Eventos climáticos extremos – consequências no Brasil e no mundo

Atualizado em: 28/10/2026 · Nível de leitura: Ensino Fundamental — anos finais

A sombra de uma mulher envolta por fortes raios solares representa bem os eventos cliáticos extremos que acontecem cada vez mais
Os eventos climáticos estão se intensificando a cada ano

Os eventos climáticos extremos são ondas de calor, chuvas muito fortes, secas, tempestades e frios intensos, muito acima ou abaixo do normal para aquele lugar e aquela época do ano. Um evento extremo vira desastre quando atinge pessoas, casas e cidades que não estão preparadas.

O que a ciência sabe #

Pelo IPCC, o painel de cientistas do clima da ONU, a mudança do clima causada pelas pessoas “já está afetando muitos extremos do tempo e do clima em todas as regiões do planeta” (IPCC AR6, Grupo I, Sumário para Formuladores de Políticas, A.3):

  • as ondas de calor e outros extremos de calor ficaram mais frequentes e mais intensos na maior parte das terras desde a década de 1950;
  • as chuvas fortes também ficaram mais frequentes e mais intensas na maior parte das terras desde a década de 1950;
  • alguns extremos de calor da última década seriam “extremamente improváveis” sem a influência humana.

O aquecimento por trás disso está em Aquecimento global, e o calor que sobra no planeta, em Desequilíbrio térmico do planeta.

Como se sabe se o clima pesou #

Um estudo de atribuição compara o mundo de hoje com um mundo sem o aquecimento causado pelas pessoas, usando medições e modelos do clima. Assim, ele diz quantas vezes a mudança do clima tornou um evento mais provável ou quanto mais forte ele ficou. Cada estudo vale para o seu caso: não dá para tirar dele uma conclusão para todos os extremos. O grupo World Weather Attribution (WWA), de cientistas de vários países, faz esses estudos logo depois dos desastres.

Dois casos do Brasil #

CasoO que aconteceuO que o estudo de atribuição concluiu
Enchentes do Rio Grande do Sul, abril e maio de 2024pela Defesa Civil do estado, 184 mortes confirmadas, 25 desaparecidos, 806 feridos, 478 municípios atingidos e cerca de 2,4 milhões de pessoas afetadas (Jornal do Comércio, com a Defesa Civil do RS, 24/4/2025)a mudança do clima tornou a chuva mais de duas vezes mais provável e de 6% a 9% mais intensa; o El Niño somou de 3% a 10% de intensidade; mesmo no clima de hoje, é um evento para acontecer uma vez a cada 100 a 250 anos (Phys.org, com a AFP, sobre o estudo da WWA, junho de 2024)
Seca da Amazônia, 2023rios no nível mais baixo em 120 anos, pelo relato do comunicado do estudoa mudança do clima tornou a seca 30 vezes mais provável; o El Niño teve um peso bem menor, e o calor veio quase todo da mudança do clima (Centro do Clima da Cruz Vermelha, sobre o estudo da WWA, 24/1/2024)

No Rio Grande do Sul, o estudo também apontou o que piorou os danos: a perda de cerca de 22% da vegetação nativa do estado em menos de quatro décadas e o sistema de proteção de Porto Alegre, feito para segurar a água até 6 metros, que começou a falhar com 4,5 metros (Phys.org, junho de 2024).

Quem perde a casa por causa de desastres está em Refugiados climáticos, e o El Niño, em El Niño.

Você sabia?

Pelo mesmo estudo da seca da Amazônia, com o planeta 2 °C mais quente, períodos de chuva tão baixa quanto o de 2023 ficariam quatro vezes mais prováveis e passariam a acontecer cerca de uma vez a cada 30 anos (Centro do Clima da Cruz Vermelha, 24/1/2024).

Termos vizinhos #

  • Mudanças climáticas (link).
  • Refugiados climáticos (link).
  • El Niño (link).

Resumo: principais perguntas e respostas #

O que são eventos climáticos extremos?

São ondas de calor, chuvas fortes, secas, tempestades e frios muito acima ou abaixo do normal para um lugar e uma época do ano.

Os eventos extremos estão aumentando?

Pelo IPCC, as ondas de calor e as chuvas fortes ficaram mais frequentes e intensas na maior parte das terras desde a década de 1950.

Como se sabe se a mudança do clima pesou num desastre?

Por um estudo de atribuição, que compara o mundo de hoje com um mundo sem o aquecimento causado pelas pessoas.

A mudança do clima pesou nas enchentes do Rio Grande do Sul em 2024?

Sim: pelo estudo da World Weather Attribution, ela tornou a chuva mais de duas vezes mais provável.

Brumadinho foi um evento climático?

Não: foi o rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração.

Fontes #

Pastas Ecopédia

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