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Atualizado em: 31/10/2026
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ondas de calor são períodos de vários dias seguidos com temperatura muito acima do normal para um lugar e uma época do ano. O guia sobre ondas de calor e saúde da Organização Meteorológica Mundial (OMM) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 2015, as descreve como um período “marcado e incomum” de tempo quente sobre uma região, que dura pelo menos dois ou três dias, com temperaturas acima de limites definidos pelas condições climáticas locais (UNDRR, com base em OMM e OMS, 2015).
O que conta como onda de calor
O ponto central é que a referência é a média do lugar, e não um número fixo. Trinta e cinco graus podem ser comuns numa cidade e extremos em outra. Por isso, o mesmo guia da OMM e da OMS diz que “não é possível adotar limites numéricos universais” para caracterizar o calor extremo, e que cada lugar deve definir os seus (UNDRR). A comparação se faz com a média climatológica do lugar, calculada sobre muitos anos.

No Brasil, o critério do INMET. O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) usa como referência a diferença em relação à média. Numa notícia de fevereiro de 2025, o INMET descreve a onda de calor como o período em que as temperaturas máximas diárias superam a média mensal em 5 °C ou mais por pelo menos cinco dias consecutivos, numa área ampla, e atribui essa definição à OMM (INMET, 14/2/2025). O guia da OMM e da OMS citado acima, porém, não fixa números universais. As duas coisas convivem: o INMET adota esse critério para o Brasil, e a OMM recomenda que cada país defina limites próprios.
Como funcionam os avisos do INMET
O INMET emite avisos em três níveis de cor: amarelo (perigo potencial), laranja (perigo) e vermelho (grande perigo). Para a onda de calor, o próprio INMET explica que “a intensidade do aviso está relacionada com a persistência do fenômeno”, ou seja, com quantos dias o calor dura, e não com o tamanho do desvio (INMET, 8/11/2023).
- Amarelo (perigo potencial): as máximas “devem ficar 5ºC acima da média pelo período de dois a três dias consecutivos” (INMET, 8/11/2023).
- Vermelho (grande perigo): segundo o INMET, citado pelo Olhar Digital, as temperaturas ficam “pelo menos 5°C acima da média por um período superior a cinco dias”, o que representa “um risco real à saúde” (Olhar Digital, 29/12/2025).
- Laranja (perigo): o nível intermediário entre os dois.
Como o calor afeta a saúde
Segundo a OMS, a exposição ao calor pode causar sintomas graves, como a exaustão pelo calor e a insolação, quando o corpo perde a capacidade de controlar a própria temperatura. O calor também pode causar desidratação grave, contribuir para acidentes vasculares cerebrais e para a formação de coágulos. Sinais mais leves incluem cãibras, dor de cabeça, cansaço, fraqueza e inchaço nas pernas (OMS).
O Ministério da Saúde diz que as ondas de calor têm efeitos que vão “de desconforto leve a condições potencialmente fatais”, entre eles a desidratação, a insolação, o agravamento de doenças crônicas e problemas de saúde mental (Ministério da Saúde).
Quem corre mais risco. O Ministério da Saúde cita idosos, crianças, pessoas com problemas renais, cardíacos, respiratórios ou de circulação, diabéticos, gestantes e a população em situação de rua (Ministério da Saúde). A OMS acrescenta que pessoas com doenças crônicas que tomam remédios todos os dias têm maior risco de complicações e morte (OMS).
A dimensão do problema. A OMS cita um estudo que estimou cerca de 489 mil mortes por ano relacionadas ao calor no mundo, de 2000 a 2019, e lembra que mais de 70 mil pessoas morreram na onda de calor de 2003 na Europa (OMS).
O que recomenda o Ministério da Saúde
Entre as orientações do Ministério da Saúde para os dias de calor extremo estão (Ministério da Saúde):
- beber água regularmente, “mesmo quando não se sente sede”;
- planejar as atividades ao ar livre para os horários mais frescos do dia;
- usar ventilador e ar-condicionado sempre que possível.
ondas de calor e mudança do clima
Aqui vale separar o que é medido do que é explicado. A medição mostra quantos dias passaram da média e quanto. A atribuição é outra pergunta: quanto a mudança do clima pesou num evento específico, e isso exige estudo próprio. Numa notícia de agosto de 2023, o INMET informou que um levantamento seu de 2022 aponta “a possibilidade de aumento na frequência, intensidade e/ou duração desses eventos extremos climáticos” (INMET, 25/8/2023). A relação entre mudança do clima e eventos extremos em geral está na postagem sobre fenômenos meteorológicos extremos.
Resumo: principais perguntas e respostas
Um período de vários dias seguidos com temperatura muito acima do normal para o lugar e a época do ano.
Máximas pelo menos 5 °C acima da média. O aviso amarelo vale para dois a três dias; o vermelho, para mais de cinco dias. O nível sobe com a duração.
Não. O guia da OMM e da OMS de 2015 diz que não é possível adotar limites numéricos universais; cada lugar define os seus, a partir do próprio clima.
Segundo a OMS e o Ministério da Saúde, desidratação, exaustão pelo calor, insolação e agravamento de doenças crônicas, entre outros.
Segundo o Ministério da Saúde, idosos, crianças, gestantes, pessoas com doenças crônicas e a população em situação de rua, entre outros.
Fontes
- INMET. Inmet emite alerta para onda de calor nos próximos dias. 8/11/2023.
- INMET. Terceira onda de calor no país começa nesta segunda (17). 14/2/2025.
- INMET. Ondas de calor são resultados das alterações climáticas nos últimos 60 anos. 25/8/2023.
- UNDRR. Heatwave (MH0047). Com base em OMM e OMS, Heatwaves and Health: Guidance on Warning-System Development, 2015.
- OMS. Heatwaves. Organização Mundial da Saúde.
- Ministério da Saúde. Calor. Saúde de A a Z.
- Olhar Digital. Inmet estende alerta de “Grande Perigo” devido ao calor. 29/12/2025.
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