123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
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A ariranha (Pteronura brasiliensis) é um mamífero dos rios da América do Sul, parente das lontras, que vive e caça em grupos familiares. Já ocorreu do Rio Grande do Sul à Amazônia, mas a caça pela pele, até os anos 1980, acabou com muitas populações. Hoje, segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), populações viáveis só existem na Amazônia e no Pantanal. Na lista nacional de 2026, está Em Perigo de extinção.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Ariranha, lontra-gigante, onça-d’água (ICMBio, 2018) |
| Nome científico | Pteronura brasiliensis (Zimmermann, 1780) |
| Família | Mustelidae |
| Peso | 24 kg, em média (Animal Diversity Web) |
| Onde vive | Endêmica da América do Sul; no Brasil, populações viáveis na Amazônia e no Pantanal |
| Situação na IUCN | Em Perigo, segundo a avaliação global citada pelo ICMBio (2018) |
| Situação no Brasil | Vulnerável na avaliação publicada em 2018; Em Perigo na Portaria MMA 1.704/2026 |
Vida em família
Segundo a ficha da espécie no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (ICMBio, 2018), as ariranhas são sociais e ativas de dia. Vivem em grupos de 2 a 16 animais, em que só o casal dominante se reproduz, com a cooperação do grupo. Segundo o Animal Diversity Web, da Universidade de Michigan, cada grupo é formado por um casal e filhos de várias gerações.
Cada grupo usa três tipos de lugar ao longo do seu território:
- locas: tocas cavadas nos barrancos, protegidas por raízes ou árvores caídas, onde nascem os filhotes;
- latrinas: lugares de uso comum para fezes e urina, que marcam o território;
- “campsites”: áreas limpas nos barrancos, geralmente na sombra, usadas para descansar de dia e marcar o território. Cada grupo costuma ter de um a oito.
Os grupos se comunicam com sons e cheiros, o que ajuda a evitar encontros diretos. Mesmo assim, há registros de brigas entre grupos e de canibalismo, segundo a ficha.
Onde vive
A ariranha é endêmica da América do Sul, segundo o ICMBio (2018). Historicamente, vivia na maioria dos países do continente, das Guianas, da Colômbia e da Venezuela até o centro-norte da Argentina. No Brasil, ia do Rio Grande do Sul à Amazônia, com exceção do semiárido da Caatinga.
Hoje, acredita-se que ela não exista mais em grande parte dessa área. Há registros isolados no Cerrado, e a espécie é considerada extinta em toda a Mata Atlântica, apesar de registros indiretos no norte do Paraná. Ela vive, por exemplo, no Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense e no Parque Nacional de Anavilhanas, no Amazonas, ambos listados na ficha. Veja também o bioma Pantanal.
Ela vive em rios, córregos, lagos, várzeas e florestas alagadas, de preferência em águas calmas, com boa transparência e muitos peixes. Segundo um estudo citado pela ficha, a área de vida de um grupo parece ser de 12 a 32 km de rio ou 20 km² de lagos.
O que come e como se reproduz
Segundo o ICMBio (2018):
- come principalmente peixes, e às vezes pequenos mamíferos, aves, répteis e invertebrados. Na seca, quando os peixes se concentram, tende a escolher as presas; na cheia, come o que encontra;
- a gestação dura de 52 a 70 dias, e nascem de um a cinco filhotes, raramente seis, dentro das locas;
- os filhotes saem da loca com cerca de seis semanas, tentam pescar com 2,5 meses e são desmamados por volta dos 9 meses. Ficam com a família até os 2 ou 3 anos, quando saem para formar o próprio grupo;
- na natureza, vive cerca de 11 anos; em cativeiro, cerca de 20.
Lontra ou ariranha?
A ariranha e a lontra-neotropical (Lontra longicaudis) são da mesma família, e em muitos lugares vivem nos mesmos rios. Segundo o ICMBio (2018), elas conseguem conviver por causa das diferenças de corpo e de comportamento, e porque caçam presas de tamanhos diferentes.
| Ariranha | Lontra-neotropical | |
|---|---|---|
| Vida social | Grupos familiares de 2 a 16 (ICMBio, 2018) | Filhotes cuidados pela mãe no primeiro ano (ICMBio, 2013) |
| Peso | 24 kg em média (Animal Diversity Web) | Em geral menos de 12 kg (Animal Diversity Web) |
| Situação em 2026 | Em Perigo | Não consta no Anexo I da Portaria 1.704 |
Quantos são
Segundo a ficha de 2018, o tamanho total da população de ariranhas “é desconhecido”. Os números que existem são de lugares e épocas diferentes:
- Pantanal Sul: 90 ariranhas em 324 km dos rios Aquidauana e Miranda (estudo de 2000); em outro estudo, de 2008, 43 em 75,8 km dos rios Vermelho e Miranda;
- Reserva Xixuaú (RR): cerca de 1 ariranha por km de rio, contando só os animais residentes (estudo de 2011);
- Usina de Balbina (AM): 130 ariranhas em 29 grupos, entre 2001 e 2005, numa área de só 10% do lago;
- Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã (AM): 118 ariranhas amostradas entre 2004 e 2008;
- Parque Estadual do Cantão (TO): 31 ariranhas ao longo de 610,2 km dos rios Araguaia, do Côco, Javaés e Javaezinho (censo de 2006).
A população do rio Vermelho, no Pantanal Sul, parece ter se recuperado da caça, que durou até meados dos anos 1980, e chegado ao limite que o lugar comporta, segundo a ficha. Na Reserva Amanã, a população também parece estar se recuperando. Nas outras áreas, as populações parecem menores, algumas isoladas ou em queda.
Ameaças
Segundo o ICMBio (2018):
- até os anos 1980, a principal ameaça foi a caça para vender a pele, além da captura para zoológicos e para criar como animal de estimação;
- hoje, as principais ameaças são a destruição do habitat, a pesca excessiva, a contaminação da água com mercúrio, agrotóxicos e outros poluentes, a caça ilegal e doenças possivelmente transmitidas por animais domésticos;
- o roubo de filhotes para venda ilegal e os conflitos com pescadores, que podem levar a abates por retaliação, também são frequentes;
- o turismo feito sem regras pode mudar o comportamento dos grupos e levá-los a abandonar o território.
A ficha prevê que as hidrelétricas planejadas nas bacias do Amazonas, do Tocantins e do Alto Paraguai vão atingir as principais áreas da espécie em menos de 20 anos, com perda de habitat e mudança nos peixes. Os casos conhecidos são diferentes entre si. No lago de Balbina (AM), a população aumentou depois da represa, o que os autores ligam à presença da espécie antes da obra, à pouca gente no lugar e às cerca de 3.500 ilhas formadas pelo lago. Em Curuá-Una (PA), as margens foram ocupadas por comunidades humanas, e a espécie não foi mais vista depois da formação do lago. Segundo a ficha, fora Balbina, o impacto das hidrelétricas sobre as ariranhas “ainda é desconhecido e deve ser considerado com cautela”.
Você sabia?
A ariranha já desapareceu de vários estados. Segundo a ficha do ICMBio (2018), ela é considerada regionalmente extinta nas listas de Minas Gerais, do Espírito Santo e do Rio Grande do Sul, “provavelmente extinta” no Rio de Janeiro e Criticamente em Perigo no Paraná. Na Mata Atlântica como um todo, a avaliação por bioma deu Criticamente em Perigo.
Conservação no Brasil
Na avaliação publicada no Livro Vermelho de 2018, a ariranha estava Vulnerável (critério A3cd), pela redução prevista de pelo menos 30% da população em 20 anos. Na lista nacional atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, ela está Em Perigo.
Em 2010, o ICMBio fez o Plano de Ação Nacional para a Conservação da Ariranha, que ganhou novo ciclo em 2015, segundo a ficha de 2018. O objetivo era “identificar e conservar as populações remanescentes de ariranha e lontra” e começar a recuperar a ariranha em áreas da sua distribuição original. Nas fontes consultadas, até 02/11/2026, não encontramos um ciclo desse plano em vigor.
Fontes
- ICMBio. Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção, volume II, Mamíferos. Brasília, 2018. Ficha de Pteronura brasiliensis, p. 369–374.
- Rodrigues, L. A.; Leuchtenberger, C.; Kasper, C. B.; Carvalho Junior, O.; Silva, V. C. F. Lontra longicaudis (Olfers, 1818) no Brasil. Biodiversidade Brasileira, 3(1): 216–227, 2013.
- Bender, J. Pteronura brasiliensis. Animal Diversity Web, Universidade de Michigan, 2001. Berry, K. Lontra longicaudis. Animal Diversity Web, 2000.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexo I, nº 592.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/ariranha-como-vive-em-familia-onde-ainda-existe-e-por-que-esta-em-perigo/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

