123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
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O sapinho-admirável-de-barriga-vermelha (Melanophryniscus admirabilis) é um sapo do tamanho de um polegar que só existe num trecho de cerca de 1 km da margem do rio Forqueta, em Arvorezinha, no Rio Grande do Sul. Descrito pela ciência em 2006, está Criticamente em Perigo, a categoria mais alta de ameaça da lista nacional. Em 2014, a obra de uma pequena usina hidrelétrica no seu hábitat foi embargada, no que a reportagem do Mongabay descreve como o primeiro caso documentado no Brasil de um anfíbio que barrou um projeto desse porte.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Sapinho-admirável-de-barriga-vermelha |
| Nome científico | Melanophryniscus admirabilis Di-Bernardo, Maneyro e Grillo, 2006 |
| Família | Bufonidae |
| Tamanho | Do tamanho de um polegar |
| Onde vive | Só num trecho de cerca de 1 km da margem do rio Forqueta, em Arvorezinha (RS), na Mata Atlântica |
| Situação na IUCN | Criticamente em Perigo |
| Situação no Brasil | criticamente em perigo (Portaria MMA 1.704/2026) |
O tamanho e a situação na IUCN vêm da reportagem do Mongabay (2025). A área de vida vem do sumário do PAN Herpetofauna do Sul, do ICMBio.
Como é
O sapinho tem as costas verdes e as pernas e a barriga coloridas. As cores fortes são um aviso aos predadores que caçam pela visão de que ele é tóxico, uma defesa chamada aposematismo, explicada em Por que alguns animais têm cores tão fortes?. Na barriga, há manchas verde-claras, as macroglândulas, que soltam toxinas. O desenho dessas manchas é diferente em cada animal, como uma impressão digital, e os pesquisadores o usam para reconhecer cada indivíduo, segundo o Mongabay.
Ele consegue pular, mas costuma andar devagar. Como o veneno está na pele e não é injetado, o sapinho é um animal venenoso, e não peçonhento (Qual é a diferença entre animal venenoso e peçonhento?).
Onde vive
O rio Forqueta tem mais de 150 km, mas só um trecho serve ao sapinho: o Perau de Janeiro, um paredão de pedra com mata úmida e cachoeira, em Arvorezinha. A área fica em terra particular, usada como ponto turístico, segundo o Mongabay. Até a reportagem de dezembro de 2025, nenhuma unidade de conservação tinha sido criada no local, segundo o Mongabay.
Reprodução
O sapinho tem girino. A reprodução é “explosiva”, segundo o Mongabay: depois de uma chuva forte seguida de sol, que aquece as poças temporárias nas pedras, a maioria dos animais acasala ao mesmo tempo. Os machos cantam no paredão, perto do rio, para atrair as fêmeas. A melhor época para ver o acasalamento vai do fim de agosto ao início de dezembro, com temperatura de 15 a 30 °C. Os pesquisadores já registraram girinos e o abraço do acasalamento (amplexo), e também machos que tentam tirar outros de cima das fêmeas.
A usina e o embargo
A pequena central hidrelétrica (PCH) Perau de Janeiro ficaria a menos de 300 metros do hábitat do sapinho. Os fatos, segundo o Mongabay:
| Ano | O que aconteceu |
|---|---|
| 2006 | A espécie é descrita pela ciência |
| 2010 (agosto) | O órgão ambiental concede a licença prévia da usina |
| 2013 | A espécie entra como criticamente em perigo nas listas estadual, nacional e mundial |
| 2014 | O Ministério Público Federal (MPF) embarga a obra |
| 2018 | O local é reconhecido como Área-Chave para a Biodiversidade (KBA) e da Aliança para a Extinção Zero (AZE) |
O sumário do PAN Herpetofauna do Sul, do ICMBio, registra que a Secretaria do Meio Ambiente do Rio Grande do Sul (SEMA/RS) negou o projeto, que “provavelmente teria extinguido o sapinho” se fosse autorizado.
A enchente de 2024
Antes das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, os pesquisadores estimavam que a espécie tinha pouco mais de mil indivíduos. Na enchente, o rio Forqueta subiu pelo menos 20 metros e mudou a paisagem do Perau de Janeiro. Em outubro de 2025, dois dias de contagem encontraram 111 indivíduos, entre adultos e jovens. A bióloga Michelle Abadie, que lidera a pesquisa da UFRGS e estuda a espécie há 15 anos, disse ao Mongabay que não foi o maior número já registrado, mas que é razoável. A área onde antes havia mais sapinhos deixou de ser a preferida. Um monitoramento de três anos depois do desastre começou em 2025.
Ameaças
A espécie inteira vive numa área muito pequena: o sumário do PAN registra que a usina teria alterado todo o hábitat. Segundo o Mongabay, as outras ameaças são estas:
- Mudança do clima. Um estudo da Agência Nacional de Águas (ANA) prevê que o Sul do Brasil terá o maior aumento de enchentes do país, com vazões máximas até cerca de 20% maiores. As secas longas também ameaçam os anfíbios.
- Monoculturas. As plantações de fumo, soja e eucalipto estão ligadas ao desmatamento na região.
- Tráfico. Traficantes e colecionadores procuram espécies raras e de cores fortes. A espécie ainda não foi registrada no comércio de animais de estimação, mas quase 450 espécies de anfíbios já foram encontradas nesse comércio no mundo.
Conservação no Brasil
Na lista nacional, atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, o sapinho-admirável-de-barriga-vermelha está criticamente em perigo. Os grupos de anfíbios e as espécies ameaçadas do país estão em Anfíbios do Brasil.
A espécie está no Plano de Ação Nacional para Conservação dos Répteis e anfíbios Ameaçados da Região Sul do Brasil (PAN Herpetofauna do Sul), coordenado pelo ICMBio. O 2º ciclo do plano foi aprovado pela Portaria nº 350, de 23 de julho de 2019, para 21 espécies (10 anfíbios, 6 lagartos e 5 serpentes), com vigência prevista até 2024, segundo o sumário. Nas fontes consultadas, até 1/11/2026, não encontramos o ato de um 3º ciclo.
Na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, o projeto de lei 119/2024, do deputado Matheus Gomes, propõe reconhecer o sapinho como patrimônio genético do estado. Nas fontes consultadas, até 1/11/2026, não encontramos registro de votação.
Fontes
- Mongabay. The first amphibian to halt a hydroelectric dam now takes on the climate crisis. Thamys Trindade, 22 dez. 2025 (original do Mongabay Brasil, 8 dez. 2025).
- ICMBio. Sumário executivo do PAN Herpetofauna do Sul, 2º ciclo.
- Di-Bernardo, M.; Maneyro, R.; Grillo, H. New species of Melanophryniscus (Anura: Bufonidae) from Rio Grande do Sul, southern Brazil. Journal of Herpetology, 40(2), 2006.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Lista Nacional Oficial das Espécies da fauna Ameaçadas de Extinção.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/sapinho-admiravel-de-barriga-vermelha-o-sapo-que-barrou-uma-usina-no-rs/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

