Justiça Social, Climática e Ambiental

Desigualdade socioambiental no Brasil: o que é, dados e exemplos

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 25/10/2026

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Desenho sobre a desigualdade Socioambiental no Brasil de um lado uma casa de luxo com piscina e de outro várias casas de uma comunidade pobre, essas duas realidades estão separadas por uma grande vala.
O Brasil é um país com grandes desigualdades.
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Desigualdade socioambiental é a distribuição desigual dos riscos ambientais, como poluição, enchentes e deslizamentos, e dos serviços ambientais, como água tratada, esgoto e áreas verdes, entre grupos sociais. Em geral, quem tem menos renda vive mais perto dos riscos e mais longe dos serviços. O termo junta duas desigualdades que andam juntas: a social e a ambiental. O conceito e os estudos que o mediram estão em Desigualdade ambiental; aqui ficam os números do Brasil.

Saneamento

O saneamento é o dado mais claro. Segundo o Ranking do Saneamento 2025 do Instituto Trata Brasil, com dados oficiais de 2023 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA) (Trata Brasil, 2025):

  • 16,9% dos brasileiros não tinham acesso a água potável;
  • 44,8% não tinham coleta de esgoto;
  • só cerca de 51,8% do esgoto gerado no país era tratado.

A falta de saneamento não se distribui por igual. Em 2018, 44,5% dos pretos e pardos viviam sem saneamento básico, contra 27,9% dos brancos (IBGE). Entre os quilombolas, no Censo 2022, 78,9% viviam com saneamento precário ou ausente. Esses números estão em Racismo ambiental. Mais sobre o tema em Esgoto e saneamento básico.

Favelas e comunidades urbanas

No Censo 2022, 16,4 milhões de pessoas viviam em 12.348 favelas e comunidades urbanas, 8,1% da população do país. A composição por cor ou raça era diferente da do país (IBGE, 08/11/2024):

Cor ou raça (Censo 2022)Nas favelasNo Brasil
Pardos56,8%45,3%
Pretos16,1%10,2%
Brancos26,6%43,5%

Somados, pretos e pardos eram 72,9% dos moradores de favelas e 55,5% da população (conta da frente com os números do IBGE). Nas favelas, 7,9% das moradias despejavam o esgoto em rio, lago ou mar, e 4,0% em vala, contra 1,9% e 1,4% no país. A cobertura de água pela rede geral, ao contrário, era parecida: 86,4% nas favelas e 83,9% no país (mesma fonte).

Áreas de risco

Um estudo do IBGE com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), com dados do Censo 2010, contou 8,27 milhões de pessoas vivendo em áreas sujeitas a enchentes e deslizamentos em 872 municípios. Entre elas, 17,8% eram crianças ou idosos, os grupos mais vulneráveis em desastres. No Norte, 70,7% dos moradores dessas áreas não tinham esgoto adequado. Os pesquisadores observaram que o risco não é só dos mais pobres, mas que a urbanização empurrou a população de menor renda para encostas e fundos de vale (Jornal do Brasil, 28/06/2018). A separação no espaço da cidade está em Segregação socioambiental.

No mundo

TemaDadoFonte
ÁguaMais de 2 bilhões de pessoas sem água potável segura; 3,4 bilhões sem saneamento seguro. Nos países menos desenvolvidos, a chance de não ter água e saneamento básicos é duas vezes maiorOMS e Unicef, agosto de 2025 (Poder360)
Poluição do ar4,2 milhões de mortes prematuras em 2019; 89% em países de baixa e média rendaOMS, 2024
EmissõesEm 2019, o 1% mais rico emitiu 17% dos gases de efeito estufa; os 10% mais ricos, quase 48%; a metade mais pobre, cerca de 12%Lucas Chancel, World Inequality Lab, 2021
PobrezaA mudança do clima pode levar de 32 a 132 milhões de pessoas a mais à pobreza extrema até 2030Banco Mundial, 2020

A desigualdade entre quem mais emite e quem mais sofre os efeitos do clima está em Injustiça climática.

O que a lei e as metas preveem

  • A Constituição diz que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado (art. 225) e põe entre os objetivos do país reduzir as desigualdades sociais e regionais (art. 3º, III).
  • O Marco Legal do Saneamento (Lei 14.026/2020) fixou a meta de 99% da população com água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto até 31 de dezembro de 2033.
  • Na ONU, o tema aparece no ODS 6 (água e saneamento) e no ODS 10 (redução das desigualdades).

Termos vizinhos

Resumo: principais perguntas e respostas

O que é desigualdade socioambiental?

É a distribuição desigual dos riscos ambientais, como poluição e enchentes, e dos serviços, como água e esgoto, entre grupos sociais.

Qual um exemplo de desigualdade socioambiental no Brasil?

O saneamento: em 2023, 44,8% dos brasileiros não tinham coleta de esgoto, e a falta é maior entre pretos, pardos e quilombolas.

Quantas pessoas vivem em favelas no Brasil?

No Censo 2022, 16,4 milhões, 8,1% da população, em 12.348 favelas e comunidades urbanas.

Quantos brasileiros vivem em áreas de risco?

Um estudo do IBGE com o Cemaden, com dados de 2010, contou 8,27 milhões de pessoas em áreas sujeitas a enchentes e deslizamentos.

Qual a diferença entre desigualdade socioambiental e justiça ambiental?

A desigualdade é o problema; a justiça ambiental é o princípio e o movimento que buscam distribuir os riscos e os benefícios de forma justa.

Fontes

O tema completo, reunido na vitrine Justiça e Inclusão Social →

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