Eliane Camara
Bióloga, professora de Ciências, ativista ambiental - acredito em um mundo mais justo e sustentável! Vamos embarcar juntos nessa jornada?
Atualizado em: 28/10/2026
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Biomas de água doce são os ambientes aquáticos com muito pouco sal na água, menos de 0,5 grama por litro: rios, riachos, lagos, lagoas e áreas úmidas, como brejos, várzeas, veredas e o Pantanal. Eles fazem parte dos biomas aquáticos, ao lado dos ambientes salobros e marinhos.
São pequenos em área, mas enormes em importância. Só cerca de 2,5% da água da Terra é doce, e a maior parte está congelada nas geleiras ou guardada no subsolo, segundo o USGS. Ainda assim, os ambientes de água doce, que cobrem menos de 1% da superfície do planeta, abrigam cerca de 10% das espécies conhecidas, segundo a IUCN.
O Brasil tem cerca de 12% da água doce superficial do planeta, segundo a Agência Nacional de Águas, mas mal distribuída: a maior parte está na Amazônia, onde vive uma pequena parte da população.
Rios e riachos
São ambientes de água corrente (lóticos). A correnteza mistura e oxigena a água e carrega nutrientes, sedimentos e sementes da nascente até a foz.
- Da nascente à foz: perto da nascente, a água costuma ser fria, rápida e transparente, com pouco alimento; mais abaixo, o rio fica mais largo, lento e rico em nutrientes.
- Mata ciliar: a vegetação das margens dá sombra, segura o barranco e lança folhas e frutos que alimentam peixes e insetos. Veja Matas ciliares.
- Piracema: muitos peixes, como o dourado, o pintado e o curimbatá, sobem o rio na época das chuvas para se reproduzir. Barragens que cortam esse caminho ameaçam essas espécies.
Exemplos: o Amazonas, o maior rio do mundo em volume de água; o São Francisco; o Paraná. Veja Rios do Brasil.
Lagos e lagoas
São ambientes de água parada ou lenta (lênticos). Um lago se divide em zonas:
- Zona litorânea: a margem rasa, com plantas aquáticas enraizadas, onde muitos peixes se reproduzem.
- Zona limnética: a água aberta e iluminada, onde vive o plâncton.
- Zona profunda: escura e fria, onde a matéria orgânica que cai é decomposta.
Em lagos profundos, no verão, a água se separa em camadas de temperatura: uma quente em cima e uma fria embaixo, que quase não se misturam. Quando a superfície esfria, as camadas se misturam e o oxigênio e os nutrientes se redistribuem.
Exemplos: o lago Baikal, na Rússia, o mais profundo do mundo, com mais de 1.600 metros, que guarda cerca de 20% da água doce líquida da superfície do planeta; a Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul; e os lagos de várzea da Amazônia, onde vivem o pirarucu e o tambaqui.
Represas de hidrelétricas também são lagos, só que artificiais. Veja Energia hidrelétrica.
Áreas úmidas
São áreas alagadas o ano todo ou parte do ano: brejos, banhados, várzeas, igapós, veredas, pântanos e planícies alagáveis. Funcionam como esponjas: seguram a água das cheias, liberam-na aos poucos na seca, filtram poluentes e são berçário de peixes e aves.
No Brasil, os exemplos mais conhecidos são o Pantanal, as várzeas e os igapós da Amazônia, as veredas do Cerrado e os banhados do Pampa, como o do Taim. A Convenção de Ramsar, de 1971, é o tratado internacional que protege essas áreas. Veja também Pântanos e Dia Mundial das Zonas Úmidas.
Vida na água doce
- Peixes: o Brasil tem a maior diversidade de peixes de água doce do mundo. Só a bacia amazônica tem cerca de 2.400 espécies.
- Mamíferos: boto-cor-de-rosa, ariranha, lontra, peixe-boi-da-amazônia e capivara.
- Répteis e anfíbios: jacarés, tartaruga-da-amazônia, sapos e pererecas.
- Plantas: vitória-régia, aguapé, taboa e buriti.
- Invertebrados: camarões, caranguejos de rio, caramujos e larvas de insetos, como as de libélulas, que indicam água limpa.
Importância
- Água para as pessoas: rios, lagos e aquíferos abastecem cidades, lavouras e indústrias. Mesmo assim, em 2024, 2,1 bilhões de pessoas não tinham água potável gerida com segurança, segundo a OMS e o UNICEF. Veja ODS 6.
- Alimento: a pesca em rios e lagos é a principal fonte de proteína de muitas comunidades, como os ribeirinhos da Amazônia.
- Energia: a maior parte da eletricidade do Brasil vem de hidrelétricas.
- Proteção contra cheias e secas: as áreas úmidas reduzem enchentes e mantêm os rios correndo na estiagem.
Ameaças
Os ambientes de água doce são os mais ameaçados do planeta:
- Perda de espécies: em 2025, a IUCN avaliou 23.496 espécies de animais de água doce e concluiu que 24% correm alto risco de extinção. Entre os peixes, a proporção é de 26%. O Relatório Planeta Vivo 2026, do WWF, registrou queda média de 85% nas populações de animais de água doce monitoradas entre 1970 e 2022.
- Perda de áreas úmidas: o mundo perdeu 22% de suas áreas úmidas desde 1970, segundo o Global Wetland Outlook 2025, da Convenção de Ramsar.
- Poluição: esgoto, agrotóxicos e fertilizantes, que causam a eutrofização. Veja Poluição da água.
- Barragens e retirada de água: cortam o caminho dos peixes e mudam o regime das cheias.
- Espécies exóticas: a tilápia, o tucunaré fora da Amazônia e o mexilhão-dourado. Veja Espécies invasoras.
- Mudanças climáticas: secas mais longas e água mais quente, com menos oxigênio.
Como proteger
- Tratar o esgoto e reduzir o uso de agrotóxicos e fertilizantes perto dos rios.
- Proteger nascentes, matas ciliares e áreas úmidas, como exige o Código Florestal.
- Respeitar o período de defeso da pesca, quando ela é proibida para proteger a reprodução.
- Não soltar peixes e plantas de aquário na natureza.
- Economizar água em casa.
Resumo: principais perguntas e respostas
São os ambientes aquáticos com muito pouco sal, menos de 0,5 grama por litro: rios, riachos, lagos, lagoas e áreas úmidas.
Rios e riachos (água corrente), lagos e lagoas (água parada) e áreas úmidas, como brejos, várzeas, veredas e o Pantanal.
Cerca de 2,5% de toda a água do planeta, e a maior parte está congelada ou no subsolo. O Brasil tem cerca de 12% da água doce superficial do mundo.
Porque seguram as cheias, liberam água na seca, filtram poluentes e são berçário de peixes e aves.
Poluição, barragens, drenagem de áreas úmidas, espécies exóticas e mudanças climáticas. Em 2025, a IUCN mostrou que 24% dos animais de água doce avaliados correm alto risco de extinção.
Fontes
- USGS. Where is Earth’s water?
- Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). Conjuntura dos recursos hídricos no Brasil.
- Sayer, C. A. et al. One-quarter of freshwater fauna threatened with extinction. Nature, 2025; IUCN, comunicado de 8/1/2025.
- Convenção de Ramsar. Global Wetland Outlook 2025.
- OMS e UNICEF. 1 in 4 people globally still lack access to safe drinking water, 26/8/2025.
- WWF-UK. Living Planet Report 2026 (comunicado de lançamento). 8/10/2026.
- Jézéquel, C. et al. A database of freshwater fish species of the Amazon Basin. Scientific Data, 2020.
- Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resolução CONAMA nº 357/2005.
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