123 Ecos Redação
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Atualizado em: 02/11/2026
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O bugio-ruivo (Alouatta guariba) é um macaco da Mata Atlântica, conhecido pelo ronco forte que se ouve de longe. Vive do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul e está Em Perigo na lista nacional de espécies ameaçadas de 2026. A febre amarela, a perda das matas e os acidentes perto das cidades estão entre as suas ameaças.
| Ficha | Dados |
|---|---|
| Nome comum | Bugio-ruivo (também bugio, barbado, guariba) |
| Nome científico | Alouatta guariba (Humboldt, 1812) |
| Família | Atelidae |
| Tamanho e peso | 39 a 72 cm de corpo, mais 49 a 75 cm de cauda; fêmeas de 4,1 a 5 kg e machos de 5,2 a 7,2 kg |
| Onde vive | Mata Atlântica, do sul da Bahia ao Rio Grande do Sul; também em Misiones, na Argentina |
| Situação na IUCN | Ver as duas subespécies, abaixo |
| Situação no Brasil | Em Perigo (Portaria MMA 1.704/2026) |
As medidas vêm da avaliação do ICMBio do bugio-ruivo do sul (oficina de 2012). O peso é o citado para a espécie como um todo, com base em poucos animais; os comprimentos são do bugio-ruivo do sul. Os nomes populares vêm da mesma avaliação.
Duas formas, um só nome
O ICMBio avaliou o bugio-ruivo em duas partes, as duas subespécies reconhecidas na época:
| Subespécie | Nomes nas fichas | Onde vive | Categoria em 2012 (ICMBio) | IUCN (citada na ficha) |
|---|---|---|---|---|
| A. guariba clamitans | Bugio-ruivo, bugio, barbado, guariba | Do rio Doce (ES) ao rio Camaquã (RS) e, a oeste, até Misiones (Argentina) | Vulnerável | Quase Ameaçada |
| A. guariba guariba | Bugio-marrom, barbado-vermelho, bugio-ruivo, entre outros | Sul da Bahia, extremo nordeste de Minas Gerais e extremo norte do Espírito Santo | Criticamente em Perigo | Criticamente em Perigo |
Segundo as duas avaliações, a divisão ainda é discutida. Estudos do crânio e do osso hioide levaram Gregorin (2006) a propor que as duas formas fossem espécies separadas, mas os estudos genéticos “não são conclusivos”. Por isso, as fichas seguiram a classificação em duas subespécies. A lista de 2026 traz Alouatta guariba como uma espécie só.
Como é
Na forma do sul, machos e fêmeas têm cores diferentes: as fêmeas são marrom-escuras e os machos, castanho-dourados, segundo a avaliação de A. g. guariba, que cita estudos de campo dos anos 1980. Já os grupos encontrados ao sul do baixo rio Jequitinhonha tinham pelagem dourada, clara e uniforme. Se essa cor marcar a forma do norte, a população dela “é minúscula”, diz a mesma avaliação.
Como os outros bugios, o bugio-ruivo come folhas e frutos e tem a voz forte do gênero. A explicação do ronco está na página dos bugios.
Onde vive
O bugio-ruivo vive em matas de terras baixas e de montanha, em florestas semidecíduas e, no Sul, também na floresta com araucárias, segundo a avaliação do ICMBio. Não depende de mata intocada: tolera ambientes alterados e sobrevive em fragmentos pequenos, inclusive perto das cidades.
Em alguns lugares, ele divide a área com o bugio-preto (Alouatta caraya). Entre os rios Uruguai e Paraná, já foram registrados híbridos das duas espécies, e há possível hibridação também em pontos do Rio Grande do Sul e do Paraná, segundo a avaliação. Para pesquisadores citados na avaliação (Mendes et al., 2008), o bugio-preto pode estar ocupando o lugar do bugio-ruivo entre os rios Uruguai e Paraná, por causa da destruição da Mata Atlântica.
Ele está em muitas unidades de conservação, como o Parque Estadual da Cantareira, em São Paulo. Lá, um estudo de 25 grupos encontrou, em média, cerca de 6 animais por grupo, segundo a avaliação. Em Porto Alegre, o bugio-ruivo aparece, por exemplo, no Parque Natural Morro do Osso. O bioma está em Bioma Mata Atlântica.
Vida e reprodução
Segundo a avaliação de A. g. clamitans:
- os grupos têm, em média, de 4 a 5 animais e podem chegar a 11;
- o mais comum é um macho adulto com várias fêmeas, mas há grupos com mais de um macho;
- a gestação dura cerca de 6 meses, e nasce 1 filhote por vez;
- a fêmea chega à idade de reprodução por volta dos 3,6 anos, e o macho, aos 5;
- o bugio-ruivo vive de 15 a 20 anos.
Febre amarela
A avaliação do ICMBio diz que o bugio-ruivo do sul é “altamente suscetível” à febre amarela. O surto de 2008 e 2009 matou muitos animais no Rio Grande do Sul, com mortes também no Paraná e em São Paulo, e causou extinções locais. Na Argentina, o bugio-ruivo ficou “praticamente extinto” por causa do surto, segundo a mesma avaliação.
O surto seguinte atingiu o Sudeste. Em dezembro de 2017, o ecólogo Márcio Port Carvalho recolheu 65 bugios-ruivos mortos pelo vírus no Horto Florestal de São Paulo, segundo a Pesquisa FAPESP (2018).
Os bugios não transmitem a doença: quem transmite são mosquitos. A morte deles é um alerta de que o vírus está circulando, como explica a página Febre amarela: o ciclo silvestre e por que os macacos são sentinelas.
Ameaças
Segundo as avaliações do ICMBio, as principais ameaças são:
- a perda e a divisão das matas, pela agricultura, pela pecuária e pelo crescimento das cidades. Na forma do norte, a avaliação cita a expansão do eucalipto e do café;
- a caça, inclusive onde ainda há grupos da forma do norte;
- as epidemias, sobretudo a febre amarela;
- os cães domésticos, nas matas perto de áreas urbanas e rurais;
- a rede elétrica. Num estudo da Prefeitura de São Paulo (2011), o bugio-ruivo foi o animal mais afetado por acidentes na rede elétrica da Região Metropolitana, entre os dez registrados: foram 31 casos, com perda de 84% dos animais eletrocutados.
Você sabia?
Na zona sul de Porto Alegre, um grupo de extensão da UFRGS, o Núcleo de Extensão Macacos Urbanos, instalou pontes de corda para diminuir os atropelamentos e os choques elétricos de bugios, segundo a avaliação do ICMBio.
Conservação no Brasil
Na lista nacional, atualizada pela Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026, o bugio-ruivo está Em Perigo. O nome tem um asterisco, que a Portaria explica assim: “Espécies que não constavam na Lista anterior – Portaria MMA nº 148, de 7 de junho de 2022”. A Portaria não diz por que o nome tem o asterisco. Na avaliação de 2012, o bugio-ruivo aparecia dividido em duas subespécies. Os outros bugios do Brasil e os ameaçados estão em Bugios.
A situação das duas formas era diferente na avaliação de 2012:
- o bugio-ruivo do sul (A. g. clamitans) foi classificado como Vulnerável. A avaliação suspeitava de uma queda de pelo menos 30% da população nas três gerações seguintes ao surto de febre amarela de 2008. Suspeitava que houvesse mais de 10 mil indivíduos maduros;
- a forma do norte (A. g. guariba) foi classificada como criticamente em perigo. A avaliação suspeita que nenhuma subpopulação tenha mais de 50 indivíduos maduros e cita a extinção local na Reserva Biológica de Una, no Parque Estadual da Serra do Conduru e na APA Cachoeira da Pancada Grande, na Bahia. Segundo a mesma ficha, essa forma entrou na lista dos 25 primatas mais ameaçados do mundo em 2012 e continuou nela em 2014.
O bugio-ruivo, como “Bugio-ruivo / Guariba”, é uma das 14 espécies-alvo do 2º ciclo (2025–2030) do Plano de Ação Nacional para a Conservação dos Primatas da Mata Atlântica e das Preguiças-de-Coleira (PAN PPMA), segundo a lista de espécies-alvo do ICMBio.
Fontes
- Bicca-Marques, J. C. et al. Avaliação do risco de extinção de Alouatta guariba clamitans no Brasil. ICMBio, Oficina de Avaliação do Estado de Conservação de Primatas Brasileiros, 2012.
- ICMBio. Avaliação do risco de extinção de Alouatta guariba guariba no Brasil. Oficina de 2012.
- ICMBio. Lista de espécies-alvo do PAN Primatas da Mata Atlântica e Preguiças-de-Coleira, 2º ciclo. Consultada em 2 nov. 2026.
- ICMBio. PAN Primatas da Mata Atlântica e Preguiças-de-Coleira. Consultado em 2 nov. 2026.
- Pesquisa FAPESP. Ameaças aos macacos. Ed. 270, ago. 2018.
- Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Portaria MMA nº 1.704, de 16 de junho de 2026. Anexo I, nº 608, e legenda do asterisco.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/bugio-ruivo-como-vive-a-febre-amarela-e-por-que-esta-em-perigo/ · Atualizado em 02/11/2026 · 123 Ecos

