Diversidade, Igualdade e Direitos Humanos

Racismo individual: o que é, origem do termo e o que diz a ONU

Nível de leitura: Ensino Médio

123 Ecos Redação

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Atualizado em: 04/11/2026

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Em poucas palavras

Racismo individual é o racismo praticado por uma pessoa, em falas, atitudes ou decisões. O termo foi criado em 1967, nos Estados Unidos, por Stokely Carmichael e Charles Hamilton. A Convenção da ONU de 1965 pede que os países punam a difusão de ideias de superioridade racial. Numa pesquisa da União Europeia de 2023, 45% das pessoas negras ouvidas disseram ter sofrido discriminação racial em cinco anos.

Nesta página

Racismo individual é o racismo praticado por uma pessoa contra outra, por meio de falas, atitudes ou decisões que tratam alguém como inferior por causa da cor da pele, da raça ou da origem étnica. Ele acontece em qualquer país e se distingue do racismo institucional, que está nas regras e rotinas das organizações, e do racismo estrutural, que está no modo como a sociedade se organiza. A lei brasileira, exemplos do dia a dia no país e a decisão do STJ sobre ofensa a pessoa branca estão em Racismo individual no Brasil.

De onde vem o termo

O termo nasceu nos Estados Unidos, em 1967, no livro Black Power: The Politics of Liberation, do ativista Stokely Carmichael e do cientista político Charles V. Hamilton. Eles separaram o racismo individual, cometido por pessoas, do institucional, que vem do funcionamento normal da sociedade. Para os autores, o individual é o mais fácil de ver e o mais condenado em público (Teaching American History, que reproduz o capítulo 1).

IndividualInstitucional
Quem praticauma pessoa ou um grupo de pessoasas organizações, pelas regras e rotinas
Como apareceofensa, agressão, recusa de atendimento ou de empregoresultados desiguais que se repetem, mesmo sem uma pessoa que se declare racista
Como é vistomais visível e mais condenado em públicomais sutil e menos condenado

Fonte da ideia: Carmichael e Hamilton, 1967. A tabela é uma síntese do redator.

O que diz o direito internacional

A Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial foi adotada pela Assembleia Geral da ONU em 21 de dezembro de 1965, pela resolução 2106 (XX) (ONU, Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial). Ela entrou em vigor em 4 de janeiro de 1969 (Decreto 65.810/1969, Câmara dos Deputados).

Pela Convenção, “discriminação racial” significa “qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência” baseada em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica que tenha por objetivo ou efeito anular ou restringir os direitos humanos, em igualdade de condições (art. I). No art. IV, os países se comprometem a “declarar delitos puníveis por lei, qualquer difusão de idéias baseadas na superioridade ou ódio raciais”, e também a incitação à discriminação e os atos de violência contra pessoas de outra cor ou origem étnica (Decreto 65.810/1969).

A Convenção não usa a expressão “racismo individual”. Entre as suas regras, as do art. IV são as que tratam de atos que uma pessoa pode cometer: difundir ideias de superioridade racial, incitar a discriminação e praticar violência racista. A ofensa dita a uma pessoa é tratada pela lei de cada país. O conceito geral está em Discriminação.

O Brasil assinou a Convenção em 7 de março de 1966 e entregou a ratificação à ONU em 27 de março de 1968 (Decreto 65.810/1969). Como a lei brasileira pune o racismo hoje está em Racismo individual no Brasil.

Você sabia?

O Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial, em 21 de março, lembra o Massacre de Sharpeville, na África do Sul, em 1960: a polícia abriu fogo contra um protesto pacífico contra as leis do apartheid e matou 69 pessoas (ONU). O apartheid está em Segregação racial.

O que dizem os dados fora do Brasil

A Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (FRA) ouviu mais de 6.700 pessoas de ascendência africana em 13 países do bloco, na pesquisa Being Black in the EU (FRA, 25/10/2023):

O que a pesquisa mediuResultado
Sofreram discriminação racial nos 5 anos anteriores45%, contra 39% na pesquisa anterior da FRA
Países com os números mais altosAlemanha e Áustria, acima de 70%
Sofreram assédio racista30%
Denunciaram a discriminação9%
Disseram que a última abordagem policial, no ano anterior, foi por perfil racial58%

Fonte: FRA, 25/10/2023.

A pesquisa mistura atos de pessoas (o assédio, a ofensa) e de instituições (a abordagem policial por perfil racial). Ela mostra também que quase ninguém denuncia: 9%. A pesquisa feita no Brasil sobre o racismo no transporte está em Racismo individual no Brasil.

O que foi medido e o que não foi

  • Medido: a experiência de discriminação contada pelas próprias pessoas, em 13 países da União Europeia (FRA, 2023).
  • Não medido nesta página: quantos atos de racismo individual acontecem no mundo. Não há pesquisa mundial com o mesmo método; cada país mede de um jeito.

Termos vizinhos

  • Racismo individual no Brasil (link).
  • Racismo (link).
  • Racismo institucional (link).
  • Racismo estrutural (link).
  • Xenofobia (link).

Resumo: principais perguntas e respostas

O que é racismo individual?

É o racismo praticado por uma pessoa contra outra, em falas, atitudes ou decisões que tratam alguém como inferior pela cor, raça ou origem étnica.

Quem criou o termo?

Stokely Carmichael e Charles V. Hamilton, no livro Black Power, de 1967, nos Estados Unidos, em oposição a “racismo institucional”.

O que diz a ONU sobre o racismo de uma pessoa?

A Convenção de 1965 pede que os países punam por lei a difusão de ideias de superioridade racial, a incitação à discriminação e os atos de violência racista (art. IV).

Por que 21 de março é o dia contra a discriminação racial?

Porque lembra o Massacre de Sharpeville, na África do Sul, em 1960, quando a polícia matou 69 pessoas num protesto contra o apartheid.

Quantas pessoas negras sofrem discriminação na Europa?

Na pesquisa da FRA de 2023, em 13 países da União Europeia, 45% disseram ter sofrido discriminação racial nos cinco anos anteriores.

Fontes

O tema completo, reunido na vitrine Justiça e Inclusão Social →

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