123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
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Os anfíbios são animais vertebrados de pele fina e úmida que, em geral, passam parte da vida na água e parte na terra. O grupo reúne três ordens: os anuros (sapos, rãs e pererecas), as cobras-cegas e as salamandras. O Brasil tem 1.250 espécies, segundo a lista da Sociedade Brasileira de Herpetologia (SBH) divulgada em abril de 2026, e é o país com mais anfíbios do mundo, segundo um dos autores da lista.
O que é um anfíbio
Três traços definem a vida de um anfíbio:
- A pele. É fina, sem escamas nem pelos, e deixa passar água e gases. Muitos anfíbios respiram também pela pele, e por isso ela precisa ficar úmida. A pele tem glândulas que produzem muco e, em várias espécies, substâncias tóxicas de defesa.
- A temperatura. O anfíbio não produz o próprio calor: a temperatura do corpo acompanha a do ambiente.
- As duas fases. Na maioria das espécies, o ovo vira uma larva aquática, o girino, que respira por brânquias. Depois de uma mudança de forma comandada por hormônios, a metamorfose, o animal passa a viver em terra e a respirar pelos pulmões e pela pele. Há espécies que fogem desse caminho: em algumas, o filhote já sai do ovo com a forma de adulto (desenvolvimento direto), e outras se reproduzem dentro de bromélias, como as pererecas do grupo da perereca-de-alcatrazes, segundo Brasileiro e colegas (2007).
Por depender da pele úmida e da água para se reproduzir, o anfíbio sente rápido as mudanças no ambiente, como a poluição e a seca.
Os três grupos
| Ordem | Quem são | Como são | Espécies no Brasil (SBH, 2026) |
|---|---|---|---|
| Anura | Sapos, rãs e pererecas | Adultos sem cauda, pernas de trás longas para saltar | 1.205 |
| Gymnophiona | Cobras-cegas (cecílias) | Sem patas, corpo comprido em anéis; a maioria vive enterrada | 40 |
| Caudata | Salamandras | Corpo alongado, com cauda e quatro patas | 5 |
Os números são da lista da SBH divulgada em 16 de abril de 2026, segundo o Conexão Planeta. A lista anterior, de 2021, foi publicada por Segalla e colegas na revista Herpetologia Brasileira.
Apesar do nome, a cobra-cega não é cobra: é um anfíbio sem patas.
Sapo, rã e perereca: qual é a diferença?
No Brasil, a separação é popular e segue a aparência:
- sapo: pele mais seca e cheia de verrugas, corpo pesado, anda aos pulos curtos e vive mais longe da água;
- rã: pele lisa e úmida, pernas longas, salta bem e vive perto da água;
- perereca: tem discos adesivos na ponta dos dedos, que a ajudam a subir em plantas e paredes.
Essa divisão não corresponde a grupos da ciência. Os três nomes cabem na mesma ordem, a dos anuros, e o que a ciência usa são as famílias. A família dos sapos verdadeiros (Bufonidae), por exemplo, inclui o sapo-cururu e também o pequeno e colorido sapinho-admirável-de-barriga-vermelha, que não parece um sapo comum.
O Brasil no mundo
Das 1.250 espécies do Brasil, 857 só existem aqui (são endêmicas), segundo a lista da SBH de 2026. Diego Santana, pesquisador do Field Museum de Chicago e um dos autores da lista, disse ao Conexão Planeta que o Brasil “continua sendo o país com a maior riqueza de anfíbios do mundo”. O ICMBio, no seu Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e Anfíbios, também descreve o Brasil como o país com a maior diversidade do grupo.
Por que os anfíbios estão ameaçados
No mundo, 40,7% das 8.011 espécies avaliadas estão ameaçadas de extinção, segundo a segunda Avaliação Global dos anfíbios da IUCN, publicada por Luedtke e colegas na Nature (2023). As causas principais são estas:
- Perda de hábitat. O desmatamento, a agricultura e as cidades destroem os lugares onde os anfíbios vivem e se reproduzem. É uma das duas maiores causas de piora desde 2004, com 37% dos casos, segundo o mesmo estudo.
- Mudança do clima. Foi a causa de 39% das pioras de situação desde 2004, segundo Luedtke e colegas. Seca, calor e enchentes atingem os anfíbios, que dependem da água e da pele úmida.
- Doença. O fungo quitrídio (Batrachochytrium dendrobatidis) ataca a pele e causa a quitridiomicose. Segundo Scheele e colegas na Science (2019), a doença levou ao declínio de pelo menos 501 espécies no mundo, e 90 delas são consideradas extintas. A relação com outras doenças está em Patógenos.
- Espécies invasoras. A rã-touro, criada para consumo, escapa das criações e compete com as espécies nativas. O assunto está em Ranicultura.
- Poluição. Agrotóxicos e esgoto chegam à água e à pele dos anfíbios.
O quitrídio no Brasil
Para saber desde quando o fungo está no país, a equipe de Tamilie Carvalho, Guilherme Becker e Luís Felipe Toledo examinou cerca de 33 mil girinos guardados em 10 museus de zoologia, coletados entre 1930 e 2015. O estudo, publicado nos Proceedings of the Royal Society B em 2017, ligou à quitridiomicose os declínios de anfíbios da Mata Atlântica, sobretudo nos anos 1980, segundo a Revista Pesquisa FAPESP. Toledo estimou que ao menos 65 espécies foram atingidas. Um dos casos é o Holoaden bradei, uma rã que só vivia em Itatiaia e sumiu nessa década.
A lista nacional de 2026
A lista oficial brasileira das espécies ameaçadas foi atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Pela nossa conta no Anexo I, ela tem 59 anfíbios ameaçados, todos anuros:
| Categoria | Espécies |
|---|---|
| Criticamente em Perigo (CR) | 34, das quais 15 marcadas como “possivelmente extintas” |
| Em Perigo (EN) | 10 |
| Vulnerável (VU) | 15 |
O Anexo II, das espécies extintas, traz dois anfíbios: a perereca Boana cymbalum e a perereca Phrynomedusa fimbriata. A história delas está em Quais espécies brasileiras já foram declaradas extintas?, e as mudanças da lista estão em O que mudou na lista de animais ameaçados de 2026?.
O Holoaden bradei, citado acima, está entre os “possivelmente extintos”: é Criticamente em Perigo, mas ninguém o encontra há décadas.
Os anfíbios com ficha no site
| Espécie | Nome científico | Onde vive | Situação no Brasil (2026) |
|---|---|---|---|
| Sapo-cururu | Rhinella diptycha, R. marina e outras | Quase todo o Brasil | Não ameaçado |
| Sapinho-admirável-de-barriga-vermelha | Melanophryniscus admirabilis | Um trecho do rio Forqueta, em Arvorezinha (RS) | criticamente em perigo |
| Perereca-de-alcatrazes | Ololygon alcatraz | Só na Ilha de Alcatrazes (SP) | Vulnerável |
Resumo: principais perguntas e respostas
É um vertebrado de pele fina e úmida, que não produz o próprio calor e, na maioria das espécies, começa a vida como girino na água e depois passa a viver em terra.
São 1.250, segundo a lista da Sociedade Brasileira de Herpetologia de 2026: 1.205 sapos, rãs e pererecas, 40 cobras-cegas e 5 salamandras.
Pela nossa conta na lista nacional de 2026 (Portaria MMA 1.704), são 59 ameaçados, e outros 2 já foram declarados extintos.
Fontes
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexos I e II. Contagem por categoria feita pela 123 Ecos.
- Conexão Planeta. Brasil tem mais de 1.250 espécies de anfíbios, aponta novo levantamento. 16 abr. 2026 (lista da Sociedade Brasileira de Herpetologia).
- Segalla, M. et al. List of Brazilian Amphibians. Herpetologia Brasileira, 10(1): 121–216, 2021.
- ICMBio. Anfíbios e Répteis do Brasil. Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Répteis e anfíbios, 2025.
- Luedtke, J. A. et al. Ongoing declines for the world’s amphibians in the face of emerging threats. Nature, 622: 308–314, 2023.
- Universidade de Maryland. Fungal disease threatens hundreds of amphibian species worldwide. 28 mar. 2019 (sobre Scheele et al., Science, 2019).
- Revista Pesquisa FAPESP. Epidemiologia retroativa. 2017 (sobre Carvalho et al., Proceedings of the Royal Society B, 284: 20162254, 2017).
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/anfibios-o-que-sao-os-grupos-e-as-especies-do-brasil/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

