123 Ecos Redação
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Atualizado em: 31/10/2026
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A germinação é o processo em que o embrião guardado dentro da semente retoma o crescimento e rompe a casca, dando origem a uma nova planta. Há consenso entre os pesquisadores de que ela começa com a absorção de água pela semente e termina com a saída do embrião, a começar pela raiz (Freitas e Moura, Vértices, 2023).
As três fases
A entrada de água na semente segue um padrão em três fases, descrito pelo fisiologista Derek Bewley e colegas (mesma fonte):
- Fase I, embebição: a semente seca absorve água rapidamente, até se hidratar. É uma etapa física: até sementes mortas incham com água.
- Fase II, transição: a absorção de água fica limitada. Por fora, quase nada muda.
- Fase III, crescimento: a semente volta a absorver água e a raiz (radícula) rompe a casca. É o sinal visível de que a germinação aconteceu.
O que a semente precisa
A germinação depende de fatores do ambiente, como água, temperatura e oxigênio, e da ausência de doenças (mesma fonte). A temperatura tem papel central: acima ou abaixo da faixa ideal de cada espécie, a germinação cai.
A luz também conta para algumas espécies. As sementes chamadas fotoblásticas positivas só germinam com luz: se forem enterradas ou ficarem no escuro, a germinação é impedida. É o caso da bromélia Alcantarea imperialis, da Mata Atlântica, estudada por Freitas e Moura (mesma fonte). Para quem planta, isso explica por que algumas sementes devem ficar bem na superfície.
Dormência: a semente que espera
Uma semente viva, com água, oxigênio e temperatura boa, às vezes não germina. Isso é dormência: um bloqueio que impede a germinação até que alguma condição seja cumprida.
Um tipo comum é a dormência física, causada por uma casca que não deixa a água entrar. O jatobá (Hymenaea courbaril), árvore nativa do Brasil, tem esse tipo: as sementes maduras “apresentam dormência por impermeabilidade do tegumento à água” (Smiderle e Souza, 2022). No viveiro, uma solução é a escarificação: lixar a casca no lado oposto ao ponto onde a semente se prendia ao fruto. No estudo de Smiderle e Souza, sementes grandes de jatobá lixadas e deixadas seis horas de molho em água chegaram a 100% de plântulas, com a planta aparecendo em cerca de 10 dias depois da semeadura (mesma fonte). Outro método citado no mesmo capítulo, o ácido sulfúrico, também funciona, mas exige mão de obra especializada.
Germinação e restauração de florestas
A procura por sementes nativas para restaurar áreas degradadas está crescendo, segundo os mesmos autores, e saber quebrar a dormência de cada espécie é o que permite produzir mudas em quantidade e no prazo certo (mesma fonte). É uma das bases do reflorestamento com espécies nativas.
Termos vizinhos
- Morfologia vegetal (link).
- Fotossíntese (link).
- reflorestamento (link).
Resumo: principais perguntas e respostas
É o processo em que o embrião da semente retoma o crescimento e rompe a casca. Começa com a absorção de água e termina com a saída da raiz.
Três: a embebição (entrada rápida de água), a transição (a absorção de água fica limitada) e o crescimento (a raiz rompe a casca).
De água, temperatura adequada e oxigênio. Algumas espécies também precisam de luz.
É um bloqueio que impede uma semente viva de germinar mesmo em boas condições, até que algo o vença, como a entrada de água por uma casca dura.
Lixando a casca (escarificação) e deixando a semente de molho em água. Num estudo publicado em 2022, seis horas de molho bastaram para 100% de plântulas em sementes grandes.
Fontes
- Freitas, G. V.; Moura, R. B. Embebição de sementes de Alcantarea imperialis em tratamentos pré-germinativos de temperatura sob duas condições de luminosidade. Vértices, v. 25, n. 1, IFF, 2023.
- Smiderle, O. J.; Souza, A. G. Protocolos para superação da dormência física e fisiológica em sementes de jatobá. Em: Ciências Agrárias: o avanço da ciência no Brasil, v. 4, cap. 9, Editora Científica Digital, 2022 (repositório da Embrapa).
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