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Atualizado em: 31/10/2026
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A febre amarela é uma doença causada por um vírus transmitido pela picada de mosquitos infectados. Os sintomas iniciais são febre súbita, calafrios, dor de cabeça e no corpo, náuseas e fraqueza. Cerca de 15% dos casos passam para uma fase grave, com icterícia (pele amarelada, que dá nome à doença) e hemorragias, e de 20% a 50% dos casos graves terminam em morte (Secretaria da Saúde do Paraná).
Os dois ciclos da doença
O vírus da febre amarela pode circular de dois jeitos (mesma fonte):
- Ciclo silvestre: acontece na mata. Os vetores são mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que ocorrem em áreas de mata. Os macacos são os principais hospedeiros: o vírus se multiplica neles e passa a outros mosquitos. A pessoa se infecta quando entra na mata ou mora perto dela e é picada por um desses mosquitos.
- Ciclo urbano: acontece na cidade, com o Aedes aegypti como vetor e o ser humano como único hospedeiro importante. O último caso de febre amarela urbana no Brasil foi registrado em 1942.
Todos os casos registrados no Brasil desde então são do ciclo silvestre. É por isso que a febre amarela é um tema de saúde e ambiente ao mesmo tempo: ela depende da floresta, dos mosquitos que vivem nela e dos macacos que a habitam.
Por que os macacos são sentinelas
O macaco não transmite a febre amarela. Ele adoece e morre da doença, como o ser humano, e não passa o vírus para as pessoas (Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo, 16/12/2017). Por isso os macacos são chamados de sentinelas: quando aparecem macacos doentes ou mortos numa região, é sinal de que o vírus está circulando ali, e os serviços de saúde podem agir antes que as pessoas adoeçam.
O registro de macacos mortos ou doentes tem nome: vigilância de epizootias (epizootia é a doença que atinge animais de uma região). A notificação de um macaco morto ou doente é obrigatória e deve chegar ao serviço de saúde em até 24 horas (Secretaria da Saúde do Paraná). Em São Paulo, amostras dos animais são analisadas no Instituto Adolfo Lutz, e o resultado orienta onde vacinar primeiro. Em São Paulo, em 2017, um modelo baseado nas datas e nos lugares das mortes de macacos permitiu vacinar 1,4 milhão de pessoas em áreas de maior risco, em vez de 3,5 milhões em toda a região de Campinas (Pesquisa FAPESP, janeiro de 2018).
Os bugios (gênero Alouatta) são os mais sensíveis ao vírus. No Horto Florestal de São Paulo, o pesquisador Márcio Port Carvalho contou 65 bugios mortos nas três últimas semanas de dezembro de 2017. “Praticamente todos os bugios do Horto morreram. Conhecíamos todos os 17 grupos”, disse ele à Pesquisa FAPESP (mesma fonte). O mico-leão-dourado, espécie ameaçada da Mata Atlântica, também foi atingido pelo mesmo surto.
O surto de 2016 a 2018
O Ministério da Saúde conta os casos por período de monitoramento, que vai de julho a junho do ano seguinte. Pelos dados consolidados até junho de 2018 (Ministério da Saúde, Informe nº 27, outubro de 2018):
| Período de monitoramento | Casos humanos confirmados | Óbitos |
|---|---|---|
| 2016/2017 (jul. 2016 a jun. 2017) | 779 | 262 |
| 2017/2018 (jul. 2017 a jun. 2018) | 1.376 | 483 |
Entre os macacos, pesquisadores estimam que cerca de 5 mil morreram no estado de São Paulo e 1.300 no Espírito Santo em 2017, e que só cerca de 10% dos macacos mortos chegam a ser encontrados em áreas urbanas (Pesquisa FAPESP, janeiro de 2018).
Matar macacos piora o problema
Durante o surto, o medo levou pessoas a atacar macacos. No Rio de Janeiro, dados da vigilância sanitária divulgados em janeiro de 2018 indicavam que 69% dos macacos mortos recolhidos desde o início daquele ano tinham sinais de ataque humano (Metrópoles, 26/1/2018). Além de não proteger ninguém, isso tira da vigilância o aviso que os macacos dão. Matar ou ferir animal silvestre é crime ambiental pela Lei 9.605, de 1998 (art. 29) (Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo); o tema está em tráfico de animais silvestres. “Sem os macacos, estamos desprotegidos para perceber a chegada e os deslocamentos do vírus”, resumiu o primatólogo Júlio César Bicca Marques à Pesquisa FAPESP.
A vacina
Segundo o Ministério da Saúde, a vacina é a principal forma de prevenção. O calendário do Programa Nacional de Imunizações prevê a primeira dose aos 9 meses e um reforço aos 4 anos; quem não tomou nenhuma dose antes dos 5 anos recebe dose única. Para pessoas a partir de 60 anos que nunca foram vacinadas, o serviço de saúde avalia o risco e o benefício antes de vacinar (Agência Gov, 6/1/2025). A orientação para cada pessoa é dada no posto de saúde.
Termos vizinhos
- Zoonose (link).
- Saúde ambiental (link).
- A destruição da natureza aumenta o risco de pandemias? (link).
Resumo: principais perguntas e respostas
Não. O macaco adoece e morre da doença, como o ser humano. Quem transmite é o mosquito infectado.
Na mata, os dos gêneros Haemagogus e Sabethes. Na cidade, o Aedes aegypti, mas o último caso urbano no Brasil foi em 1942.
Porque a morte de macacos numa região mostra que o vírus está circulando ali e permite vacinar as pessoas antes que adoeçam.
Pelo Ministério da Saúde, 779 casos e 262 mortes no período 2016/2017, e 1.376 casos e 483 mortes no período 2017/2018.
Avisar o serviço de saúde do município. A notificação é obrigatória e serve para investigar se o vírus está circulando.
Fontes
- Ministério da Saúde. Informe nº 27, Monitoramento do período sazonal da febre amarela, 2017/2018. Outubro de 2018.
- Secretaria de Estado da Saúde do Paraná. Febre amarela. Consultado em 31/10/2026.
- Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo. Febre amarela: o macaco não é o vilão. 16/12/2017.
- Pesquisa FAPESP. O alarme dos macacos. Edição 263, janeiro de 2018.
- Agência Gov. Saúde envia 100 mil doses extras de vacina contra febre amarela para São Paulo. 6/1/2025.
- Metrópoles. Rio: quase 70% dos macacos mortos foram vítimas de violência humana. 26/1/2018.
Impresso de https://123ecos.com.br/docs/febre-amarela-o-ciclo-silvestre-e-por-que-os-macacos-sao-sentinelas/ · Atualizado em 31/10/2026 · 123 Ecos

