123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
A guariba-de-mãos-ruivas (Alouatta belzebul) é um bugio que vive em duas regiões separadas: o leste da Amazônia e a Mata Atlântica do Nordeste. Na Amazônia, a população ainda é grande; no Nordeste, restam poucos grupos, em fragmentos de mata. A espécie está Vulnerável na lista nacional de espécies ameaçadas de 2026.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Guariba-de-mãos-ruivas (também guariba, górgo) |
| Nome científico | Alouatta belzebul (Linnaeus, 1766) |
| Família | Atelidae |
| Tamanho e peso | Fêmeas de 2,9 a 3,6 kg e machos de 4,1 a 5,2 kg, em poucos animais medidos |
| Onde vive | Leste da Amazônia (Pará, Maranhão, Tocantins e talvez o norte de Mato Grosso) e Mata Atlântica de Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas |
| Situação na IUCN | Vulnerável, segundo a avaliação do ICMBio de 2012 |
| Situação no Brasil | Vulnerável (Portaria MMA 1.704/2026) |
Os dados vêm da avaliação do risco de extinção da guariba-de-mãos-ruivas, do ICMBio (oficina de 2012). O peso vem de dados não publicados do Centro Nacional de Primatas Brasileiros (CPB/ICMBio), com 6 fêmeas e 8 machos, citados na avaliação. O nome em inglês, red-handed howler monkey, também fala das mãos ruivas.
Três espécies que já foram uma
A guariba-de-mãos-ruivas já foi tratada de forma mais ampla, reunindo bugios que hoje são outras espécies. Segundo a avaliação do ICMBio de 2012:
- autores como Hill (1962) e Stanyon e colegas (1995) listavam cinco subespécies de A. belzebul, entre elas discolor, do Pará, e ululata, do Maranhão;
- Groves (2001 e 2005) considerava discolor e ululata como parte de A. belzebul;
- Gregorin (2006) as reconheceu como espécies diferentes;
- a avaliação seguiu Gregorin (2006) e Rylands (2012). Assim, a A. belzebul de hoje não inclui as formas discolor, ululata e nigerrima.
Por isso, a lista de 2026 traz três espécies separadas. Duas delas têm até o mesmo nome popular: a planilha do ICMBio do PAN Primatas Amazônicos chama de “guariba-de-mãos-ruivas” tanto A. belzebul quanto A. discolor. A terceira, A. ululata, é chamada pelo ICMBio só de guariba e vive no Maranhão, no Piauí e no Ceará. As três estão em Bugios, com as outras espécies do gênero.
Onde vive
Segundo a avaliação do ICMBio, a espécie é endêmica do Brasil e tem dois conjuntos de populações, distantes um do outro:
- na Amazônia, vive na parte leste da floresta. O limite oriental fica na Mata dos Cocais, no Maranhão e no Tocantins; o rio Xingu parece ser o limite oeste, e o rio Amazonas, o limite norte. Na ilha de Marajó (PA), é considerada comum;
- na Mata Atlântica do Nordeste, vive hoje em 18 fragmentos de mata: um em Pernambuco, um no Rio Grande do Norte e os outros na Paraíba e em Alagoas. Ao sul, o limite é o rio São Francisco.
Um estudo genético citado na avaliação (Nascimento et al., 2008) não encontrou diferenciação significativa entre as populações da Amazônia e as do Nordeste.
No norte do Tocantins, a guariba-de-mãos-ruivas encontra o bugio-preto. Ali foi visto um grupo misto, com uma fêmea de bugio-preto e um macho de guariba-de-mãos-ruivas, segundo a avaliação.
Os biomas estão em Bioma Amazônia e Bioma Mata Atlântica.
Como vive
A guariba-de-mãos-ruivas vive em floresta amazônica de planície, nas várzeas de Marajó e em restos de Mata Atlântica, segundo a avaliação. Não depende de mata intocada: já foi encontrada em áreas alteradas pela mineração e em fragmentos pequenos, em regeneração.
Os grupos têm, em média, de 5 a 9 animais. A área de um grupo foi estimada em 13,5 e 18 hectares na Amazônia e entre 4,75 e 9,5 hectares na Mata Atlântica. Como nos outros bugios, nasce 1 filhote por vez. Muitos dados de reprodução, como a idade adulta e a longevidade, aparecem na avaliação como “estimativas desconhecidas para a espécie”.
Ameaças
Segundo a avaliação do ICMBio, as principais ameaças são os assentamentos rurais, a agricultura, a pecuária, o crescimento das cidades, o desmatamento, o aumento da infraestrutura de energia, a perda e a divisão das matas e a caça. Elas pesam de forma diferente em cada região:
- no Nordeste, a principal ameaça é a perda das matas, que deixa os grupos pequenos e isolados uns dos outros. A caça também tem impacto;
- na Amazônia, a pressão da caça é maior, e a floresta é perdida com o desmatamento ilegal, as usinas hidrelétricas, o asfaltamento de rodovias, a pecuária e os assentamentos.
Grande parte da área da espécie na Amazônia está dentro do chamado arco do desmatamento, segundo a avaliação.
Você sabia?
A guariba-de-mãos-ruivas chegou a desaparecer da Reserva Biológica Guaribas. Depois, a reserva recebeu um repovoamento da espécie, segundo a avaliação do ICMBio.
Conservação no Brasil
Na lista nacional, atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, a guariba-de-mãos-ruivas está Vulnerável.
Na avaliação do ICMBio (oficina de 2012), a espécie também foi classificada como Vulnerável, com a mesma categoria da IUCN citada na ficha. A avaliação infere que a população caiu pelo menos 30% nas últimas três gerações. As estimativas eram muito diferentes nas duas regiões:
- no Nordeste, menos de 500 animais, com no máximo 250 adultos em idade de reprodução. A avaliação suspeita que a maior subpopulação esteja na RPPN Pacatuba, na Paraíba;
- na Amazônia, mais de 10 mil indivíduos maduros.
A espécie é alvo de dois planos de ação do ICMBio:
- o 3º ciclo (2025–2030) do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas do Nordeste;
- o 2º ciclo (2025–2030) do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas Amazônicos, segundo a lista de espécies-alvo do ICMBio.
Fontes
- ICMBio. Avaliação do risco de extinção de Alouatta belzebul no Brasil. Oficina de Avaliação do Estado de Conservação de Primatas Brasileiros, 2012.
- ICMBio. PAN Primatas do Nordeste. Espécies-alvo e vigência do 3º ciclo. Consultado em 2 nov. 2026.
- ICMBio. Lista de espécies-alvo do PAN Primatas Amazônicos, 2º ciclo. Consultada em 2 nov. 2026.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexo I, nº 605.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/guariba-de-maos-ruivas-o-bugio-da-amazonia-e-do-nordeste/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

