Ana Luiza Cosme
Bióloga, mestre em Ciências Aplicadas à Medicina, educadora e escritora. Apaixonada pelo projeto da Ecopédia e Ecomunidade.
Atualizado em: 25/10/2026
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O núcleo da Terra é a camada central do planeta. Começa a cerca de 2.900 km de profundidade, abaixo do manto, e vai até o centro, a cerca de 6.371 km. É feito de metal, uma liga de ferro e níquel, e não de rocha, segundo o USGS, o Serviço Geológico dos Estados Unidos. É do núcleo que vem o campo magnético da Terra. Esta postagem é uma das partes de Camadas da Terra.
As duas partes do núcleo
| Parte | Profundidade | Tamanho | Temperatura | Estado |
|---|---|---|---|---|
| Núcleo externo | De cerca de 2.900 a 5.100 km | Cerca de 2.200 km de espessura | De cerca de 4.500 °C a 5.500 °C | Líquido |
| Núcleo interno | De cerca de 5.100 km até o centro | Cerca de 1.220 km de raio | Cerca de 5.200 °C | Sólido |
Fontes da tabela: National Geographic e USGS. O ponto mais quente do núcleo fica na fronteira entre as duas partes: cerca de 6.000 °C, segundo a National Geographic.
O núcleo inteiro tem cerca de 3.485 km de raio, segundo a National Geographic. Pelo raio da Terra, de 6.371 km, segundo a NASA, isso dá cerca de 16% do volume do planeta.
Do que o núcleo é feito
O núcleo é feito principalmente de ferro e níquel. Segundo o USGS, ele é quase duas vezes mais denso que o manto. Segundo a National Geographic, cerca de 90% do enxofre da Terra está no núcleo; outros elementos leves, como o oxigênio e o silício, podem estar lá, mas isso ainda é discutido.
O ferro afundou para o centro quando a Terra era jovem e quente, porque é mais pesado que as rochas. Segundo a National Geographic, isso aconteceu cerca de 500 milhões de anos depois da formação do planeta, há uns 4 bilhões de anos.
Por que uma parte é líquida e a outra sólida
As duas partes são feitas dos mesmos metais. A diferença está na pressão. No núcleo interno, a pressão chega a cerca de 3,6 milhões de vezes a do ar ao nível do mar, segundo a National Geographic, e impede o ferro de derreter, mesmo a 5.200 °C. No núcleo externo, a pressão é menor, e o metal fica líquido.
Aos poucos, o ferro líquido do núcleo externo vai se solidificando sobre o núcleo interno, que cresce cerca de 1 milímetro por ano. Segundo a National Geographic, o núcleo inteiro levaria cerca de 91 bilhões de anos para se solidificar, muito mais que os cerca de 5 bilhões de anos de vida do Sol citados pela mesma fonte.
O campo magnético
Segundo o USGS, o ferro líquido do núcleo externo gira com a rotação da Terra, e esse movimento cria o campo magnético do planeta. É ele que faz a bússola apontar para o norte. Segundo a National Geographic:
- o campo magnético é cerca de 50 vezes mais forte no núcleo externo do que na superfície;
- o polo norte magnético se move até 64 km por ano;
- o campo já se inverteu muitas vezes, com o norte e o sul magnéticos trocando de lugar, em média a cada 200 mil a 300 mil anos.
O campo também desvia o vento solar, as partículas que vêm do Sol. Marte não tem um campo assim, e, segundo a NASA, a sonda Maven observou o vento solar arrancando gás da atmosfera marciana.
O núcleo interno gira de um jeito próprio
O núcleo interno não gira exatamente junto com o resto da Terra. Por décadas, os estudos indicaram que ele girava um pouco mais rápido. Mas, segundo a Universidade do Sul da Califórnia, um estudo publicado na revista Nature em 2024 mostrou que ele começou a desacelerar por volta de 2010 e hoje gira mais devagar que o manto. Veja Núcleo interno.
Como os cientistas conhecem o núcleo
Ninguém nunca chegou perto do núcleo. Tudo o que se sabe vem das ondas dos terremotos. Um tipo delas, a onda S, não atravessa líquidos e para na fronteira com o núcleo, segundo o livro Physical Geology. Foi assim que se descobriu que o núcleo externo é líquido. Em 1936, a dinamarquesa Inge Lehmann concluiu, a partir de ondas que apareciam onde não deviam, que dentro dele há um núcleo interno sólido, segundo o Museu Americano de História Natural.
Resumo: principais perguntas e respostas
É a camada central do planeta, de ferro e níquel, dividida em núcleo externo, líquido, e núcleo interno, sólido.
De cerca de 4.500 °C a 5.500 °C no núcleo externo e cerca de 5.200 °C no interno. O ponto mais quente, na fronteira entre os dois, chega a cerca de 6.000 °C, segundo a National Geographic.
Porque a pressão ali é de cerca de 3,6 milhões de vezes a do ar ao nível do mar e impede o ferro de derreter.
O ferro líquido do núcleo externo gira com a rotação da Terra, e esse movimento cria o campo magnético, segundo o USGS.
Pelas ondas dos terremotos: a onda S não atravessa líquidos e para na fronteira com o núcleo.
Fontes
- USGS. Inside the Earth. This Dynamic Earth.
- National Geographic Society. Core. National Geographic Education.
- NASA. Earth fact sheet. NSSDC.
- University of Southern California. USC study confirms the rotation of Earth’s inner core has slowed. 12 jun. 2024. Sobre Wang, W.; Vidale, J. E. e colegas, Nature, 2024.
- NASA Scientific Visualization Studio. Solar wind strips the Martian atmosphere. 5 nov. 2015.
- Krutsinger, C. e Earle, S. 9.1 Understanding Earth through seismology. Em: Physical Geology, 2ª ed.
- American Museum of Natural History. Inge Lehmann: discoverer of the Earth’s inner core.
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