Diversidade, Igualdade e Direitos Humanos

Etarismo: o que é, exemplos, dados e o que diz a lei

Luzia Martinez

Licenciada em História pela UFOP, Mestra em Educação e Tecnologias Digitais pela Universidade de Lisboa e Especialista em Docência no Ensino Superior pelo Senac.

Atualizado em: 25/10/2026 · Nível de leitura: Ensino Médio

Consequências do etarismo, mulher idosa sentada no sofá com a mão sobre a testa e semblante de descontentamento.
O etarismo é algo que deve ser combatido para uma sociedade mais igualitária.
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Etarismo é o preconceito e a discriminação contra pessoas por causa da idade. Também é chamado de idadismo ou ageísmo. Atinge sobretudo os idosos, mas também os jovens, por exemplo quando alguém é desqualificado no trabalho por ser “novo demais”. É uma das formas de discriminação e de preconceito.

De onde vem o termo

A palavra inglesa ageism foi criada pelo psiquiatra e gerontólogo americano Robert Butler, que a usou pela primeira vez em 1968, numa entrevista ao jornal Washington Post (Universidade Columbia), e a apresentou no artigo “Age-ism: another form of bigotry” (“Etarismo: outra forma de intolerância”), publicado em dezembro de 1969 na revista The Gerontologist (Backer e Chang, Ageism, Centro de Pesquisa Antirracista da Universidade de Boston).

O que diz a Organização Mundial da Saúde

Em 2021, a OMS e a Organização Pan-Americana da Saúde publicaram o Relatório Mundial sobre o Idadismo. Para o relatório, o idadismo ocorre quando a idade é usada para categorizar e dividir as pessoas de modo que cause dano, desvantagem ou injustiça e enfraqueça a solidariedade entre gerações. O relatório diz que o idadismo “prejudica a nossa saúde e o bem-estar”.

Segundo a ONU, uma em cada duas pessoas no mundo tem atitudes idadistas. Na Europa, única região com dados, uma em cada três pessoas disse ter sido vítima de discriminação por idade. O relatório afirma ainda que o idadismo “contribui para a pobreza e a insegurança econômica das pessoas na velhice” (Agência Brasil, 18/03/2021).

Como aparece

  • No trabalho: vagas com limite de idade, demissão de quem passa dos 50 anos, recusa de promoção ou de treinamento. Numa pesquisa de 2022 da consultoria EY com a empresa Maturi, com cerca de 200 empresas brasileiras, a maioria tinha só de 6% a 10% de funcionários com mais de 50 anos, e 78% das empresas se consideraram “etaristas”, com barreiras para contratar nessa faixa (Agência Brasil, 15/06/2023).
  • Na linguagem: piadas e expressões que tratam o idoso como incapaz (“velho não aprende”), ou o jovem como imaturo por definição.
  • Na saúde: decisões sobre tratamento tomadas pela idade, e não pela condição da pessoa.
  • Nos meios de comunicação: idosos mostrados só como frágeis ou ultrapassados.

Um país que envelhece

No Censo 2022, o Brasil tinha mais de 32,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, 15,8% da população (Agência Gov, 2023). Em 2010, eram cerca de 21 milhões. A relação entre pessoas em idade ativa (15 a 59 anos) e idosos caiu de 6 para 4,3 por idoso no mesmo período (Congresso em Foco, sobre o Censo 2022). Com mais idosos, o etarismo no trabalho e nos serviços passa a afetar uma parte cada vez maior da população.

O que diz a lei brasileira

  • A Constituição põe entre os objetivos do país promover o bem de todos “sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” (art. 3º, IV).
  • O Estatuto da Pessoa Idosa (Lei 10.741/2003, que mudou de nome pela Lei 14.423/2022) protege as pessoas com 60 anos ou mais e define crimes de discriminação contra elas.
  • A Lei 14.611/2023, da igualdade salarial, prevê indenização por dano moral quando há discriminação salarial por motivo de idade, além de sexo, raça, etnia ou origem.

Etarismo e segregação etária

O etarismo é o preconceito e a discriminação. A segregação etária é a separação das pessoas por idade no espaço e nas instituições, como bairros, escolas e atividades em que as gerações quase não se encontram.

Resumo: principais perguntas e respostas

O que é etarismo?

É o preconceito e a discriminação contra pessoas por causa da idade, contra idosos ou contra jovens.

Quem criou o termo etarismo?

O psiquiatra e gerontólogo americano Robert Butler, que criou a palavra inglesa ageism em 1968.

Etarismo é a mesma coisa que idadismo?

Sim. Etarismo, idadismo e ageísmo são nomes do mesmo fenômeno.

Quantas pessoas têm atitudes etaristas?

Segundo a ONU, com base no relatório da OMS de 2021, uma em cada duas pessoas no mundo.

Etarismo é crime no Brasil?

O Estatuto da Pessoa Idosa define crimes de discriminação contra pessoas com 60 anos ou mais, e a Constituição proíbe preconceito por idade.

Fontes

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