pecuária, a soja, a cana-de-açúcar e as plantações de pinus e eucalipto;
- a caça, esportiva, de subsistência e ligada a crenças de que partes do corpo do veado curam doenças;
- as doenças passadas por animais domésticos, e a competição com ovelhas, que comem o mesmo tipo de planta;
- no Pantanal, a troca dos pastos naturais por capim exótico.
Você sabia?
O jeito de viver do veado-campeiro facilita a caça. Segundo a ficha do ICMBio (2018), ele é ativo de dia, vive em campo aberto e se deixa aproximar com facilidade: na maioria das populações, é possível chegar a 10 ou 30 metros com uma aproximação cuidadosa. Só as populações muito perseguidas ficam ariscas.
Para a subespécie do Pantanal, a ficha suspeita de uma queda futura de mais de 30% em 15 anos por causa das orbiviroses, como a língua-azul, que podem matar até 90% dos cervídeos de cativeiro. É um risco apontado em 2018, deduzido dessa mortalidade, e não uma perda já medida.
Conservação
Na avaliação nacional anterior, feita para a espécie, o veado-campeiro estava Quase Ameaçado. Na avaliação publicada em 2018, as duas subespécies ficaram Vulneráveis. Na lista da Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, aparece só Ozotoceros bezoarticus bezoarticus, como Vulnerável.
A espécie está no Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Cervídeos Brasileiros. Entre as ações que a ficha considera necessárias estão criar unidades de conservação, públicas ou particulares, onde ainda há populações, e controlar os cães dentro das unidades e no entorno.
Fontes
- ICMBio. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, volume II, Mamíferos. Brasília, 2018. Fichas de Ozotoceros bezoarticus bezoarticus e O. b. leucogaster, p. 82–87.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexo I, nº 572.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/veado-campeiro-ozotoceros-bezoarticus-como-e-onde-vive-e-por-que-esta-ameacado/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

