123 Ecos Redação
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Atualizado em: 01/11/2026
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A ilha de calor urbana é uma área da cidade que fica mais quente que as áreas em volta. Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), prédios, ruas e outras estruturas absorvem e soltam o calor do sol mais do que as áreas naturais, e os bairros densos e com pouco verde ficam mais quentes. Esses bolsões de calor são chamados de “ilhas de calor” (EPA, 2026).
Por que a cidade esquenta mais
A EPA aponta quatro causas principais (EPA, 2026):
- Menos vegetação. Árvores, plantas e corpos d’água ajudam a refrescar o ar, entre outras coisas com a sombra. Na cidade, eles são trocados por superfícies duras e secas.
- Materiais que guardam calor. Asfalto, concreto e telhados comuns refletem pouca luz do sol e absorvem e soltam mais calor.
- A forma da cidade. Ruas estreitas entre prédios altos viram “cânions urbanos”, que bloqueiam o vento que ajudaria a esfriar.
- Calor das atividades humanas. Veículos, aparelhos de ar-condicionado, prédios e indústrias soltam calor no ambiente.
Quanto mais quente
Nos Estados Unidos, uma revisão citada pela EPA achou temperaturas do ar de dia cerca de 1 a 7 °F mais altas nas áreas urbanas do que no entorno, o que dá cerca de 0,6 a 3,9 °C, e de 2 a 5 °F à noite, cerca de 1,1 a 2,8 °C (EPA, 2026). São números dos Estados Unidos; a diferença muda de cidade para cidade.
Há duas medidas diferentes, e elas não podem ser misturadas:
- a temperatura do ar, que é a que sentimos e a que os termômetros das estações medem;
- a temperatura da superfície, de telhados, ruas e solo, que os satélites medem e que pode ser bem mais alta que a do ar.
O que se mediu em São Paulo
Na cidade ao longo do tempo. Segundo a Agência FAPESP, pesquisadores liderados por Humberto Ribeiro da Rocha, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, mostraram que a temperatura máxima diária de São Paulo subiu 2,4 °C, sobretudo a partir de 1950, e a mínima subiu 2,8 °C desde o começo do século 20, enquanto a média global subiu cerca de 1,2 °C desde 1900. Os pesquisadores ligam essa diferença à ilha de calor urbana. Um outro estudo do grupo, sobre a ilha de calor em 70 cidades paulistas, com a temperatura da superfície medida pelo satélite Landsat de 2013 a 2025, estava “em vias de publicação” em maio de 2026 (Agência FAPESP, 15/5/2026).
Dentro da cidade. Um estudo do Centro de Estudos da Favela (Cefavela), sediado na Universidade Federal do ABC, analisou 19 imagens térmicas do satélite Landsat 8 de dezembro de 2024 a fevereiro de 2025. Ele achou diferenças de até 15 °C na temperatura da superfície entre favelas e bairros vizinhos. A superfície do Morumbi ficou em torno de 30 °C, e a de Paraisópolis, ao lado, chegou a 45 °C; Heliópolis passou de 44 °C nos dias mais quentes. Segundo o estudo, “áreas densas e sem vegetação registram valores extremos” (Agência FAPESP, 27/11/2025).
O que a ilha de calor muda
- Saúde. Segundo a EPA, o calor contribui para mortes e doenças ligadas ao calor, e os mais expostos são idosos, crianças pequenas, pessoas de baixa renda, quem trabalha ao ar livre e quem tem doenças crônicas (EPA, 2026). Os efeitos das ondas de calor estão em ondas de calor.
- Energia. Nos EUA, a demanda de eletricidade para ar-condicionado sobe de 1% a 9% a cada aumento de 2 °F, cerca de 1,1 °C, e o pico de consumo pode sobrecarregar a rede (mesma fonte).
- Ar e água. O maior uso de energia aumenta as emissões e o ozônio perto do chão, e a água da chuva aquecida nas superfícies pode prejudicar a vida de rios e lagos (mesma fonte).
Como as cidades tentam reduzir
A EPA reúne quatro grupos de medidas (EPA, 2026):
- árvores e vegetação, que dão sombra e refrescam o ar (o que os estudos já mediram está em arborização urbana);
- telhados verdes, cobertos de plantas;
- telhados frios, feitos com materiais que refletem mais a luz do sol;
- pavimentos frios, que esquentam menos que o asfalto comum.
O desenho das construções também conta, como mostra a postagem sobre arquitetura bioclimática.
Um engano comum
“A ilha de calor é o mesmo que o aquecimento global.” Não. O aquecimento global é a alta da temperatura média do planeta. A ilha de calor é uma diferença local, entre a cidade e o entorno, causada pela forma como a cidade é construída. As duas se somam: em São Paulo, os pesquisadores da USP ligam à ilha de calor a parte do aquecimento que passa da média global (Agência FAPESP, 2026).
Resumo: principais perguntas e respostas
É uma área da cidade mais quente que o entorno, porque prédios e asfalto guardam o calor do sol e há pouca vegetação.
Segundo a EPA, menos vegetação, materiais que absorvem calor, ruas estreitas entre prédios altos e o calor de carros, ar-condicionado e indústrias.
Nos EUA, cerca de 0,6 a 3,9 °C no ar durante o dia, pela EPA. Em São Paulo, um estudo com satélite achou até 15 °C na temperatura da superfície entre favelas e bairros vizinhos.
A EPA cita árvores e vegetação, telhados verdes, telhados frios e pavimentos frios.
Não. A ilha de calor é uma diferença local entre a cidade e o entorno; o aquecimento global é a alta da média do planeta.
Fontes
- EPA (Agência de Proteção Ambiental dos EUA). What Are Heat Islands? Atualizada em 18/8/2026.
- Agência FAPESP. Temperatura na cidade de São Paulo aumenta mais do que a média global. 15/5/2026.
- Agência FAPESP. Diferença de temperatura em favelas e bairros vizinhos da capital chega a 15 °C. 27/11/2025 (estudo do Cefavela).
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