Os eventos climáticos extremos são ondas de calor, chuvas muito fortes, secas, tempestades e frios intensos, muito acima ou abaixo do normal para aquele lugar e aquela época do ano. Um evento extremo vira desastre quando atinge pessoas, casas e cidades que não estão preparadas.
O que a ciência sabe #
Pelo IPCC, o painel de cientistas do clima da ONU, a mudança do clima causada pelas pessoas “já está afetando muitos extremos do tempo e do clima em todas as regiões do planeta” (IPCC AR6, Grupo I, Sumário para Formuladores de Políticas, A.3):
- as ondas de calor e outros extremos de calor ficaram mais frequentes e mais intensos na maior parte das terras desde a década de 1950;
- as chuvas fortes também ficaram mais frequentes e mais intensas na maior parte das terras desde a década de 1950;
- alguns extremos de calor da última década seriam “extremamente improváveis” sem a influência humana.
O aquecimento por trás disso está em Aquecimento global, e o calor que sobra no planeta, em Desequilíbrio térmico do planeta.
Como se sabe se o clima pesou #
Um estudo de atribuição compara o mundo de hoje com um mundo sem o aquecimento causado pelas pessoas, usando medições e modelos do clima. Assim, ele diz quantas vezes a mudança do clima tornou um evento mais provável ou quanto mais forte ele ficou. Cada estudo vale para o seu caso: não dá para tirar dele uma conclusão para todos os extremos. O grupo World Weather Attribution (WWA), de cientistas de vários países, faz esses estudos logo depois dos desastres.
Dois casos do Brasil #
| Caso | O que aconteceu | O que o estudo de atribuição concluiu |
|---|---|---|
| Enchentes do Rio Grande do Sul, abril e maio de 2024 | pela Defesa Civil do estado, 184 mortes confirmadas, 25 desaparecidos, 806 feridos, 478 municípios atingidos e cerca de 2,4 milhões de pessoas afetadas (Jornal do Comércio, com a Defesa Civil do RS, 24/4/2025) | a mudança do clima tornou a chuva mais de duas vezes mais provável e de 6% a 9% mais intensa; o El Niño somou de 3% a 10% de intensidade; mesmo no clima de hoje, é um evento para acontecer uma vez a cada 100 a 250 anos (Phys.org, com a AFP, sobre o estudo da WWA, junho de 2024) |
| Seca da Amazônia, 2023 | rios no nível mais baixo em 120 anos, pelo relato do comunicado do estudo | a mudança do clima tornou a seca 30 vezes mais provável; o El Niño teve um peso bem menor, e o calor veio quase todo da mudança do clima (Centro do Clima da Cruz Vermelha, sobre o estudo da WWA, 24/1/2024) |
No Rio Grande do Sul, o estudo também apontou o que piorou os danos: a perda de cerca de 22% da vegetação nativa do estado em menos de quatro décadas e o sistema de proteção de Porto Alegre, feito para segurar a água até 6 metros, que começou a falhar com 4,5 metros (Phys.org, junho de 2024).
Quem perde a casa por causa de desastres está em Refugiados climáticos, e o El Niño, em El Niño.
Você sabia?
Pelo mesmo estudo da seca da Amazônia, com o planeta 2 °C mais quente, períodos de chuva tão baixa quanto o de 2023 ficariam quatro vezes mais prováveis e passariam a acontecer cerca de uma vez a cada 30 anos (Centro do Clima da Cruz Vermelha, 24/1/2024).
Termos vizinhos #
Resumo: principais perguntas e respostas #
São ondas de calor, chuvas fortes, secas, tempestades e frios muito acima ou abaixo do normal para um lugar e uma época do ano.
Pelo IPCC, as ondas de calor e as chuvas fortes ficaram mais frequentes e intensas na maior parte das terras desde a década de 1950.
Por um estudo de atribuição, que compara o mundo de hoje com um mundo sem o aquecimento causado pelas pessoas.
Sim: pelo estudo da World Weather Attribution, ela tornou a chuva mais de duas vezes mais provável.
Não: foi o rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração.
Fontes #
- IPCC. AR6, Grupo I, Sumário para Formuladores de Políticas (A.3). 2021.
- Jornal do Comércio. Um ano após as enchentes, Defesa Civil informa mais um óbito. 24/4/2025.
- Phys.org (AFP). Estudo da World Weather Attribution sobre as enchentes do Rio Grande do Sul. Junho de 2024.
- Centro do clima da Cruz Vermelha. Study: climate change, not El Niño, main driver of exceptional drought in highly vulnerable Amazon basin. 24/1/2024.

