Botânica

Plantas carnívoras: como funcionam e as espécies do Brasil

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 31/10/2026

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Em poucas palavras

Plantas carnívoras capturam e digerem pequenos animais, mas não vivem disso: fazem fotossíntese como as outras. As presas dão nitrogênio e fósforo, que faltam nos solos pobres onde elas vivem. O Brasil tem droseras, utriculárias, genliseas e a Philcoxia, que caça vermes debaixo da areia. Treze espécies carnívoras estão na lista oficial de plantas ameaçadas de 2026.

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As plantas carnívoras são plantas que capturam e digerem pequenos animais, em geral insetos, crustáceos minúsculos ou vermes. São raras: representam cerca de 0,2% das plantas com flores (Agência FAPESP, 23/1/2012). E não “comem carne” para ter energia: elas fazem fotossíntese como qualquer planta verde. O que tiram das presas são nitrogênio e fósforo, nutrientes que faltam nos ambientes onde vivem (Pesquisa FAPESP, janeiro de 2018).

Por que vivem em solo pobre

A carnivoria aparece em lugares com poucos nutrientes no solo e muita luz. O modelo mais aceito diz que só nesses ambientes extremos compensa gastar folhas com armadilhas, porque folha que vira armadilha faz menos fotossíntese (Agência FAPESP, 2012). Nos campos rupestres do Brasil, com solo arenoso e pouca água e nutrientes, a carnivoria é uma das estratégias comuns de sobrevivência (Pesquisa FAPESP, março de 2015).

As armadilhas das espécies brasileiras

  • Drosera (droseras): as folhas são cobertas de glândulas, os tentáculos, que produzem gotas de um líquido pegajoso. O inseto gruda, as folhas ou os tentáculos se dobram sobre ele e enzimas o digerem. O gênero tem cerca de 250 espécies no mundo, e o Brasil é uma das regiões com mais espécies, ao lado da Austrália e da África do Sul (Innovations Report, 24/7/2015).
  • Utricularia (utriculárias): têm pequenas bolsas, os utrículos, que sugam as presas. Muitas vivem na água. São cerca de 240 espécies no mundo; das 95 da América do Sul, cerca de 70 ocorrem no Brasil, e 20 delas só aqui. O gênero provavelmente surgiu na América do Sul há cerca de 39 milhões de anos, e o Brasil é a origem mais provável (Pesquisa FAPESP, 2018).
  • Genlisea: da mesma família das utriculárias; uma espécie brasileira, Genlisea lobata, está na lista de ameaçadas de 2026.
  • Philcoxia: caça debaixo da terra (abaixo).

A planta que caça vermes na areia

A Philcoxia minensis vive só no Cerrado da Serra do Espinhaço, em Minas Gerais, em solos de areia branca pobres em nutrientes, mas cheios de nematoides, vermes microscópicos. Suas folhas são minúsculas, pegajosas e ficam enterradas na areia; os grãos translúcidos deixam passar luz suficiente para a fotossíntese. Um estudo publicado na revista PNAS em janeiro de 2012, coordenado por Rafael Oliveira, da Unicamp, a partir de uma pesquisa de iniciação científica de Caio Pereira, mostrou que essas folhas prendem e digerem os nematoides: o nitrogênio dos vermes foi encontrado nas folhas, e enzimas capazes de digeri-los estavam na superfície delas. Foi a primeira prova de carnivoria na família Plantaginaceae, que tem cerca de 2 mil espécies (Agência FAPESP, 23/1/2012).

A drosera descoberta no Facebook

Em 2013, um entusiasta de orquídeas e da flora nativa postou no Facebook a foto de uma planta que encontrou numa serra perto de sua cidade, em Minas Gerais. Pesquisadores reconheceram uma espécie nova, descrita em 2015 na revista Phytotaxa por Paulo Gonella, Fernando Rivadavia e Andreas Fleischmann: a Drosera magnifica, com até 1,5 metro de comprimento e folhas de até 24 cm, a maior drosera conhecida das Américas. Ela foi encontrada no alto de uma única montanha, cercada de fazendas, cafezais e eucaliptais, sem proteção (Innovations Report, 24/7/2015). Na lista oficial de 2026, ela está Criticamente em Perigo.

As carnívoras na lista de ameaçadas de 2026

No anexo da Portaria GM/MMA nº 1.783, de 26 de outubro de 2026, que trouxe a nova lista da flora ameaçada, aparecem 13 plantas carnívoras (Portaria GM/MMA nº 1.783/2026, Diário Oficial da União):

GêneroEspécies na listaCategorias
Drosera92 Criticamente em Perigo (D. graminifolia, D. magnifica), 5 Em Perigo, 2 Vulneráveis
Utricularia2Vulneráveis (U. geminiloba, U. tridentata)
Genlisea1Em Perigo (G. lobata)
Philcoxia1Em Perigo (P. minensis)

Algumas, como a Drosera magnifica, são conhecidas de um único lugar, o que as torna muito vulneráveis à perda do hábitat. O que mudou na lista está em o que mudou na lista de plantas ameaçadas de 2026.

Termos vizinhos

  • Morfologia vegetal (link).
  • Fotossíntese (link).
  • Lista de plantas ameaçadas de 2026 (link).

Resumo: principais perguntas e respostas

Planta carnívora come carne para viver?

Não. Ela faz fotossíntese como as outras plantas. As presas dão nitrogênio e fósforo, que faltam no solo onde ela vive.

Por que existem plantas carnívoras?

Porque em solos muito pobres e com muita luz compensa obter nutrientes de animais, mesmo gastando folhas com armadilhas.

Quais plantas carnívoras existem no Brasil?

Entre outras, droseras, utriculárias, genliseas e a Philcoxia. O Brasil tem cerca de 70 espécies de Utricularia.

Qual planta carnívora caça debaixo da terra?

A Philcoxia minensis, do Cerrado de Minas Gerais, que prende e digere vermes microscópicos com folhas enterradas na areia.

Há plantas carnívoras ameaçadas no Brasil?

Sim. Treze estão na lista oficial de 2026, entre elas a Drosera magnifica, criticamente em perigo.

Fontes

Impresso de https://123ecos.com.br/docs/plantas-carnivoras-como-funcionam-e-as-especies-do-brasil/ · Atualizado em 31/10/2026 · 123 Ecos

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