Uma espécie entra na lista de ameaçadas depois de uma avaliação feita por especialistas, que comparam os dados da espécie com cinco critérios definidos pela IUCN, a União Internacional para a Conservação da Natureza. Se ela se encaixa em pelo menos um critério, é classificada como vulnerável, em perigo ou criticamente em perigo. No Brasil, quem coordena as avaliações da fauna é o ICMBio, e quem publica a lista oficial é o Ministério do Meio Ambiente.
Os cinco critérios #
Os especialistas olham para a espécie e perguntam:
- A. A população está caindo? Por exemplo, quanto ela diminuiu em dez anos ou em três gerações.
- B. A área onde ela vive é pequena? E, além de pequena, está fragmentada ou encolhendo?
- C. A população é pequena e está diminuindo?
- D. A população é muito pequena ou vive num lugar muito restrito? Uma espécie com menos de 50 adultos, por exemplo, já é considerada criticamente em perigo.
- E. Uma análise de risco mostra chance alta de extinção?
Basta um critério para a espécie ser classificada. Quanto mais grave o resultado, mais alta a categoria. As nove categorias da IUCN estão explicadas em Extinção de espécies.
Como é feito no Brasil #
As avaliações da fauna são conduzidas pelos centros de pesquisa do ICMBio, com especialistas de universidades, museus e outras instituições. O caminho tem quatro passos:
- reunir os dados disponíveis sobre a espécie;
- consultar especialistas e o público;
- classificar o risco com os critérios da IUCN;
- validar o resultado com especialistas no método.
Segundo o ICMBio, 1.046 especialistas de 206 instituições participaram dos dois ciclos de avaliação, de 2009 a 2014 e de 2015 a 2023. Os dados ficam no sistema SALVE.
Da avaliação à lista oficial #
O resultado das avaliações serve de base para o Ministério do Meio Ambiente publicar a lista oficial, por portaria. A lista em vigor é de 2022 e reconhece 1.253 espécies da fauna ameaçadas. A avaliação mais recente do ICMBio, publicada em 2024, encontrou 1.264 e deve orientar a próxima atualização.
Estar na lista tem efeito prático: a espécie passa a ter proteção legal e pode ganhar um plano de ação para reduzir as ameaças.
Ver também: Conservação biológica e Quais espécies brasileiras já foram declaradas extintas?.
Fontes #
- IUCN. IUCN Red List Categories and Criteria. Versão 3.1.
- ICMBio. Avaliação do risco de extinção da fauna brasileira (2015 a 2023): sumário executivo. Set. 2024.
- Ministério do Meio Ambiente. Portaria MMA nº 148, de 7 de junho de 2022, que atualiza as listas nacionais de espécies ameaçadas.
